AGRONEGÓCIO
Mercado de fertilizantes registra alta da ureia e baixa procura por fosfatados e potássio
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O mercado brasileiro de fertilizantes apresentou movimentações distintas nesta semana, com destaque para a valorização da ureia. Segundo análise da StoneX, a oferta global do insumo permanece apertada, o que pressiona os preços em diversos países, incluindo o Brasil. Esse cenário reforça a importância da ureia na composição da matriz de fertilização do país e mantém o produto em alta frente à demanda agrícola.
Fosfatados enfrentam baixa liquidez e ritmo lento de negociações
No segmento de fertilizantes fosfatados, como o MAP (fosfato monoamônico), as negociações seguem lentas. As relações de troca entre commodities agrícolas e o MAP atingiram um dos piores níveis dos últimos anos, desestimulando a demanda interna. Apesar disso, os preços CFR do MAP permaneceram estáveis, refletindo um mercado mais retraído e com baixa liquidez.
Cloreto de potássio apresenta leve queda de preços
O Cloreto de potássio registrou uma pequena redução nas cotações CFR, impulsionada pela menor procura do mercado brasileiro. Segundo especialistas, os compradores têm adotado uma postura cautelosa, aguardando condições mais favoráveis antes de realizar aquisições em maior volume.
Cenário brasileiro segue dependente de fatores globais e locais
O mercado de fertilizantes no Brasil continua influenciado tanto por fatores internacionais, como a restrição na oferta de ureia, quanto por questões locais, como a fragilidade da demanda por fosfatados e potássicos. A tendência para os próximos meses dependerá do ritmo de compras do agronegócio e das movimentações no mercado internacional de suprimentos.
“Os preços CFR da ureia aumentaram novamente no mercado brasileiro, devido à dinâmica apertada de oferta e demanda global. Já os fosfatados enfrentam negociações lentas, com cotações estáveis do MAP, enquanto o cloreto de potássio registrou pequena queda por conta da demanda enfraquecida no Brasil”, explica a StoneX.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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