AGRONEGÓCIO
Eficiência nutricional das plantas: como aquaporinas aumentam produtividade de soja e milho
AGRONEGÓCIO
A engenheira agrônoma Luciane Balzan, especialista em fertilidade e manejo do solo pela USP e gerente de marketing de bio e nutrição da UPL Brasil, destaca que o desempenho das culturas agrícolas depende de uma combinação de fatores, incluindo genética, manejo e, principalmente, eficiência fisiológica das plantas.
Pesquisas recentes mostram que a capacidade de crescimento, absorção de água e aproveitamento de nutrientes está ligada a proteínas essenciais chamadas aquaporinas, presentes em quase todos os tecidos vegetais — raízes, folhas e caules.
Esses canais atuam como “vias rápidas” que regulam a passagem de água e pequenas moléculas entre as células, permitindo que a planta mantenha o equilíbrio hídrico e transporte nutrientes estratégicos, como o nitrogênio.
Nitrogênio: eficiência depende da movimentação interna de água
Grande parte do nitrogênio aplicado ao solo não é absorvido pelas plantas, sendo perdido por volatilização, lixiviação ou imobilização. A presença ativa das aquaporinas otimiza o aproveitamento desse nutriente, aumentando a eficiência do uso de água e fertilizantes e contribuindo para maior produtividade.
Além disso, esses canais desempenham papel fundamental em situações de estresse, ajudando a manter o equilíbrio celular e reduzindo perdas de rendimento.
Tecnologia Nuvita da UPL aumenta eficiência nutricional
Com base no conhecimento sobre aquaporinas, a UPL Brasil desenvolveu o Nuvita, uma biossolução voltada para soja e milho. Integrada à plataforma NPP (Natural Plant Protection), a tecnologia busca aumentar a formação de aquaporinas nas plantas, melhorando a circulação interna de água e nutrientes.
A aplicação foliar de Nuvita demonstrou resultados significativos: até 50% de aumento na eficiência do uso do nitrogênio, gerando maior vigor vegetativo, redução de desperdícios e incremento na produtividade.
Sustentabilidade e produtividade caminham juntas
Ao potencializar a eficiência fisiológica das plantas, soluções como Nuvita permitem alinhamento entre produtividade e cuidado ambiental, oferecendo uma alternativa sustentável para o agronegócio brasileiro.
“Plantas mais eficientes absorvem melhor os recursos disponíveis, traduzindo-se em crescimento saudável e rendimento otimizado, mesmo sob condições adversas de solo, clima ou manejo”, reforça Luciane Balzan.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.
A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.
O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.
É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.
O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.
O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.
Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.
Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.
Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.
A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.
Fonte: Pensar Agro
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