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Soja oscila entre alta e correção em Chicago; clima nos EUA, petróleo e demanda global seguem no radar do mercado

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O mercado internacional da soja iniciou a semana com valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pelo bom desempenho das exportações norte-americanas e pela demanda da indústria de esmagamento dos Estados Unidos. No entanto, nesta terça-feira (16), os contratos futuros passaram a operar em queda, devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior diante da pressão exercida pelo recuo do petróleo, pela melhora das condições das lavouras norte-americanas e por ajustes técnicos dos investidores.

O movimento reforça o cenário de volatilidade que tem marcado o mercado da oleaginosa em 2026, com operadores atentos aos fundamentos de oferta e demanda, além das condições climáticas nos principais países produtores.

Exportações e esmagamento sustentaram alta da soja em Chicago

Na segunda-feira, os contratos futuros da soja encerraram o pregão em alta na CBOT. O vencimento julho fechou com avanço de 0,52%, cotado a US$ 11,19 por bushel, enquanto o contrato agosto subiu 0,42%, para US$ 11,23 por bushel.

Os derivados também registraram valorização. O farelo de soja avançou para US$ 302 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja atingiu 74,28 cents por libra-peso.

O suporte veio principalmente dos números positivos das exportações dos Estados Unidos. As inspeções de embarques cresceram 27% na semana encerrada em 11 de junho, ficando próximas do teto das expectativas do mercado.

Outro fator de sustentação foi o relatório da Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (NOPA), que apontou esmagamento de aproximadamente 5,68 milhões de toneladas em maio. Embora o volume tenha sido 1,5% inferior ao registrado em abril, apresentou crescimento de 8,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Mercado devolve ganhos diante de melhora das lavouras americanas

Já nesta terça-feira, o mercado passou a corrigir parte dos ganhos recentes. Durante as primeiras negociações do dia, os contratos futuros recuavam entre 8,75 e 9,50 pontos, com o vencimento julho voltando para a faixa de US$ 11,09 por bushel e o agosto para US$ 11,14.

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Além da soja em grão, os contratos do farelo, do óleo de soja e do milho também registravam perdas, refletindo um movimento mais amplo de realização de lucros e ajustes técnicos.

Entre os fatores baixistas está a atualização semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou uma ligeira melhora na classificação das lavouras americanas. Embora o avanço tenha sido modesto, foi suficiente para reduzir parte dos prêmios climáticos incorporados aos preços.

Ainda assim, o mercado segue monitorando atentamente as previsões para julho, período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Alguns modelos meteorológicos indicam a possibilidade de clima mais seco em regiões produtoras importantes, o que mantém os investidores em estado de alerta.

Queda do petróleo também pressiona os preços

O mercado da soja também sofre influência do cenário macroeconômico internacional. Nesta terça-feira, os contratos do petróleo Brent e WTI registravam quedas superiores a 2%, movimento que impacta diretamente o complexo da soja, especialmente o óleo utilizado na produção de biocombustíveis.

A desvalorização da energia reduz a competitividade dos combustíveis renováveis e tende a limitar o potencial de valorização dos derivados agrícolas, ampliando a pressão sobre os contratos futuros da oleaginosa.

Mercado brasileiro acompanha clima e logística

No Brasil, as negociações seguem regionalizadas, refletindo as particularidades de cada estado produtor.

No Rio Grande do Sul, a soja foi negociada em torno de R$ 128,81 por saca na região Centro-Ocidental, enquanto o porto de Rio Grande registrou indicação de R$ 132,00 por saca. O mercado gaúcho continua atento aos impactos das geadas sobre áreas de plantio tardio e às perspectivas de redução nos custos de frete diante da queda do petróleo.

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Em Santa Catarina, as atenções também estão voltadas para o frio intenso. As previsões indicam temperaturas entre -4°C e 5°C nas regiões mais elevadas do estado. No porto de São Francisco do Sul, a soja foi indicada a R$ 130,00 por saca.

No Paraná, o indicador ESALQ/B3 para Paranaguá recuou 0,47%, encerrando em R$ 129,24 por saca, enquanto produtores acompanham os riscos climáticos sobre as lavouras semeadas mais tardiamente.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seguem com foco sanitário

Em Mato Grosso do Sul, teve início nesta semana o período do vazio sanitário da soja, que se estenderá até 15 de setembro. A medida busca eliminar plantas voluntárias e reduzir a incidência da ferrugem asiática, uma das principais doenças da cultura.

Já em Mato Grosso, principal produtor nacional da oleaginosa, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou preço médio estadual de R$ 105,81 por saca, representando valorização semanal de 0,60%.

Perspectivas para o mercado da soja

Os próximos dias deverão ser marcados por forte sensibilidade aos relatórios climáticos dos Estados Unidos, ao comportamento do petróleo e ao ritmo das exportações globais.

Analistas destacam que o mercado permanece tecnicamente indefinido, alternando movimentos de alta e baixa diante da ausência de um fator dominante. Enquanto a demanda internacional continua oferecendo suporte aos preços, as boas condições das lavouras americanas e o cenário macroeconômico mantêm a pressão sobre as cotações.

Para os produtores brasileiros, o acompanhamento do clima no Sul do país, da logística de exportação e da evolução dos preços internacionais seguirá sendo decisivo para a formação das estratégias de comercialização da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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