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São Paulo projeta safra de trigo de 340 mil toneladas em 2025 com clima favorável e alta produtividade

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Projeção otimista para a safra 2025

O estado de São Paulo projeta uma colheita de 340 mil toneladas de trigo em 2025, uma das melhores dos últimos três anos. A estimativa foi apresentada durante a segunda reunião da Câmara Setorial do Trigo, realizada em Pilar do Sul (SP), na sede da Ouro Safra, com transmissão ao vivo pelo YouTube. O evento contou com a participação de representantes da cadeia produtiva, consultores do setor e do secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai Filizzola.

A produtividade média esperada varia entre 3.500 e 4.000 quilos por hectare, com destaque para áreas irrigadas ou manejadas com maior intensidade, que podem superar esses números.

Condições climáticas e sanidade das lavouras favorecem a produção

Segundo José Reinaldo Oliveira, vice-presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, o cenário é animador, impulsionado por um clima neutro e pela baixa incidência de doenças. Esses fatores permitiram o bom desenvolvimento das lavouras e reduziram a necessidade de intervenções no campo.

“Tudo indica que os produtores colherão volumes superiores aos das últimas safras. A sanidade das plantas está excelente”, afirmou Oliveira.

Redução de área cultivada e custos elevados desafiam produtores

Apesar do otimismo com a produtividade, os produtores enfrentam obstáculos. Os altos custos de produção e o aumento dos juros sobre o crédito rural impactaram o planejamento das lavouras e limitaram a expansão das áreas cultivadas.

“A insegurança financeira levou muitos agricultores a optarem por culturas de menor investimento ou até mesmo a não plantar”, destacou Oliveira.

Governo estadual destaca importância do setor

Durante a reunião, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai Filizzola, ressaltou o papel estratégico do agronegócio na economia do estado.

“Em 2025, o agro puxou o crescimento do PIB paulista, com alta de 8%, frente a 3% nos serviços e 0,9% na indústria. Produzimos com sustentabilidade e temos papel decisivo na segurança alimentar global”, afirmou o secretário.

Ele também destacou a importância das câmaras setoriais para reunir todos os elos da cadeia produtiva, desde o produtor até a agroindústria e o exportador.

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Pressão do mercado internacional sobre os preços do trigo

O analista Jonathan Pinheiro, da StoneX, alertou para o risco de queda nos preços do trigo devido ao cenário global. Com cerca de 80% da safra mundial sendo colhida no momento, há uma forte pressão sobre o mercado.

“Estamos próximos do piso de mercado, o que exige atenção na gestão de risco”, disse o especialista.

Além disso, a demanda segue aquecida, mas estoques elevados na Argentina contribuem para a pressão sobre os preços internos, mesmo com uma produção nacional menor e maior necessidade de importação.

Benefício fiscal do ICMS pode impulsionar o setor

Na parte final do encontro, os consultores Gustavo Lopes Venâncio e Viviane Morales, da Lastro, apresentaram informações sobre o benefício fiscal do ICMS voltado aos produtores paulistas. São Paulo é um dos poucos estados que permite a recuperação eletrônica do imposto pago na compra de insumos, desde que cumpridos os requisitos legais.

Entre os insumos que geram crédito de ICMS estão fertilizantes, embalagens, óleo diesel, bens de ativo imobilizado e mercadorias compradas fora do estado. O benefício permite resgatar valores pagos nos últimos cinco anos.

“O valor não é devolvido em dinheiro, mas creditado em conta vinculada à Fazenda. Esse crédito pode ser usado para pagar fornecedores de insumos, máquinas e embalagens. Isso contribui para a redução de custos e maior previsibilidade financeira no campo”, explicou Viviane Morales.

A reunião completa pode ser assistida aqui.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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