AGRONEGÓCIO
Duroc transforma a carne suína no Brasil e conquista cortes premium em restaurantes estrelados
AGRONEGÓCIO
O consumo de carne suína no Brasil vem crescendo de forma contínua, alcançando 16 kg per capita em 2021, e passa por uma transformação cultural com a introdução da raça Duroc, originária dos Estados Unidos. Reconhecida pela maciez, marmoreio e sabor, o Duroc foi a primeira raça introduzida no país em 1956, marcando o início do melhoramento genético e da tecnificação da suinocultura.
Estudos da PUC Goiás mostram que o Duroc, junto a outras duas raças, compõe mais de 90% da base genética dos suínos de abate no Brasil.
Cortes premium elevam a carne suína a outro patamar
A chef e especialista em cortes suínos Flávia Brunelli, pioneira no desenvolvimento de cortes premium de Duroc, transformou a percepção do consumidor sobre a carne suína no país. Sob sua liderança na Del Veneto, cortes como stinco, prime rib e bife de ancho, adaptados do universo bovino, conquistaram o mercado gourmet.
“Antes, a carne suína era associada apenas a lombo, costela e panceta. Com o Duroc, abrimos espaço para novos cortes, inovando no preparo e na experiência gastronômica”, afirma Brunelli.
Qualidade genética e marmoreio natural
Os suínos Duroc utilizados pela Del Veneto pesam, em média, 150 a 170 kg, apresentando equilíbrio entre gordura e músculo. A carne possui fibras curtas para maciez e gordura intramuscular, responsável pelo marmoreio natural, garantindo suculência e sabor, atributos que fizeram a raça ser apelidada de “Angus suíno”.
A rusticidade da raça aliada à precocidade, boa conversão alimentar e ganho de peso acelerado torna o Duroc ideal para sistemas de criação tropicais e para produção de carcaças de alta qualidade.
Duroc conquista restaurantes estrelados
O ingresso da carne Duroc em restaurantes com estrelas Michelin marcou um divisor de águas para o setor. Entre eles, o D.O.M., do chef Alex Atala, utiliza cortes como ancho suíno, filé mignon suíno e pancetta, enquanto o Evvai, de Luiz Filipe Souza, aposta na pancetta de leitão em seu menu ítalo-brasileiro.
“Hoje os chefs exploram sabores e texturas de forma criativa, elevando a carne suína a um patamar antes inexistente no Brasil”, destaca Brunelli.
Impacto na cadeia produtiva e no mercado
A introdução do Duroc movimenta toda a cadeia produtiva: produtores investem em genética, manejo e bem-estar animal, enquanto frigoríficos e distribuidores se adaptam à demanda de consumidores mais exigentes.
A Del Veneto oferece mais de 100 produtos premium de Duroc, com preços que refletem o padrão diferenciado. Entre os destaques estão:
- Ancho suíno (300 g) por R$ 34,90
- T-bone suíno (4 unidades de 200 g) por R$ 42,99
- Guanciale (bochecha do porco, 250 g) por R$ 39,99
Outro produto inovador é o leitão de leite Duroc, apreciado em menus degustação por sua textura diferenciada e sabor delicado.
Mudança cultural e consumo de carne suína
O avanço da carne suína premium mostra que o desafio agora é aproximar o consumidor da experiência gastronômica dos restaurantes estrelados, demonstrando que o Duroc pode estar presente tanto no churrasco de fim de semana quanto em preparos elaborados da alta gastronomia.
“Queremos mostrar que a carne suína não é apenas tradicional, mas uma proteína versátil e gourmet, capaz de atender desde o lar até restaurantes de alta gastronomia”, conclui Brunelli.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil é peça-chave do supermercado global agrícola e reforça liderança no comércio mundial de alimentos
O Brasil consolidou sua posição como uma das maiores potências agropecuárias do planeta, mas a tradicional definição de “celeiro do mundo” pode não representar com precisão o papel desempenhado pelo país na segurança alimentar global. A avaliação é do professor de Agronegócio Global do Insper, Marcos S. Jank, que defende uma interpretação mais alinhada à dinâmica atual do comércio internacional de alimentos.
Segundo o especialista, embora o Brasil seja um dos principais produtores e exportadores agrícolas do mundo, o conceito de “supermercado global” descreve de forma mais adequada sua participação nas cadeias agroalimentares internacionais.
Brasil responde por 6% da produção agropecuária mundial
Os números mostram que o Brasil é responsável por aproximadamente 6% da produção agropecuária global em termos de volume calórico. O país ocupa posição de destaque, mas permanece atrás de grandes produtores como China, que responde por 16% da produção mundial, Estados Unidos, com 11%, e Índia, com 9%.
No comércio internacional, entretanto, o protagonismo brasileiro é ainda mais evidente. Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram cerca de US$ 170 bilhões, representando aproximadamente 9% de todo o comércio agrícola global. O desempenho coloca o Brasil como o segundo maior exportador agropecuário do mundo e líder em diversas cadeias de commodities agrícolas.
Segurança alimentar reduz dependência entre países
De acordo com Jank, a ideia de um único país abastecendo o planeta não corresponde à realidade atual. A segurança alimentar é uma prioridade estratégica para as nações, que buscam manter elevada capacidade de produção interna para reduzir dependências externas.
Atualmente, apenas 22% da produção agropecuária mundial é destinada ao comércio internacional. Os outros 78% permanecem nos países produtores para atender ao consumo doméstico.
No caso brasileiro, aproximadamente 60% da produção agrícola permanece no mercado interno, enquanto cerca de 40% é direcionada às exportações, considerando a produção convertida em equivalente calórico.
Esse cenário demonstra que a maior parte dos alimentos produzidos globalmente é consumida dentro das próprias fronteiras nacionais, reforçando a importância da autossuficiência alimentar.
Brasil complementa déficits globais de oferta
A China ilustra bem essa dinâmica. Apesar de ser o maior produtor, consumidor e importador de alimentos do mundo, o país importa cerca de 15% do que consome. A principal exceção é a soja, cuja dependência externa supera 80%.
Nesse contexto, o Brasil desempenha papel fundamental ao fornecer produtos agrícolas capazes de suprir desequilíbrios entre oferta e demanda em diferentes regiões do planeta. O país se destaca como fornecedor confiável de commodities em diversas cadeias agroindustriais, incluindo soja, milho, carnes, açúcar, café, algodão e celulose.
A combinação de escala produtiva, disponibilidade de recursos naturais e tecnologia tem permitido ao agronegócio brasileiro ampliar sua relevância estratégica nos mercados internacionais.
Presença brasileira está nos alimentos consumidos em mais de 190 países
Embora os consumidores estrangeiros raramente encontrem marcas brasileiras nas prateleiras dos supermercados, a participação do Brasil na alimentação mundial é muito maior do que aparenta.
Mais de 190 países importam commodities produzidas no Brasil. Esses produtos são processados por indústrias locais e transformados em milhares de alimentos, bebidas e itens de consumo final comercializados em supermercados, restaurantes, hotéis, cafeterias, açougues e serviços de alimentação.
Na prática, ingredientes e matérias-primas brasileiras estão presentes em inúmeros produtos consumidos diariamente ao redor do mundo, mesmo quando sua origem não é identificada pelo consumidor final.
Brasil fortalece posição como pilar do abastecimento global
A análise reforça que o papel do Brasil transcende a imagem tradicional de fornecedor de matérias-primas agrícolas. O país ocupa posição central nas cadeias globais de abastecimento e contribui diretamente para a segurança alimentar de dezenas de mercados internacionais.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que o Brasil se aproxima mais da definição de um dos principais pilares do “supermercado global” de alimentos do que da ideia de “celeiro do mundo”, uma vez que a produção destinada ao consumo interno continua sendo prioridade para a maioria das nações.
Com crescimento contínuo da produtividade, ampliação dos mercados compradores e fortalecimento da competitividade internacional, o agronegócio brasileiro segue consolidando sua influência no abastecimento alimentar mundial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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