POLÍTICA NACIONAL
Mato Grosso pode contribuir com a COP 30, dizem debatedores
POLÍTICA NACIONAL
O estado de Mato Grosso busca se tornar exemplo internacional de desenvolvimento sustentável mesmo com perspectiva de redução de água do Pantanal. Foi o que debatedores demonstraram em audiência pública conjunta realizada nesta segunda-feira (20) entre a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado e a comissão correlata da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou que as discussões serão apresentadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém. Os representantes do estado farão aos países propostas para o uso do solo, para o financiamento climático e para infraestrutura de baixo impacto de carbono, todos baseados na experiência de Mato Grosso, explicou.
Para Wellington, o conhecimento adquirido por quem atua nas áreas a serem preservadas pode ter maior peso nas políticas públicas. Ele apontou que o Estatuto do Pantanal — apresentado por ele e sancionado em 30 de setembro — cria regras apropriadas para a produção agropecuária responsável.
— É fundamental conhecer a vivência do homem pantaneiro na sua tradição, que sabe o momento [adequado de fazer o manejo de fogo] muito mais do que, às vezes, quem está lá em Brasília e que nunca pisou o pé aqui dentro do Pantanal — disse o senador, que presidiu o debate.
O senador José Lacerda (PSD-MT) também participou da reunião.
Incêndios
Comandante do Corpo de Bombeiros do estado, o coronel Flávio Vieira Bezerra afirmou que os incêndios florestais são um perigo crescente para a vegetação de Mato Grosso. Em 2024, a região sofreu queimadas históricas. Em 2025, os bombeiros bateram recorde na redução de incêndios. Segundo ele, o mérito foi da atuação integrada das entidades e produtores rurais em Mato Grosso, já que houve pouca chuva.
— A gente bateu o recorde na série histórica de 27 anos em redução no número de incêndios, justamente nos três meses onde há o maior período de registros de incêndios florestais. Aquela área que tem o produtor rural cuidando dela tem menos fogo. O maior parceiro do Corpo de Bombeiros é o pantaneiro.
Pantaneiros
Capacitar os produtores no Pantanal promove o crescimento sustentável, argumentou o representante da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos Carvalho. Ele considerou que o programa Fazenda Pantaneira Sustentável, que instrui produtores rurais para preservar o ambiente e aumentar a eficiência da criação de gado, um modelo a ser adotado no mundo.
— Durante o projeto-piloto, de 2019 a 2023, conseguimos reduzir de 34 para 28 meses a idade do primeiro parto das fêmeas [de gado]. Conseguimos elevar a taxa de prenhez de 41% para 70,92%. Hoje temos 72 propriedades e 112 mil cabeças de gado dentro do projeto.
O programa é coordenado pela Famato e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e será apresentado na COP 30. A iniciativa disponibiliza um programa de computador que avalia o quão sustentável é determinada propriedade rural e o potencial máximo que pode atingir.
Pantanal em risco
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, Leandro Denis Battirola, afirmou que dados apurados desde 1985 revelam que o bioma perdeu boa parte de sua água. A projeção para 2050 é de menos chuva, o que deve prejudicar a atividade econômica, inclusive o ecoturismo.
— Alguns pontos [de perda de água] são irreversíveis. O Pantanal sem água deixa de ser Pantanal. A situação do lençol freático também não é tão abundante quanto se pensa. Não é muito promissor quando pensamos em recursos hídricos, na produtividade.
O instituto é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O Pantanal corresponde a cerca de 7% do estado. Battirola ainda afirmou que cerca de metade de Mato Grosso é de Floresta Amazônica, e outra parte é Cerrado.
Financiamento
A preservação de biomas precisa da contribuição de países ricos, na avaliação do promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso Marcelo Caetano Vacchiano. O financiamento internacional é tema recorrente nas conferências de clima, mas enfrenta dificuldades de implementação.
— Você tem um apartamento com 10 quartos. Você poderia usar dois e manter os outros oito fechados. Alguém tem que pagar essa conta, e a conta tem que ser paga por quem é beneficiário dos serviços ambientais que essa floresta presta, que é o mundo inteiro — disse Vacchiano.
O diretor-executivo do Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI), Richard Smith, afirmou que a conferência deste ano é chamada de “COP da implementação” em razão da expectativa de ações concretas, inclusive de financiamento.
Smith apontou que o estado de Mato Grosso busca a neutralidade de carbono até 2035, uma meta que considerou ambiciosa. O termo se refere à compensação total das emissões poluentes da atividade humana por meio de ações que contornam o impacto no clima, com a preservação ambiental.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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