POLÍTICA NACIONAL
Como acompanhar a escolha das emendas parlamentares?
POLÍTICA NACIONAL
A cada R$ 100 reais do Orçamento federal, os parlamentares destinaram R$ 1,69 para obras e serviços públicos em 2025. Trata-se das emendas parlamentares, que permitem a senadores e deputados escolher tanto a área do gasto público (educação ou saúde, por exemplo) quanto seus destinatários.
O Congresso Nacional tem meios de assegurar que a sociedade acompanhe o processo de escolha das emendas. A partir de 2025, um acordo com o Supremo Tribunal Federal e o governo federal aprimorou a transparência e a rastreabilidade ao integrar bases de dados orçamentárias e exigir planos de trabalhos, por exemplo. Além disso, é possível identificar os autores de todas as emendas e as reuniões que as definiram com as respectivas atas e planilhas disponíveis no site da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO).
Veja como identificar as emendas parlamentares propostas durante a análise do projeto de Lei Orçamentária Anual pelos congressistas:
Passo a passo para consultar as emendas apresentadas
Até serem definitivamente aprovadas, as emendas passam por diversas etapas no processo legislativo.
1. Acessar a página do Orçamento no Congresso Nacional e selecionar o ano desejado
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2.1. Para buscas a partir de 2025
Na seção “Informações por etapa da tramitação”, selecionar “Apresentação de emendas”
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Será aberta uma outra página. Selecionar “Pesquisa de emendas”
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2.2. Para buscas antes de 2025
Na nova página aberta, selecionar a aba “Emendas”
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Selecionar o ano desejado e, na seção “Etapa”, selecionar “Emendas apresentadas”
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Depois, é preciso selecionar o autor desejado, seja parlamentar, bancada estadual ou comissão permanente
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As emendas coletivas passam por diferentes processos de escolha interna antes de serem apresentadas:
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As comissões permanentes recebem centenas de sugestões de emendas dos parlamentares membros. Depois, votam para apresentar até oito emendas ao projeto orçamentário.
Para ver as emendas sugeridas e escolhidas:
1. Acessar o site das comissões do Senado
2. Escolher a comissão que deseja consultar
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3. Na página da comissão, pesquisar por termos relacionados a orçamento na seção “Buscar nas reuniões”
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4. A pesquisa devolverá a lista de reuniões da comissão em que se debateram as emendas. Na página da reunião selecionada, é possível ver, em “Anexos”, todas as emendas sugeridas e as emendas acatadas pelo relator. O relatório aprovado corresponde às emendas da comissão a serem apresentadas
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As bancadas estaduais escolhem, no máximo, 11 emendas durante reuniões fechadas. Dessas, pelo menos três devem se destinar a concluir obras no seu estado. Para apresentar as emendas, devem comprovar que a decisão foi registrada em ata durante a reunião.
Para ver as atas, a partir de 2025:
1. Acessar a página do Orçamento no Congresso Nacional e selecionar o ano desejado
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2. Na seção “Emendas Parlamentares”, selecionar a opção “Transparência das emendas coletivas”
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3. Nas páginas seguintes, selecionar a opção “Bancadas Estaduais”
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Após apresentadas, as emendas ainda precisam da concordância de um comitê de parlamentares que verifica se as regras foram cumpridas. Além disso, o Congresso Nacional deve aprovar o projeto do Orçamento. Após a sanção da lei, as emendas podem ser executadas.
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Com a lei orçamentária sancionada, é possível ver o valor atualizado que os parlamentares podem destinar a obras e serviços públicos.
1. Acessar a plataforma Siga Brasil, do Senado Federal
2.Na seção “Fiscalização”, selecionar a opção “Painel Emendas”
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3. Na nova página aberta, na caixa “Métrica”, selecionar a opção “Planejado (autorizado)”
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4. Ao clicar na caixa “Emenda (ano)”, também selecionar o ano desejado
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5. Na caixa “Emendas por autor” é possível pesquisar o parlamentar, bancada ou comissão desejados, ao se clicar no ícone de lupa
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6. Ainda na caixa “Emendas por autor”, a coluna “Autorizado” corresponde ao valor que cada emenda pode destinar a determinada ação e beneficiário. Já na coluna “UO Ajustada” é possível constatar o objeto do gasto
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Para entender melhor o que são as emendas parlamentares, clique aqui.
Para consultar informações sobre beneficiários, valores pagos e ações concretas custeadas pelas emendas, clique aqui.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Mulheres pedem aprovação imediata do projeto que torna a misoginia crime
Participantes de debate sobre o projeto de criminalização da misoginia (PL 896/23) pediram que a proposta seja votada no Plenário da Câmara dos Deputados antes das eleições. De acordo com as ativistas, a medida é fundamental para enfrentar a violência de gênero, que tem origem na cultura de ódio às mulheres.
A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra, ressaltou que o Brasil é o quinto país que mais executa mulheres no mundo. Para ela, o que está em jogo com a aprovação ou não do projeto não é só a vida das mulheres, mas o modelo civilizatório do país.
“Por um lado, nós temos uma fila de mulheres a serem vitimadas por feminicídio. Por outro lado, a gente tem uma fila ainda maior de feminicidas sendo construídos, essa prática de meninos construindo listas de meninas estupráveis está acontecendo neste momento. Então é preciso dar um basta, que é aprovar o projeto de lei que criminaliza a misoginia no nosso país”, afirmou.
Estela Bezerra disse que a aprovação do projeto vai passar para a sociedade a mensagem de que não será admitida “uma mentalidade onde um corpo de uma mulher seja desrespeitado de tal forma que ela possa ser executada”.
Já aprovado no Senado, o projeto de lei equipara a misoginia ao racismo, que é um crime inafiançável e imprescritível. A misoginia é definida como a prática, indução ou incitação à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição de mulher. A pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão e multa.
A coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, Marlise Matos, lembrou que é dever constitucional do Estado proteger todas as pessoas contra qualquer forma de violação. No entanto, ela destaca que, na prática, a violência contra a mulher impede ou anula o exercício de todos os direitos humanos.
“A gente precisa efetivamente avançar, porque o ódio e a discriminação funcionam como combustível para formas privadas e públicas de violência de gênero contra as mulheres, e essa aversão estrutural impede que elas ocupem mais espaço de poder”, disse Marlise Matos. “Os discursos de ódio são as primeiras expressões das formas de violência, nunca começa com a facada, com o tiro, muito raramente.”

Legislação recente
A presidente da Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, deputada Luizianne Lins (Rede-CE), ressaltou que a legislação voltada a proteger as mulheres é muito recente no Brasil. Ela lembrou que a Convenção de Belém, que foi o primeiro diploma legal do país a reconhecer a violência contra a mulher, é de 1994, e a Lei Maria da Penha tem apenas 20 anos, entrou em vigor em 2006.
A parlamentar ainda pediu mobilização das mulheres pela aprovação do projeto que criminaliza a misoginia, mas também depois, para que a lei seja cumprida.
“É tudo muito recente, só que nós não podemos esperar 12 anos de uma lei para outra, nem muito menos esperar que as leis por si só, só porque são leis, vão ser cumpridas. O movimento de mulheres tem que estar sintonizado o tempo inteiro com essas conquistas, porque, se não tiver mulherada na rua mobilizada, as próprias leis aprovadas por esta Casa são invisibilizadas”, disse a deputada.
Na semana passada, os deputados aprovaram urgência para que a proposta que criminaliza a misoginia seja votada diretamente no Plenário. A expectativa é de votação antes do recesso parlamentar de julho, mas ainda não há acordo entre os partidos sobre o texto final a ser aprovado.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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