AGRONEGÓCIO
Mercado de fertilizantes registra alta da ureia e baixa procura por fosfatados e potássio
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de fertilizantes apresentou movimentações distintas nesta semana, com destaque para a valorização da ureia. Segundo análise da StoneX, a oferta global do insumo permanece apertada, o que pressiona os preços em diversos países, incluindo o Brasil. Esse cenário reforça a importância da ureia na composição da matriz de fertilização do país e mantém o produto em alta frente à demanda agrícola.
Fosfatados enfrentam baixa liquidez e ritmo lento de negociações
No segmento de fertilizantes fosfatados, como o MAP (fosfato monoamônico), as negociações seguem lentas. As relações de troca entre commodities agrícolas e o MAP atingiram um dos piores níveis dos últimos anos, desestimulando a demanda interna. Apesar disso, os preços CFR do MAP permaneceram estáveis, refletindo um mercado mais retraído e com baixa liquidez.
Cloreto de potássio apresenta leve queda de preços
O Cloreto de potássio registrou uma pequena redução nas cotações CFR, impulsionada pela menor procura do mercado brasileiro. Segundo especialistas, os compradores têm adotado uma postura cautelosa, aguardando condições mais favoráveis antes de realizar aquisições em maior volume.
Cenário brasileiro segue dependente de fatores globais e locais
O mercado de fertilizantes no Brasil continua influenciado tanto por fatores internacionais, como a restrição na oferta de ureia, quanto por questões locais, como a fragilidade da demanda por fosfatados e potássicos. A tendência para os próximos meses dependerá do ritmo de compras do agronegócio e das movimentações no mercado internacional de suprimentos.
“Os preços CFR da ureia aumentaram novamente no mercado brasileiro, devido à dinâmica apertada de oferta e demanda global. Já os fosfatados enfrentam negociações lentas, com cotações estáveis do MAP, enquanto o cloreto de potássio registrou pequena queda por conta da demanda enfraquecida no Brasil”, explica a StoneX.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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