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Soja oscila entre cautela e expectativa pelo USDA; mercado monitora área plantada, estoques e clima nos EUA

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O mercado da soja iniciou esta terça-feira (30) em compasso de espera na Bolsa de Chicago (CBOT), após a forte desvalorização registrada na sessão anterior. Os investidores adotam uma postura cautelosa antes da divulgação dos aguardados relatórios de área plantada e estoques trimestrais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), considerados entre os mais importantes do calendário agrícola mundial.

Por volta das 7h35 (horário de Brasília), os principais contratos apresentavam leves oscilações negativas. O vencimento novembro, referência para a nova safra norte-americana, era negociado a US$ 11,37 por bushel, com recuo entre 1,50 e 1,75 ponto, refletindo o ajuste de posições antes da divulgação dos dados oficiais.

Na sessão anterior, a soja encerrou em queda expressiva em Chicago. O contrato julho perdeu 1,55%, fechando a US$ 11,0875 por bushel, enquanto o agosto recuou 1,52%, para US$ 11,1925. Também houve pressão sobre os derivados: o farelo de soja caiu 0,75%, para US$ 304,70 por tonelada curta, e o óleo de soja recuou 3,13%, encerrando a 69,07 centavos de dólar por libra-peso.

Mercado aguarda revisão da área cultivada nos Estados Unidos

As atenções estão voltadas principalmente para a atualização da área efetivamente plantada nos Estados Unidos. Em março, o USDA estimou 84,7 milhões de acres destinados à soja. Agora, analistas consultados pelo mercado projetam uma revisão para aproximadamente 85,4 milhões de acres.

Caso esse aumento seja confirmado, o mercado poderá interpretar o dado como um fator baixista para os preços, uma vez que amplia o potencial produtivo da safra norte-americana.

Outro indicador de grande relevância será o relatório de estoques trimestrais. A expectativa média aponta para estoques de aproximadamente 1,051 bilhão de bushels em 1º de junho, o maior volume para o período desde 2020. Ainda assim, especialistas destacam que o forte ritmo de processamento interno de soja nos Estados Unidos pode gerar números diferentes das projeções do mercado.

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Segundo analistas, qualquer divergência significativa entre os números divulgados pelo USDA e as estimativas dos agentes poderá provocar forte volatilidade nas negociações ao longo do dia.

Clima também segue no radar dos investidores

Além dos fundamentos de oferta e demanda, as condições climáticas continuam sendo um dos principais direcionadores das cotações.

As previsões meteorológicas indicam o avanço de um padrão mais quente e seco sobre áreas do Meio-Oeste norte-americano durante o verão, fator que começa a ser monitorado com atenção pelo mercado por seu potencial impacto sobre o desenvolvimento das lavouras.

Até o momento, porém, as condições das plantações seguem consideradas favoráveis, sem ameaças relevantes ao potencial produtivo da safra 2026/27. Na véspera, as chuvas registradas em regiões do oeste e do cinturão produtor também contribuíram para aliviar parte das preocupações com a umidade do solo.

Mercado brasileiro reduz ritmo de comercialização

No Brasil, a cautela observada em Chicago também influenciou os negócios no mercado físico. De acordo com análises do setor, produtores mantiveram postura mais conservadora nas vendas, aguardando maior definição sobre o comportamento dos preços internacionais após os números do USDA.

No Rio Grande do Sul, a cotação no porto de Rio Grande permaneceu em R$ 134,00 por saca, enquanto a média estadual foi de R$ 115,36. A colheita da safra de verão foi concluída com redução de 14,8% na produtividade em relação ao ciclo anterior, ao mesmo tempo em que a área destinada à canola alcançou recorde de 353,4 mil hectares.

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No Paraná, o porto de Paranaguá registrou leve queda de 0,21%, encerrando em R$ 133,87 por saca, apesar da expectativa de uma produção estadual recorde de 21,8 milhões de toneladas.

Em Mato Grosso do Sul, a média estadual permaneceu em R$ 115,13 por saca, com o custo de produção estimado em R$ 6.115,83 por hectare.

Já em Mato Grosso, as cotações permaneceram firmes, com Sorriso negociando a R$ 110,00 por saca. O avanço da colheita do milho safrinha, que já supera 32% da área cultivada, também segue no radar dos produtores.

Em Santa Catarina, o mercado apresentou poucas alterações, mantendo como referência o valor de R$ 132,00 por saca no porto de São Francisco do Sul.

Mercado pode ganhar direção após divulgação dos relatórios

Os relatórios de área plantada e estoques trimestrais do USDA devem definir o comportamento da soja nas próximas sessões. Além de fornecerem uma fotografia atualizada da oferta norte-americana, os dados servirão de base para as projeções de produção da safra 2026/27.

Enquanto isso, investidores permanecem atentos à evolução do clima nos Estados Unidos, ao comportamento da demanda global e ao ritmo das exportações, fatores que continuarão determinando a formação dos preços internacionais e seus reflexos sobre o mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil

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Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.

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Fonte: Pensar Agro

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