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Monitoramento ajuda a resolver questões comerciais internacionais, dizem debatedores

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O monitoramento dos biomas, além de nortear políticas ambientais, pode ajudar a resolver questões comerciais internacionais. A afirmação é dos especialistas ouvidos nesta quarta-feira (6) em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT). O tema do debate foi o monitoramento do desmatamento de biomas.

A audiência foi feita a pedido do senador Flávio Arns (PSB-PR), presidente da comissão. Para ele, é preciso analisar os programas de monitoramento e apontar as movimentações necessárias para a preservação dos biomas brasileiros.

— Gostaríamos que, a partir desta audiência pública, houvesse desdobramentos para a legislação, se for necessário que seja aprimorada, e também em termos de orçamento, para que especialistas, pesquisadores, interessados possam ter a sustentação financeira, econômica, orçamentária — disse o senador ao abrir o debate.

O Programa de Monitoramento BiomasBR, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi apresentado pelo seu coordenador, Claudio Almeida. O programa, de acordo com ele, tem 37 anos de monitoramento constante. O trabalho, iniciado na Amazônia, hoje cobre todos os biomas brasileiros e é feito por diferentes sistemas — que monitoram o desmatamento anual, emitem alertas diários de supressão de vegetação nativa e monitoram a cobertura e o uso da terra.

Ele explicou que no início, na década de 1980, o monitoramento tinha finalidade acadêmica. Hoje, o alcance é muito maior. Além de serem usados como a principal referência para produção de ciência sobre a Floresta Amazônica, por exemplo, os dados ajudam a definir as políticas de sustentabilidade.

— Eles definem, hoje, política pública no Brasil. Como eu já disse, cálculo de emissões, submissão de REDD (mecanismos de redução de emissões de gases do efeito estufa provenientes do desmatamento e degradação florestal), controle do desmatamento, a fiscalização, tudo é baseado nesses dados que a gente produz — disse Claudio Almeida.

Na mesma linha, o pesquisador Gilberto Câmara, colaborador do Inpe, citou o recebimento de recursos estrangeiros para o Fundo Amazônia por conta dos resultados mostrados nesses monitoramentos. Outro campo de aplicação desses dados citados pelo pesquisador é a contestação de sanções econômicas que mencionem o desmatamento como razão, a exemplo do “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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— Vamos supor que a gente exporte soja para a Alemanha. O governo alemão pode, com base na informação que ele achar, contestar a origem dessa soja, e caberá ao produtor brasileiro ter dados confiáveis para mostrar que essa contestação não tem base. E quem vai fornecer esses dados, caso o governo alemão decida embargar o seu carregamento de soja? O Inpe, cujos dados são públicos — explicou Gilberto.

Transparência

Para o pesquisador, o Brasil é, hoje, líder mundial não só na aplicação, mas também na verificabilidade, na transparência dos dados e na accountability. Ele citou o Decreto 8.777, de 2016, editado no governo da então presidente Dilma Roussef, que instituiu a Política de Dados Abertos do Poder Executivo Federal.

— Os chamados dados georreferenciados produzidos por todos os elementos do aparelho de Estado — e com isso me refiro não apenas ao Inpe, me refiro ao Ibama, me refiro ao IBGE, me refiro ao Ministério da Saúde, todos esses dados que dizem onde há doenças, onde há desmatamento, onde estão as pessoas, o censo — são, por decreto presidencial, livres. Isso é uma política de abertura que tem poucos paralelos no mundo inteiro; um país que diz: “Eu não tenho nada a esconder, eu vou fazer melhor política pública com dados livres” — ressaltou Gilberto.

O secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), André Rodolfo Lima, concorda com essa avaliação. Para ele, os trabalhos desenvolvidos pelo Inpe poderiam, inclusive, servir de exemplo para outros países, como os Estados Unidos.

— Está tudo à disposição para ver que o trabalho é sério, é bom, é competente e precisa de mais recursos, obviamente. Nisso, ele [o presidente Donald Trump] poderia auxiliar também, fazer uma generosa doação para esse trabalho. Com isso, o Brasil poderia auxiliar os Estados Unidos ainda mais, caso eles quisessem isso, não é?

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Desmatamento

De acordo com o secretário, em 2003, durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi instituído o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, na Amazônia, que depois se expandiu para todos os biomas.

Ele apontou que, na primeira fase do plano, entre 2004 e 2008, houve queda de 53,5% no desmatamento na Amazônia. Depois, entre 2008 e 2012, foi registrada uma nova queda de 64%. Na terceira fase do plano, entre 2012 e 2015, o desmatamento se estabilizou. A partir de 2016, o plano perdeu prioridade e o desmatamento voltou a crescer até 2022. Em 2023, o plano foi retomado e, segundo o secretário, as ações de fiscalização foram intensificadas.

— E eu destaco, aqui, não só o aumento significativo de 96% nas fiscalizações pelo Ibama e de 110% pelo ICMBio, se comparado com 2022 e com a média da gestão anterior, mas também um instrumento estratégico que envolve muita tecnologia e todo esse serviço prestado pelo Inpe, que são os embargos remotos de uso do solo — afirmou o secretário.

Os embargos são medidas cautelares para suspender atividades ilegais em áreas desmatadas. André Lima explicou que, quando os sistemas do Inpe detectam o desmatamento, o Ibama recebe essa informação e usa ferramentas para definir com precisão as áreas em questão e tomar esse tipo de medida, sem a necessidade da presença física de fiscais no campo. Ele ressaltou que a aplicação dessas tecnologias diminui o custo e aumenta o alcance das fiscalizações.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Medidas provisórias sobre transporte, diesel, chuvas e aviação são prorrogadas

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Foram publicados no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17) os atos que prorrogam a vigência de quatro medidas provisórias (MPs).

As MPs tratam de créditos extraordinários para a compra de veículos novos sustentáveis para o transporte de passageiros, o atendimento de famílias prejudicadas pelas chuvas no Nordeste e o financiamento de companhias aéreas, além de subsídios para produtores e importadores de óleo diesel.

Com a prorrogação, o Congresso Nacional terá mais 60 dias para analisar essas medidas provisórias.

Transporte de passageiros

A MP 1.362/2026 abriu um crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para financiar a compra de veículos novos sustentáveis por taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas.

Editada pela Presidência da República em maio, a medida permite o financiamento de veículos elétricos, híbridos a etanol ou flex no valor de até R$ 150 mil — e desde que sejam fabricados por montadoras habilitadas no Programa Mover.

Podem participar do programa motoristas de aplicativo (desde que possuam cadastro ativo há pelo menos 12 meses e que tenham realizado pelo menos 100 corridas nesse período pela mesma plataforma) e taxistas regularmente registrados.

Chuvas no Nordeste

Com o objetivo de atender famílias afetadas pelas fortes chuvas e enchentes registradas em maio nos estados de Pernambuco e Paraíba, a MP 1.364/2026 abriu um crédito extraordinário de R$ 49,2 milhões para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

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Desse total, R$ 40 milhões devem ser destinados à aquisição e à distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares, enquanto R$ 9,2 milhões devem financiar ações de inclusão produtiva rural para recuperar a capacidade produtiva das famílias atingidas.

Segundo o governo, aproximadamente 10 mil famílias foram prejudicadas pelas chuvas em 49 municípios dos dois estados. A medida foi editada pela Presidência da República em junho.

Setor aéreo

A MP 1.365/2026 abriu um crédito extraordinário de R$ 1 bilhão para financiar o capital de giro de companhias aéreas que prestam serviços regulares no país. Esses recursos são oferecidos por meio de operações oficiais de crédito, sob supervisão do Ministério da Fazenda.

Ao justificar a iniciativa, a Presidência da República ressaltou que o setor da aviação civil nacional foi prejudicado pela alta dos preços internacionais do petróleo, causada pelas “tensões geopolíticas no Oriente Médio, com destaque para os riscos à estabilidade da região do Estreito de Ormuz”.

Essa medida foi editada em junho.

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Subsídio ao óleo diesel

MP 1.363/2026 também tem o objetivo de amenizar os efeitos da alta dos preços resultantes das tensões no Oriente Médio, mas neste caso os beneficiados são os produtores e importadores de óleo diesel.

Editada pela Presidência da República em maio, essa medida provisória criou um subsídio de R$ 1,12 por litro comercializado.

O governo estabeleceu que, para receber o subsídio, as empresas devem repassar o desconto ao consumidor, registrá-lo nas notas fiscais e prestar as devidas informações à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Medidas provisórias

Editadas pela Presidência da República, as medidas provisórias têm força de lei e começam a vigorar assim que são editadas. Mas, para se tornarem definitivas (ou seja, para serem transformadas em lei), elas precisam ser aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Essa aprovação tem prazo para ocorrer: as MPs valem por 60 dias e podem ser prorrogadas por mais 60 dias. Se não forem aprovadas nesse período, elas perdem a validade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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