POLÍTICA NACIONAL
Senado homenageia pessoas com deficiência intelectual e múltipla
POLÍTICA NACIONAL
O Senado realizou nesta quinta-feira (21) sessão especial destinada a celebrar a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que vai de 21 a 28 de agosto. O tema deste ano é “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”. A sessão foi realizada por solicitação do senador Flávio Arns (PSB-PR).
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla vinha sendo realizada anualmente desde 1964, sob outra denominação, até ser oficializada pela Lei 13.585, de 2017. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para a causa, falar sobre os desafios, conscientizar sobre direitos, destacar potencialidades e ouvir as pessoas com deficiência e suas famílias, conforme explicou Arns na abertura da sessão.
Nesse ano, o momento de celebração é também de luta e de defesa das escolas especializadas, como as mantidas pelas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), Associações Pestalozzi e entidades congêneres, em função dos debates em torno da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.796, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação questiona leis do Paraná que tratam da educação especial, especialmente aquelas relacionadas às escolas mantidas por Apaes e entidades similares.
— Essas escolas são importantes e necessárias, pois fazem parte de um sistema educacional inclusivo que não deixa ninguém para trás. Sabemos que há uma ampla diversidade de pessoas e de necessidades na área da deficiência. Nessa diversidade, as especificidades de cada pessoa precisam ser consideradas, todos precisam ser atendidos, seja na escola comum, especializada ou em outras alternativas criadas pelos sistemas educacionais — defendeu Arns.
Autodefensores
Eleito autodefensor para representar a Associação Pestalozzi de Brasília, Luciano Rocha Araújo destacou a importância da Lei Brasileira de Inclusão, que completou dez anos em 2025.
A autodefensora Isabela Carolina Carvalho Rocha, por sua vez, manifestou o sonho de se tornar intérprete de Libras para ajudar a comunidade surda. Ela propôs a construção de escadas, banheiros e elevadores para cadeirantes.
Autodefensor nacional da Apae Brasil, Gustavo Silva disse que é preciso aumentar a inclusão das pessoas com deficiência (PcD), tendo em vista que o capacitismo e o preconceito afetam ainda diversas PcD.
Famílias
Mãe de aluno com deficiência e diretora voluntária da Apae, Maria do Perpétuo Socorro Rosa defendeu a manutenção e a criação de escolas especializadas em todos estados e municípios do país. Ela ressaltou que “uma inclusão efetivamente total e universal não pode prescindir das escolas especializadas, essenciais para modelos de inclusão que almejam atingir a todos”.
Pai de aluna com deficiência, Cláudio Luís Gonçalves Garcia saudou os avanços alcançados na promoção de direitos e garantias de vida digna a pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Entretanto, afirmou que ainda há um longo caminho a ser percorrido e que são necessários outros avanços para garantir a plena inclusão e o exercício de direitos de todas as pessoas.
Políticas públicas
Presente à sessão, o senador Izalci Lucas (PL-DF) defendeu a criação de políticas públicas de Estado para que o cidadão, em todas as fases da vida, possa ter condições de manter uma vida mais saudável.
Vice-presidente da Apae-DF e integrante do Conselho de Educação do Distrito Federal, a professora Erenice Carvalho disse que a expressão “inclusão escolar” é muito celebrada no Brasil, mas oculta coisas importantes, como a necessidade de compreensão e ampliação do conceito, que não se limita à matrícula de alunos [com deficiência] em escolas comuns.
Representante do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação, Eduardo Vieira disse que a legislação atual ampara as pessoas com deficiência. Ele defendeu a construção de um sistema educacional inclusivo. Porém, considerou que a ADI 7.796 é um equívoco em relação às possibilidades de construção [desse] sistema educacional.
Respeito aos direitos
Diretor-presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab) e pai de dois jovens autistas, o advogado Edilson Barbosa ressaltou que as pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) precisam ter seus direitos respeitados. “Os diagnósticos precoces não estão sendo colocados em prática, assim como as terapias. A maior dificuldade não é no SUS, mas sobretudo nos planos de saúde, precisamos de uma politica federal para a questão”, afirmou.
Presidente da Federação Nacional das Associações Pestalozzi, Ester Alves Pacheco defendeu a conscientização da sociedade sobre o potencial das pessoas com deficiência, seus sonhos e projetos de vida.
Presidente da Apae Brasil, Jarbas Feldner informou que a entidade está presente em 26 estados brasileiros, prestando diariamente os mais diversos serviços a 1,6 milhão de pessoas nas áreas da educação, saúde e assistência social, os quais promovem a qualidade de vida das pessoas com deficiência.
O requerimento de realização da sessão especial (RQS 584/2025) foi assinado ainda pelos senadores Paulo Paim (PT-RS), Esperidião Amin (PP-SC), Romário (PL-RJ) e Carlos Viana (Podemos-MG), e pelas senadoras Mara Gabrilli (PSD-SP) e Professora Dorinha Seabra (União-TO).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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