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Classe Hospitalar oferece acolhimento a famílias acreanas

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Quando a pequena Emily dos Santos precisou deixar sua comunidade no Vale do Juruá para tratar um problema cardíaco grave, o pai, Daniel dos Santos, achou que o tempo de internação significaria também uma pausa nos estudos. Ele estava enganado.

Pai e filha encontraram acolhimento na classe hospitalar. Foto: Mardilson/SEE

“Eu nunca imaginava que num hospital teria uma escola para criança”, conta Daniel, ainda surpreso com o que descobriu ao chegar ao Hospital da Criança, onde funciona, de forma provisória, a Classe Hospitalar da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE).

A filha dele é uma das estudantes que, mesmo em tratamento, continuam aprendendo. “Ela descobriu a escola e foi uma alegria. Todo dia cedo já quer ir. Quando dá sete horas, já pergunta se já abriu. Eu digo: só abre às oito”, relata o pai.

Entre o coração e o caderno

Daniel e a esposa vivem em uma comunidade indígena localizada na zona rural de Porto Walter, formada por cerca de 15 famílias. Ele é pedreiro de profissão e atua como professor na comunidade. A filha começou a sentir fortes dores no peito e na cabeça, além de falta de ar ao realizar esforços. Após uma série de exames, foi diagnosticada com um problema cardíaco que exige cirurgia, e a família foi encaminhada para Rio Branco.

Emily é sempre umas das primeiras a chegar à classe. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Estamos aqui há uns dez dias. Passamos por Cruzeiro do Sul, depois o Hospital do Juruá, e agora aguardamos um encaminhamento para São Paulo”, explica o pai. Nesse meio tempo, a menina passou a frequentar as aulas oferecidas pela SEE dentro da unidade hospitalar.

“Para mim, é uma satisfação muito importante. A gente mora longe, na zona rural. Ver ela continuar aprendendo aqui é uma alegria imensa”, afirma Daniel emocionado. Ele encerra com um pedido simples, mas cheio de significado: “A gente sonha que um dia também tenha uma sala assim lá na nossa comunidade”.

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“Eles continuam sendo alunos, mesmo internados”

Há seis anos e meio, a professora Eliana Gomes de Oliveira dedica-se à Classe do Hospital da Criança, atualmente instalada no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into). Pedagoga de formação, ela é a responsável por acompanhar as crianças hospitalizadas, do pré 1 até o 7º ano, garantindo que cada uma delas mantenha o vínculo com a escola de origem e com o processo de aprendizagem.

Trabalho da classe hospitalar se ajusta à rotina médica. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Quando a criança chega ao hospital, a gente aguarda um ou dois dias para adaptação e depois faz uma entrevista com a família, coletando o nome da escola, a série e o diagnóstico. A partir disso, realizamos uma avaliação diagnóstica e iniciamos o atendimento”, explica.

O trabalho é dinâmico e precisa se ajustar à rotina médica. “Algumas crianças têm fisioterapia, atendimento psicológico, consultas. Então, a gente se adapta. Às vezes conseguimos atender uma ou duas ao mesmo tempo, outras vezes é individual. Sempre buscamos atividades lúdicas — jogos da memória, pinturas, histórias — que estimulem a criança”, conta Eliana.

Professora Eliana trabalha há seis anos na classe hospitalar. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Atualmente, a classe atende em média 10 crianças, número que varia conforme as altas hospitalares e novas internações. Quando possível, a professora entra em contato com a escola de origem do estudante para alinhar conteúdos e garantir a continuidade das atividades. “Quando a criança recebe alta, ela leva as atividades junto com um relatório pedagógico, para que o professor lá na escola possa validar o que foi feito aqui”, explica.

Mais do que uma ponte com a escola, o trabalho tem uma dimensão afetiva e humana profunda. “É desafiador, mas muito gratificante. A criança sai e quer dar tchau, quer te abraçar, porque você foi importante naquele momento difícil”, diz a professora. “A gente percebe que, enquanto há vida, há vontade de aprender. Nosso papel é alimentar essa esperança”.

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Classes Hospitalares e Atendimento Pedagógico Hospitalar em Foco

As Classes Hospitalares e Atendimento Pedagógico Domiciliar (APD) são uma iniciativa da SEE coordenada pela Divisão de Acompanhamento e Orientação Especializada, que faz parte da Educação Especial da SEE, e garante que alunos impossibilitados de frequentar a escola por motivos de saúde continuem o processo educativo.

Em Rio Branco, a SEE mantém três classes hospitalares em funcionamento: no Hospital da Criança, na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Acre (Unacon) e no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac). Cada uma delas conta com um trabalho pedagógico adaptado à realidade dos pacientes, respeitando suas condições clínicas e emocionais.

Acre conta com três classes hospitalares. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Esse trabalho estará em foco no 13º Encontro Nacional de Atendimento Escolar Hospitalar e Domiciliar (ENAEHD) e o 3º Simpósio Internacional de Atendimento Escolar Hospitalar e Domiciliar (SINAEHD), que será realizado a partir desta terça, 21, em Rio Branco, no Teatro da Universidade Federal do Acre (Ufac).  

Com o tema “A intersetorialidade dos atendimentos educacionais em classes hospitalares e domiciliares”, o encontro reunirá profissionais da educação, da saúde e de áreas afins, além de pesquisadores, gestores, acadêmicos e representantes de instituições nacionais e internacionais.

A programação será composta por palestras, mesas-redondas, debates, apresentações culturais e de trabalhos científicos, com a presença de renomados especialistas do Brasil, Colômbia, Portugal e Moçambique.

Fonte: Governo AC

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Governo do Acre viabiliza transferência de paciente ferido em desabamento de ponte para centro de referência em neurocirurgia em São Paulo

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Após quase duas semanas de assistência intensiva prestada pela rede estadual de saúde, o paciente Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, ferido no desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, vai ser transferido na madrugada desta quinta-feira, 18, para São Paulo, onde dará continuidade ao tratamento em um dos mais renomados centros de neurocirurgia do país. A remoção foi viabilizada pelo governo do Acre, por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) de Urgência Interestadual da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), com suporte de UTI aérea.

Desde o acidente, ocorrido no último dia 5 de junho, Edinaldo recebeu assistência contínua no Pronto-Socorro de Rio Branco. Durante o período de internação, foi acompanhado por equipes multiprofissionais, submetido aos cuidados necessários para estabilização do quadro clínico e monitorado de forma permanente por especialistas. Com a evolução do paciente e após avaliações técnicas detalhadas, a equipe médica concluiu que a continuidade do tratamento em um centro de referência nacional poderia proporcionar melhores condições para sua recuperação neurológica.

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Paciente segue internado nesta quarta-feira, 17 em estado grave, porém estável, no Pronto-Socorro de Rio Branco. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, destacou que a transferência é resultado do trabalho integrado das equipes assistenciais, da regulação e do TFD, que acompanharam a evolução clínica do paciente desde os primeiros momentos após o acidente.

“Desde o ocorrido em Sena Madureira, a determinação da governadora Mailza Assis foi para que toda a estrutura da saúde estadual estivesse mobilizada no atendimento às vítimas. O senhor Edinaldo recebeu toda a assistência necessária no Acre, com acompanhamento permanente das nossas equipes. À medida que seu quadro evoluiu, entendemos que a transferência para um centro especializado em neurocirurgia poderia representar um avanço importante em sua recuperação. Por isso acompanhamos de perto cada etapa do processo, buscando garantir ao paciente acesso ao que há de mais adequado e avançado para a continuidade do tratamento”, afirmou.

Secretário de Saúde, José Bestene, explica que toda estrutura da Saúde foi mobilizada para atender as vítimas e agora encaminha a última para tratamento fora de domicílio. Foto: Neto Lucena/Secom.

A transferência teve como destino o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, referência nacional em procedimentos neurológicos de alta complexidade. A unidade disponibilizou vaga de terapia intensiva e aceitou receber o paciente sem custos hospitalares, assegurando a continuidade da assistência especializada.

Edinaldo sofreu traumatismo cranioencefálico grave durante o acidente e, embora tenha apresentado evolução clínica significativa desde a internação, ainda necessita de acompanhamento especializado para avaliação e tratamento das sequelas neurológicas decorrentes do trauma. Entre as condições observadas pelas equipes médicas estão alterações motoras e episódios de lapsos de memória, que exigem monitoramento contínuo e recursos avançados de diagnóstico, tratamento e reabilitação.

A diretora estadual de regulação, Graça Camurça, explicou que toda a operação foi conduzida de forma integrada para garantir segurança ao paciente durante o deslocamento e assegurar a continuidade imediata do tratamento.

“Assim que foi identificada a possibilidade de benefício clínico para o paciente em uma unidade de referência, iniciamos todas as tratativas necessárias para viabilizar a transferência. Houve uma articulação conjunta entre o TFD de urgência, a regulação estadual, as equipes médicas, a UTI aérea e o hospital de destino. Nosso objetivo foi garantir que ele chegasse em segurança e tivesse continuidade ao tratamento em um serviço altamente especializado, preparado para atender às demandas neurológicas que o caso exige”, ressaltou.

Além da autorização da UTI aérea, a Sesacre coordenou toda a logística da transferência, incluindo a comunicação entre as equipes médicas dos dois estados, a disponibilidade do leito especializado e o transporte terrestre para recepção do paciente no aeroporto e encaminhamento imediato à unidade hospitalar.

A transferência de Edinaldo simboliza mais uma etapa do cuidado prestado pela rede estadual de saúde, que atuou desde o atendimento inicial após o acidente até a busca por alternativas capazes de ampliar as perspectivas de recuperação do paciente. O caso evidencia o compromisso do governo do Estado em assegurar acesso a tratamentos de alta complexidade sempre que as necessidades clínicas exigirem recursos especializados disponíveis em outros centros do país.

Fonte: Governo AC

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