AGRONEGÓCIO
Sulfato de amônio ganha espaço e desafia a ureia no mercado de fertilizantes brasileiro
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de fertilizantes nitrogenados passa por mudanças significativas em 2025. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado da Agrinvest Commodities, o sulfato de amônio vem conquistando cada vez mais espaço nas propriedades rurais, tornando-se uma alternativa competitiva frente à ureia.
O aumento da preferência pelo sulfato de amônio está diretamente ligado ao melhor equilíbrio entre custo de aquisição e retorno produtivo, especialmente na aplicação em milho “safrinha”, cultura estratégica para o país.
Ureia ainda presente, mas perde protagonismo
Historicamente, a ureia sempre teve posição de destaque entre as fontes de nitrogênio utilizadas pelos agricultores. No entanto, a volatilidade de preços e as oscilações do mercado internacional têm levado os produtores a buscar alternativas que ofereçam maior segurança econômica e previsibilidade no planejamento da safra.
O sulfato de amônio se mostra vantajoso nesse cenário, oferecendo condições mais favoráveis de troca e contribuindo para uma gestão financeira mais eficiente nas propriedades.
Estratégia de uso e otimização de investimentos
Outro ponto relevante é a necessidade de otimização dos investimentos em insumos, reduzindo riscos em um ambiente agrícola cada vez mais desafiador. A escolha do fertilizante deve considerar não apenas o preço, mas também a competitividade frente à cultura aplicada, garantindo maior eficiência no uso dos recursos e sustentando melhores margens de rentabilidade.
Perspectivas para os próximos anos
Segundo Souza, a tendência é que o uso do sulfato de amônio continue crescendo, redesenhando a dinâmica do mercado de nitrogenados no Brasil. A análise da relação de troca será determinante nas escolhas dos agricultores, consolidando o fertilizante como peça-chave na adubação do milho e de outras culturas estratégicas para o país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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