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O papel do Órgão Colegiado de Acompanhamento e Deliberação na política da infância e juventude no estado do Acre

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Por Mailza Assis, Sandra Maria Amorim da Rocha e Ivanete Rodrigues*

Resumo

Este artigo analisa o papel do Órgão Colegiado de Acompanhamento e Deliberação (Ocad) na formulação, implementação e monitoramento da política pública voltada para a infância e juventude no estado do Acre. A partir de revisão bibliográfica e análise documental, discute-se a importância do Ocad como instância de governança, controle social e articulação interinstitucional no contexto da garantia dos direitos das crianças e adolescentes, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema de Garantia de Direitos (SGD).
A política pública direcionada à infância e juventude no Brasil possui um marco regulatório consolidado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Sistema de Garantia de Direitos (SGD). Para que essas políticas sejam efetivas, é fundamental a existência de mecanismos de governança e controle social, entre os quais destaca-se o Órgão Colegiado de Acompanhamento e Deliberação (Ocad). No estado do Acre, o Ocad assume papel central na articulação das ações e na alocação de recursos para garantir a promoção, proteção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

Fundamentação Teórica

O Ocad é uma instância colegiada prevista para assegurar a participação social e interinstitucional na gestão das políticas públicas, promovendo a transparência, a fiscalização e a definição conjunta de prioridades. Segundo autores como Souza (2018) e Lima (2020), a efetividade das políticas para infância e juventude depende da capacidade desses órgãos de integrar atores diversos, desde o poder público até a sociedade civil organizada.

Metodologia

Este estudo baseou-se em análise documental de normativas estaduais relacionadas ao Ocad, além de revisão de literatura acadêmica e relatórios de órgãos governamentais do Acre. Adotou-se abordagem qualitativa para interpretar o papel do Ocad dentro do contexto local, considerando especificidades regionais.

 Resultados e Discussão

O Ocad reúne representantes do governo e da sociedade civil, permitindo decisões compartilhadas sobre recursos, programas e prioridades. Garante que as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Sistema de Garantia de Direitos (SGD) sejam observadas. Dá transparência ao uso de recursos públicos, especialmente quando envolvem fundos estaduais. Define, de forma colegiada, planos, metas e indicadores para a política da infância e juventude no Acre. Permite que as ações tenham caráter integrado (saúde, educação, assistência social, cultura, esporte), evitando duplicidades e lacunas. Alinha as políticas estaduais e municipais com o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária e Acompanha a execução das ações e programas, avaliando impactos sobre a vida de crianças e adolescentes.

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A lei que cria o Orçamento da Criança e do Adolescente (Ocad) no Acre é a Lei nº 3.762, de 19 de julho de 2021. Esta lei autoriza o Poder Executivo a incluir a apuração do Ocad como um anexo ao orçamento do estado, detalhando ações voltadas para crianças e adolescentes em áreas como educação, saúde e assistência social. Além disso, o Decreto nº 8.232, de 4 de março de 2021, instituiu o Comitê de Apuração do OCAD no âmbito do estado do Acre, com o objetivo de acompanhar a execução dos recursos e a formulação de propostas para políticas públicas destinadas a crianças e adolescentes.

Esse orçamento monitora indicadores como: redução da evasão escolar, diminuição de casos de violência, ampliação de atendimento socioassistencial e acesso à cultura e lazer. Outro ponto primordial é que garante que os recursos sejam aplicados com foco em resultados concretos. Inclui representantes da juventude e de organizações de defesa dos direitos da criança. Além de dar voz à experiência local, para que as políticas reflitam a realidade de diferentes municípios do Acre. No que se refere ao protagonismo juvenil estimula a cidadania ativa desde cedo, formando jovens mais conscientes e engajados. A partir da análise, constatou-se que o Ocad no Acre funciona como espaço de articulação entre diferentes secretarias estaduais (Saúde, Educação, Assistência Social), órgãos de fiscalização (Ministério Público, Conselho Tutelar) e sociedade civil, garantindo a coordenação de ações integradas. Destaca-se sua função no monitoramento do uso de recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, promovendo transparência e controle social.

Entretanto, desafios relacionados à periodicidade das reuniões, representação ampliada e capacitação dos membros ainda impactam a sua efetividade. Investimentos em formação e fortalecimento institucional são apontados como necessários para potencializar o impacto do Ocad.

Comitê de Apuração

O Comitê de Apuração do Ocad, instituído por meio do Decreto nº 8.232/2021, é responsável por acompanhar a execução dos recursos e elaborar propostas relacionadas ao Ocad.

Composição do Comitê

O Comitê é composto por diversos órgãos estaduais, como as Secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Eixos de Ações

As ações do Ocad são divididas em eixos como Educação, Saúde e Assistência Social.

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Base Legal

A lei do Ocad está fundamentada na Constituição Federal (art. 227) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal nº 8.069/1990), conforme informações do Ministério Público do Estado do Acre.

Em resumo, a Lei do Ocad no Acre é uma ferramenta importante para garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficaz e transparente na promoção dos direitos e desenvolvimento das crianças e adolescentes do estado.

Considerações Finais

No Acre, onde desafios como distâncias geográficas, desigualdade social e vulnerabilidade de comunidades ribeirinhas e indígenas demandam políticas bem coordenadas, o Ocad é essencial para que a Política da Infância e Juventude seja planejada de forma estratégica, participativa e baseada em evidências. Ele assegura que os recursos sejam usados de forma eficiente, que as ações estejam alinhadas aos direitos garantidos no ECA e que a sociedade tenha papel ativo no processo decisório.

O Ocad é elemento essencial para o fortalecimento da política da infância e juventude no Acre, atuando como mecanismo democrático de gestão e controle social. Sua consolidação contribui para a implementação de políticas públicas mais eficazes, garantindo a participação plural e o respeito aos direitos previstos no ECA. Futuras pesquisas podem aprofundar a avaliação do impacto das deliberações do Ocad sobre indicadores sociais regionais.

Referências

Brasil. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069, 1990.

Lima, A. F. (2020). Governança em políticas públicas para crianças e adolescentes: desafios e perspectivas. Revista de Políticas Sociais, 15(2), 45-62.

Souza, M. R. (2018). Participação social e controle democrático: o papel dos conselhos e colegiados. Cadernos de Gestão Pública, 12(1), 101-118.

Governo do Estado do Acre. Relatório anual do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, 2023.

Mailza Assis é vice-governadora do Acre, secretária Estadual de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e presidente do Orçamento da Criança e do Adolescente – Ocad.

Sandra Amorim é assistente social do Instituto Federal de Educação do Acre e Instituto Socioeducativo do Acre, doutoranda em Educação.

Ivanete Rodrigues é assistente social da Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, especialista em Políticas Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás e especialista em Instrumentalidade do Serviço Social pela Faculdade Única de Minas Gerais.

Fonte: Governo AC

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Expoacre Juruá transforma tecnologia e cultura em lazer inclusivo para famílias

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A Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, tem se destacado não apenas como vitrine agropecuária, mas também como espaço de inovação e lazer para toda a família. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict) reuniu estandes voltados para crianças e jovens, com tecnologia, produtos em impressão 3D e atividades interativas que têm atraído grande público.

Espaço abrange jovens e crianças e é marcado por inclusão. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

O espaço kids é um dos pontos mais movimentados da feira, reunindo brincadeiras que vão de pintura corporal a experiências com óculos de realidade virtual. Para os pais, é uma oportunidade de lazer e entretenimento enquanto visitam a segunda maior feira agropecuária do estado.

Kethyla Shawãdawa, monitora do espaço, explica que as atividades são voltadas para o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além de incluir tecnologia.

“Tem sido um espaço muito especial. As crianças participam de oficinas de escultura com balões, de miçangas e de materiais recicláveis, onde podem criar brinquedos. Também oferecemos brincadeiras voltadas para o desenvolvimento cognitivo e da coordenação motora, além de pintura facial. A grande novidade é a experiência com óculos de realidade virtual, que permite aos pais acompanhar o que seus filhos estão vivenciando”, disse.

Segundo ela, o espaço tem recebido grande movimento todas as noites, com muitos pais participando junto aos filhos. “Foi pensado com carinho para que as crianças tenham um ambiente acolhedor e cheio de descobertas.”

Miguel aproveita óculos de realidade virtual. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Inovação e inclusão

A dentista Jamile Feijó, mãe de Miguel Machado, de 7 anos, aprovou a iniciativa. “Estamos parando em todos os estandes para que ele possa conhecer e se divertir. Este espaço está muito interativo, ele está amando e está sendo incrível. Ainda vamos ver outros estandes”, contou.

Já Lacione Maia destacou o caráter inovador. “As brincadeiras, a forma como estão expostas e os instrutores são perfeitos, têm muito jeito com criança.”

Outro ponto de destaque é a preocupação com a inclusão. Darcinete Oliveira ressaltou que este ano há mais opções voltadas para crianças atípicas.

“Nos outros anos não víamos tantas atividades direcionadas a essa necessidade. Agora encontramos jogos e materiais inclusivos que estimulam a participação delas. Isso mostra uma preocupação maior com a diversidade e torna o evento ainda mais especial.”

Impressão 3D é um dos atrativos do estande voltado para tecnologia e inovação. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Impressão 3D e cultura local

Os estandes de tecnologia também chamam atenção. Laurênio de Souza ficou impressionado com os personagens criados em impressão 3D.

“É como uma escultura, lembra trabalhos antigos, mas hoje está mais acessível e até possível de encomendar. É um avanço para nossas cidades, porque antes só víamos pela internet ou televisão, e agora temos a oportunidade de acompanhar ao vivo. O trabalho está muito bonito, parabéns aos organizadores.”

Rodrigo Gomes, expositor, destacou o sucesso dos chaveiros sensoriais e dos “dummys”. Além disso, sua empresa Juruá 3D tem produzido peças que valorizam a identidade local.

Empresas também apostaram em produtos que ressaltam a identidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

“Queremos explorar a cultura do Juruá e desenvolver peças personalizadas que representem a região. Já fizemos chaveiros com a Catedral, árvores, casas de farinha e até saquinhos de farinha e açaí. São elementos culturais que fortalecem nossa tradição e permitem que o visitante leve um presente único e representativo da cidade.”

Tiago Lucena, coordenador do Laboratório de Biologia Animal e fundador da startup Jabotec 3D, reforçou o caráter inovador.

“Este ano trouxemos a Jabotec 3D, especializada em produtos personalizados em impressão 3D. Transformamos elementos da cultura pop em objetos colecionáveis e também aplicamos a tecnologia em materiais didáticos, que tornam as salas de aula mais interativas. Já validamos resultados com aumento de até 60% nas notas dos alunos.”

Analice foi visitar a feira apenas para adquirir seus personagens preferidos. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Encanto para jovens

Analice do Nascimento, de 11 anos, ficou encantada com os espaços voltados para colecionadores.

“Estou começando a me apaixonar por essas figuras e vim preparada para adquirir algumas peças. Ontem comprei uma Hello Kitty e hoje levei um Pikachu. São produtos que remetem à infância e despertam muito interesse.”

Ela destacou que o evento é uma oportunidade para conhecer novidades e investir em itens que antes só acompanhava à distância. “É um espaço que atrai jovens e adultos, e que valoriza esse universo cultural de forma acessível.”

Fonte: Governo AC

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