AGRONEGÓCIO
Chuvas Irregulares Marcam Julho no Brasil e La Niña Ganha Força para o Fim de 2025
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Julho foi marcado por um padrão climático irregular no Brasil, segundo o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA. No Sul, as chuvas mais frequentes mantiveram a umidade do solo, beneficiando culturas de inverno. No entanto, o excesso de precipitação atrasou a semeadura do trigo em algumas áreas e a colheita do feijão de segunda safra.
Nas demais regiões do país, o clima seco predominou, acelerando a maturação e colheita do milho de segunda safra, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste. Ainda assim, a restrição hídrica afetou o trigo no sudoeste de Mato Grosso do Sul e no centro de São Paulo. No Rio Grande do Sul, as geadas não impactaram o trigo, ainda em fase inicial, mas no Paraná, lavouras mais avançadas podem ter sofrido danos no oeste e norte.
A colheita do algodão também foi afetada por frio e chuvas, com preocupações sobre a qualidade da pluma em regiões como Maranhão e Bahia, devido à umidade excessiva no ponteiro.
Clima nos EUA impulsiona expectativa de safra recorde
Nos Estados Unidos, o clima foi amplamente favorável em julho. O milho apresentou excelente desenvolvimento e projeções indicam a maior safra da história americana. Apesar da menor frequência de chuvas, a maior luminosidade favoreceu a polinização e a produtividade.
A soja manteve bom ritmo de crescimento, com expectativa de produtividade acima da média. Já o algodão, mesmo com chuvas intensas no início do mês, continua com perspectiva otimista para a colheita.
Perspectivas para agosto indicam frio no Sul e possibilidade de geadas
Para agosto, a previsão aponta temperaturas baixas e chuvas mais concentradas no Sul. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) elevou a probabilidade de ocorrência de La Niña a partir de outubro.
Modelos climáticos divergem: o americano projeta maior ocorrência de chuvas no Sul, enquanto o europeu não indica essa tendência para setembro. Nos próximos dias, uma frente fria poderá provocar geadas no Sul, em São Paulo e até no Sul de Minas Gerais, limitando as chuvas na segunda semana do mês, com retorno previsto apenas para o final de agosto.
ENSO deve permanecer neutro até setembro, com menor risco de extremos
Em meados de julho, o Oceano Pacífico equatorial permaneceu em condição de ENSO-neutro, com 75% de chance de manter essa situação até setembro. Para o trimestre outubro-dezembro, a probabilidade de neutralidade cai para 49%, embora ainda supere as chances de La Niña ou El Niño.
O cenário para o ciclo 2025/2026 indica menor risco de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas no Sul ou excesso de chuvas no Norte e Nordeste. Ainda assim, especialistas recomendam atenção aos próximos boletins, devido aos prejuízos recentes causados pela irregularidade das chuvas no Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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