AGRONEGÓCIO
Dólar inicia em queda antes de discurso de Jerome Powell no encontro de Jackson Hole
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O dólar abriu em baixa nesta sexta-feira (22), em um dia de expectativa pelo discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, durante o simpósio de Jackson Hole, nos Estados Unidos. Às 9h05, a moeda americana era negociada a R$ 5,470, queda de 0,14%. O Ibovespa inicia as negociações às 10h.
Na sessão anterior, o dólar teve leve alta de 0,09%, fechando em R$ 5,4776. Já o principal índice da B3 encerrou o dia em queda de 0,12%, aos 134.511 pontos.
Investidores atentos à política monetária dos EUA
O simpósio anual de Jackson Hole reúne autoridades monetárias de diversos países e é acompanhado de perto pelos mercados financeiros. A fala de Powell, prevista para as 11h (horário de Brasília), deve indicar se o Fed pretende iniciar cortes de juros já em setembro, com possibilidade de um novo ajuste até dezembro.
Indicadores recentes apontam desaceleração da economia norte-americana, mas a inflação continua elevada, o que reforça a necessidade de cautela do banco central. Caso Powell adote um tom mais duro no combate à alta de preços, as apostas em cortes de juros podem perder força.
Agenda econômica no Brasil
No mercado doméstico, o destaque do dia é a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo IBGE. O levantamento, com dados referentes a 2024, traz informações sobre condições de moradia, infraestrutura e acesso a serviços essenciais, como energia, água e saneamento.
Desempenho acumulado até agora:
- Dólar: +1,47% na semana; -2,20% no mês; -11,36% no ano.
- Ibovespa: -1,34% na semana; +1,08% no mês; +11,83% em 2024.
Crise política segue no radar dos investidores
O ambiente político brasileiro também repercute no mercado. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de intimidar autoridades envolvidas nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
De acordo com o relatório, Eduardo buscou influenciar o governo norte-americano para alcançar objetivos considerados criminosos. Conversas interceptadas indicam que ele chegou a orientar o pai a moderar declarações para não comprometer sua estratégia junto ao então presidente Donald Trump.
Mudança no comando do Conselho da Petrobras
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a nomeação de Bruno Moretti para presidir o Conselho de Administração até a próxima assembleia geral. Ele assume o posto no lugar de Pietro Mendes, que renunciou para ocupar uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Desempenho das bolsas internacionais
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram a última sessão em queda, refletindo a cautela antes do discurso de Powell:
- Dow Jones: -0,34%
- S&P 500: -0,40%
- Nasdaq: -0,34%
Na Ásia, o mercado reagiu com otimismo ao avanço do setor de inteligência artificial. O índice de Xangai subiu 1,45%, alcançando o maior nível desde 2015. Já o CSI300 avançou 2,1%, maior valorização em dez meses.
Na Europa, as bolsas tiveram desempenho misto:
- FTSE 100 (Londres): +0,23%
- DAX (Alemanha): +0,07%
- CAC 40 (França): -0,44%
- FTSE MIB (Itália): +0,35%
- Ibex 35 (Espanha): +0,08%
- PSI20 (Portugal): +0,43%
Fonte: Portal do Agronegócio, com informações do mercado financeiro
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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