AGRONEGÓCIO
Preços dos Fertilizantes Recuam em Outubro, Mas Importações Seguem em Alta no Brasil, Aponta Itaú BBA
AGRONEGÓCIO
Mercado de fertilizantes mostra acomodação nos preços
O mercado de fertilizantes iniciou o último trimestre de 2025 com sinais de ajuste nos preços internacionais. Segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os valores dos fosfatados caíram de forma significativa em outubro, enquanto os nitrogenados se mantiveram praticamente estáveis e os potássicos registraram leve alta.
Fosfatados têm maior queda no mês
O destaque ficou por conta dos fertilizantes fosfatados, que apresentaram redução expressiva nos preços. O MAP, nos portos brasileiros, recuou 7,2%, encerrando o mês cotado a US$ 640 por tonelada — o menor patamar desde março de 2025.
A retração foi impulsionada pela demanda global enfraquecida, o que aumentou a pressão baixista sobre o produto.
Apesar do recuo, o relatório alerta que a forte alta nos preços do enxofre — insumo essencial na produção do MAP — pode inverter essa tendência nos próximos meses. No Brasil, o preço do enxofre mais que dobrou em 2025, representando um potencial fator de alta para o setor.
Nitrogenados seguem estáveis, mas Índia pode impulsionar preços
Os nitrogenados, por sua vez, mantiveram estabilidade. A ureia fechou o mês a US$ 422 por tonelada nos portos brasileiros.
Contudo, o Itaú BBA chama atenção para o cenário internacional: no último leilão de compras da Índia, o país adquiriu apenas 600 mil das 2 milhões de toneladas previstas, o que reduziu a percepção de normalidade na oferta global.
Com isso, é esperado que a Índia retorne ao mercado internacional, o que pode elevar as cotações da ureia nas próximas semanas.
Potássicos registram leve alta e demanda concentrada na Ásia
Já os fertilizantes potássicos apresentaram alta de 0,7% em outubro, com o KCl cotado a US$ 355 por tonelada.
De acordo com o relatório, a demanda global segue moderada, com exceção da região do Estreito de Malaca, onde Indonésia tem ampliado suas compras de potássio para uso nas plantações de palma. Essa movimentação regional tem sido um dos poucos fatores de sustentação dos preços.
Importações brasileiras continuam aquecidas
Mesmo com o cenário internacional de volatilidade, o Brasil segue importando grandes volumes de fertilizantes.
Entre janeiro e outubro de 2025, o país importou 35,6 milhões de toneladas, volume 4,6% superior ao registrado no mesmo período de 2024.
O Itaú BBA destaca o crescimento expressivo nas compras de formulados supersimples (SSP) e triplo (TSP), que somaram 4,5 milhões de toneladas, um avanço de 16%.
Em contrapartida, o volume de MAP e DAP caiu 24%, totalizando 3 milhões de toneladas. Essa mudança reflete uma mudança no padrão de importação, com maior participação de produtos de menor concentração de nutrientes.
Perspectivas para os próximos meses
O relatório aponta que o mercado segue em transição, com preços pressionados por uma demanda global mais fraca e custos de insumos em recuperação.
A combinação entre alta no enxofre, potenciais ajustes nos leilões indianos e ritmo forte de importações brasileiras será determinante para os preços no início de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Governo torna voluntária certificação de armazéns e abre caminho para ampliar capacidade de armazenamento no Brasil
A publicação da Lei nº 15.429/2026, no Diário Oficial da União, marca uma importante mudança para o setor de armazenagem agrícola brasileiro. A nova legislação estabelece que a certificação de unidades armazenadoras de produtos agropecuários passa a ser facultativa, eliminando a obrigatoriedade que vigorava desde a criação da Lei nº 9.973/2000.
A medida deve ampliar significativamente o número de armazéns aptos a operar no país e fortalecer a rede credenciada da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), contribuindo para reduzir um dos principais gargalos logísticos do agronegócio nacional: a insuficiência da capacidade de armazenamento.
Mudança amplia oportunidades para armazéns privados
Com a nova regra, a Conab poderá credenciar unidades armazenadoras que anteriormente ficavam impedidas de operar junto à companhia por não possuírem certificação regular. A alteração beneficia especialmente os armazéns privados, que representam a maior parte da infraestrutura de armazenagem existente no país.
Segundo a legislação, a certificação deixa de ser requisito obrigatório para funcionamento, desde que os empreendimentos cumpram as demais exigências legais, documentais, sanitárias e operacionais previstas pelos órgãos fiscalizadores.
A expectativa é que a medida permita a regularização de milhares de estruturas atualmente fora do sistema de credenciamento oficial, ampliando a capacidade disponível para estocagem da produção agropecuária.
Apenas 17% dos armazéns possuem certificação
Dados do setor mostram que pouco mais de 17% dos armazéns brasileiros possuem certificação atualmente. Na prática, isso significa que cerca de 83% das unidades existentes no país não estavam aptas a atender determinadas exigências relacionadas ao credenciamento junto à Conab.
Para o diretor de Operações e Abastecimento da companhia, Arnoldo de Campos, a nova legislação reduz entraves burocráticos e cria condições mais favoráveis para investimentos na infraestrutura logística do agronegócio.
De acordo com ele, a obrigatoriedade da certificação gerava custos adicionais para adequações que, em muitos casos, já eram contempladas por outras legislações e mecanismos de controle existentes no país.
Déficit de armazenagem supera 130 milhões de toneladas
A flexibilização ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta um expressivo déficit de armazenagem. Nas últimas décadas, a produção agropecuária avançou em ritmo muito superior ao crescimento da infraestrutura destinada ao armazenamento.
Levantamentos da Conab apontam que, nos últimos dez anos, a produção de grãos cresceu em média 6,72% ao ano, enquanto a capacidade estática de armazenagem avançou apenas 2,38% no mesmo período.
Atualmente, o país possui capacidade para armazenar entre 60% e 63% da produção anual de grãos, acumulando um déficit superior a 130 milhões de toneladas. O cenário é considerado um dos principais desafios para a competitividade do agronegócio brasileiro.
Custos operacionais devem ser reduzidos
Outro impacto esperado da nova legislação é a redução dos custos operacionais para empresas do segmento.
Até então, a certificação obrigatória era realizada por organismos privados acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), exigindo investimentos adicionais das unidades armazenadoras.
Com a mudança, a certificação continuará disponível para empresas que desejarem utilizá-la como diferencial competitivo ou atender demandas específicas de mercado, mas sua adoção passa a ser uma decisão estratégica de cada empreendimento.
Segurança e qualidade dos produtos continuam garantidas
A nova legislação não altera os mecanismos de fiscalização sanitária, controle de qualidade ou rastreabilidade dos produtos armazenados.
A segurança dos alimentos continuará sendo assegurada por normas do Ministério da Agricultura e Pecuária, regulamentos operacionais da Conab, auditorias setoriais, exigências ambientais e protocolos de boas práticas de armazenagem.
Além disso, a alteração não interfere nas exportações brasileiras. Os requisitos sanitários e fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais permanecem válidos e independentes da certificação das unidades armazenadoras.
Modernização fortalece logística do agronegócio
A avaliação do setor é que a nova legislação representa um passo importante para modernizar o ambiente regulatório da armazenagem agrícola no Brasil.
Ao ampliar a rede de armazéns aptos a operar e reduzir barreiras burocráticas, a medida pode estimular investimentos privados, melhorar a logística de escoamento das safras e contribuir para diminuir o histórico déficit de armazenagem que acompanha o crescimento da produção agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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