AGRONEGÓCIO
Bolsas chinesas fecham em alta com consumo básico e compensam perdas em tecnologia
AGRONEGÓCIO
As bolsas da China encerraram o pregão desta segunda-feira (8) com ligeira valorização, impulsionadas pelo setor de bens de consumo, que ajudou a equilibrar o recuo de ações ligadas à inteligência artificial.
Principais índices chineses se recuperam
O índice de Xangai subiu 0,38%, enquanto o CSI300 — que reúne as maiores companhias de Xangai e Shenzhen — avançou 0,16%, alcançando 4.467 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng registrou valorização de 0,85%, encerrando o dia a 25.633 pontos.
A leve recuperação segue a maior queda semanal em cinco meses registrada na semana passada, quando investidores aproveitaram para realizar lucros após o grande desfile militar na China e notícias de que autoridades estudam medidas para controlar a especulação no mercado acionário.
Setor de tecnologia sofre correção
As ações de empresas de inteligência artificial, que vinham subindo quase 50% neste ano, registraram recuo de cerca de 2% nesta segunda-feira. A fabricante de chips Cambricon Technologies caiu 5,4%.
Empresas de módulos ópticos, como Zhongji Innolight Co. e Eoptolink Technology, também sofreram perdas, recuando até 15%, mesmo com a previsão de inclusão no índice FTSE China A50 em 19 de setembro.
Consumo básico impulsiona o mercado
O setor de produtos básicos de consumo apresentou alta de 1,9%, liderando os ganhos do mercado doméstico e ajudando as bolsas chinesas a fecharem em terreno positivo.
Cenário em outros mercados asiáticos
Além da China, outras bolsas da região apresentaram desempenho misto:
- Tóquio (Nikkei 225): +1,45%, a 43.643 pontos
- Seul (Kospi): +0,45%, a 3.219 pontos
- Taiwan (Taiex): +0,22%, a 24.547 pontos
- Cingapura (Straits Times): +0,05%, a 4.309 pontos
- Sydney (S&P/ASX 200): -0,24%, a 8.849 pontos
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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