POLÍTICA NACIONAL
Debatedores repudiam agressões a jornalistas e defendem proteção à imprensa
POLÍTICA NACIONAL
Durante audiência pública promovida pelo Senado nesta quinta-feira (11), os participantes fizeram um alerta contra os ataques à liberdade imprensa e a violência contra jornalistas no país. Eles denunciaram agressões físicas, assédio judicial, censura e intimidação digital. E defenderam medidas urgentes e permanentes de proteção a esses profissionais, especialmente após o episódio que aconteceu na Câmara dos Deputados na terça-feira (9).
A audiência foi promovida de forma conjunta por dois colegiados do Senado: a Comissão de Direitos Humanos (CDH) e a Comissão de Educação (CE). Participaram do encontro parlamentares, especialistas, representantes do governo e da categoria dos jornalistas.
Democracia
Ao abrir o debate, o senador Paulo Paim (PT-RS), que foi quem solicitou a reunião, declarou que a violência contra jornalistas representa um ataque direto à democracia e ao direito da sociedade à informação. Ele lembrou que no ano passado foram registradas 144 agressões a profissionais de imprensa no Brasil, uma média de um caso a cada dois dias e meio.
Paim também ressaltou que os jornalistas brasileiros sofrem com episódios de assédio judicial (quando esses profissionais são vítimas do uso abusivo de ações judiciais com o objetivo de intimidá-los). Um exemplo de assédio judicial ocorre quando uma série de ações judiciais é apresentada simultaneamente — em diferentes cidades e estados — contra um mesmo jornalista. Nesse caso, o objetivo não é reparar um eventual dano provocado pelo jornalista, mas sim prejudicá-lo e inviabilizar sua atividade.
O senador defendeu o fortalecimento de mecanismos e entidades de proteção da categoria, como o Observatório Nacional da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores — órgão vinculado ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública.
Além disso, Paim manifestou solidariedade aos profissionais que foram agredidos na Câmara dos Deputados por policiais legislativos na última terça-feira. Para ele, o episódio é “absolutamente inaceitável”.
— Quando jornalistas são ameaçados, agredidos ou impedidos de exercer seu trabalho, não é apenas um profissional que é violado; é a cidadania, é o direito de todos ao acesso à verdade que é atacado. (…) Minha solidariedade a todos os profissionais de imprensa. Tenho certeza de que falo em nome de toda a Comissão de Direitos Humanos e de todos os senadores.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro Cunha, cobrou mudanças imediatas na postura institucional do Congresso Nacional, para assegurar tanto o acesso pleno da imprensa às dependências do Parlamento como a responsabilização pelas agressões. Segundo ela, os profissionais que foram retirados com violência da Câmara dos Deputados “esperam explicações muito claras” sobre por que foram agredidos.
Samira lembrou que, em 2024, as principais formas de violência contra os jornalistas no país foram o assédio judicial, a agressão física e a censura. Ela destacou que políticos e seus apoiadores foram responsáveis por cerca de 40% das violações registradas.
— Nós não podemos naturalizar isso. Num país que se diz democrático, não se pode impedir a imprensa de fazer o seu trabalho. É muito rápido, e absolutamente injustificável, passar de uma ameaça nas redes sociais, de uma agressão verbal, para uma agressão física, para novas modalidades de violência, como o assédio judicial, que resulta na autocensura — protestou ela.
Assédio judicial
De acordo com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), existem hoje no Brasil 654 casos judiciais em que os processos têm características de assédio judicial a profissionais de imprensa.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, enfatizou que há um uso crescente de ações judiciais por dano moral contra jornalistas. Ele destacou que isso se tornou um instrumento de intimidação que compromete a apuração dos fatos e o exercício profissional. Costa citou processos em que os valores envolvidos são “exorbitantes” e há o bloqueio dos rendimentos. Isso, ressaltou ele, é uma “ameaça” que gera autocensura e fragiliza a liberdade de imprensa.
— O jornalista, quando é alvo de uma ação como essa, por dano moral, com valores exorbitantes, fica intimidado. O que o jornalista vai fazer dali para frente? Que tipo de reportagem ele pode fazer, que tipo de investigação ele pode fazer ao correr o risco de ser acionado por dano moral?
Costa também repudiou os episódios de repressão a jornalistas ocorridos na Câmara dos Deputados e criticou as medidas restritivas de acesso às dependências dessa Casa. Ele informou que a ABI acionou a Procuradoria-Geral da República contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, e que levará o caso à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Conselho de Ética da Câmara.
— Nós não queremos só explicação. Nós queremos punição.
Deslegitimação da imprensa
A presidente da Abraji, Katia Brembatti, declarou que, embora o Brasil esteja em situação menos grave que a de países em conflito armado, é preocupante que o exercício do jornalismo continue sob riscos significativos no país.
Katia alertou para um fenômeno que, segundo ela, é recente: jornalistas sendo alvos de ataques de parte da sociedade. Segundo ela, a deslegitimação recorrente do trabalho da imprensa estimula a percepção de que as agressões contra a categoria seriam justificáveis.
— Eu acho que esse é um dos principais fatores para o aumento da violência contra jornalistas. Nós percebemos que a deslegitimação do trabalho da imprensa, o ataque recorrente ao trabalho da imprensa, faz com que várias pessoas da sociedade (…) se considerem no direito de atacar a imprensa, a ponto de se chegar ao absurdo de alguém jogar um carro em cima de um jornalista que está na rua trabalhando.
Observatório
Representando o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, Oscar Ferreira de Oliveira afirmou que a prioridade do governo é tornar permanente a atuação desse órgão, que foi criado em janeiro de 2023. Ele explicou que o observatório tem o objetivo de monitorar agressões, apoiar vítimas, sistematizar dados e propor políticas públicas em parceria com entidades da categoria.
Oliveira informou que já existem grupos de trabalho (GTs) dedicados à formulação dessas políticas. Também lembrou que está em funcionamento o canal de denúncias Fala BR, que é operado em conjunto com a Controladoria-Geral da União.
Ele destacou que o observatório reconhece que jornalistas e comunicadores sofrem violências de natureza específica, que exigem respostas igualmente específicas do Estado.
— Mais importante do que responder de forma rápida, é responder de forma permanente. Se, por um lado, as investigações são feitas pelo Poder Judiciário, por outro lado os grupos de trabalho [GTs] estão trabalhando na criação de protocolos de investigação, de entendimento, do que é o assédio judicial de forma institucional, para nós possamos tipificar isso.
Plataformas digitais
Representante da Repórteres Sem Fronteiras, Bia Barbosa alertou para o uso — em larga escala — das plataformas digitais para ataques e estigmatização de jornalistas.
Segundo ela, o fenômeno resultou, nas últimas eleições presidenciais, em mais de três milhões de postagens (publicações on-line) hostis à categoria.
Nesse contexto, Bia defendeu a aprovação do PL 2.338/2023, projeto de lei que cria um marco regulatório para a inteligência artificial (IA). Ela afirmou que essa lei será um instrumento essencial para disciplinar o uso da IA no país. O projeto já foi aprovado no Senado e atualmente está em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Câmara aprova Estatuto do Aprendiz
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) projeto de lei que cria o Estatuto do Aprendiz, reformulando regras para o contrato de aprendizagem e garantindo direitos do público-alvo, jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência. A matéria será enviada ao Senado.
De autoria do ex-deputado André de Paula e outros, o Projeto de Lei 6461/19 foi aprovado na forma do substitutivo da deputada Flávia Morais (PDT-GO).
Segundo o texto, caso a empresa demonstre que não é possível realizar as atividades práticas de aprendizagem em seu ambiente de trabalho ou em entidades concedentes de experiência prática, ela poderá deixar de contratar aprendizes e pagar parcela em dinheiro à Conta Especial da Aprendizagem Profissional (Ceap) no âmbito do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por, no máximo, doze meses, contados a partir da assinatura de termo de compromisso.
O valor mensal será equivalente a 50% da multa por não contratação de aprendiz, fixada em R$ 3 mil pelo projeto (portanto, R$ 1,5 mil por aprendiz que deixou de ser contratado).
Quando se tratar de empresas que prestem serviços a terceiros, seus empregados serão mantidos na base de cálculo dessa prestadora, a menos que o contrato com a tomadora dos serviços preveja o cumprimento da cota da prestadora pela contratante.
Direitos
O substitutivo deixa explícitos vários direitos dos aprendizes aplicados aos contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Além do vale-transporte, o texto assegura à aprendiz gestante o direito à garantia provisória do emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Durante o período da licença, a aprendiz deve se afastar de suas atividades, com garantia do retorno ao mesmo programa de aprendizagem caso ainda esteja em andamento. A certificação do aproveitamento deverá ser por unidades curriculares, módulos ou etapas concluídas.
Caso o prazo original do contrato se encerre durante a garantia provisória, ele deverá ser prorrogado até o último dia dessa garantia, mantidas as condições originais, como jornada e horário de trabalho, função e salário, devendo ocorrer normalmente o recolhimento dos respectivos encargos.
As únicas alterações permitidas serão aquelas em benefício da aprendiz e em razão do término das atividades teóricas do curso de aprendizagem.
Acidente de trabalho
Para o aprendiz que tenha sofrido acidente de trabalho, o projeto garante o emprego nos doze meses após o fim do pagamento do auxílio, aplicando-se regras de adaptação semelhantes às da aprendiz grávida.
Férias
Quanto ao período de férias, elas deverão ser concedidas coincidentemente ao de férias escolares para o aprendiz com menos de 18 anos. A critério do aprendiz, elas poderão ser parceladas.
Se forem férias coletivas em períodos não coincidentes com férias escolares ou com as férias estabelecidas em programa de aprendizagem, a empresa poderá dispensar o aprendiz de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário e das férias normais se o afastamento coletivo inviabilizar a realização de atividades práticas.
Serviço militar
Na hipótese de afastamento do aprendiz por causa do serviço militar obrigatório ou outro encargo público (como participação em júri, p. ex.), para que esse período não seja contado no prazo de duração do contrato de aprendizagem deverá haver acordo entre as partes interessadas, inclusive a entidade formadora, e reposição das atividades teóricas do curso de aprendizagem.
Ao aprendiz não será permitido se candidatar a cargos de dirigente sindical nem de direção de comissões internas de prevenção de acidentes de trabalho.
Bolsa-família
O PL 6461/19 deixa o rendimento recebido pelo aprendiz de fora do cálculo de renda familiar média mensal para acesso ao benefício do programa Bolsa-família.
Acima de 18 anos
O estabelecimento pode contratar o aprendiz para a ocupação que entender mais adequada, mas terá de matriculá-lo em curso de aprendizagem profissional correspondente à ocupação escolhida, preferencialmente nos serviços nacionais de aprendizagem do Sistema S.
Caso o Sistema S não oferecer vaga suficiente para atender à demanda, a matrícula poderá ocorrer em instituições públicas federais, estaduais, municipais e distrital de ensino profissional técnico de nível médio, em entidades de prática desportiva filiada ao Sistema Nacional do Desporto ou em entidades sem fins lucrativos destinadas a prestar assistência ao adolescente e à educação profissional registradas no conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente.
A prioridade será para o público entre 14 e 18 anos incompletos, exceto quando as atividades práticas sujeitem os aprendizes a condições insalubres ou perigosas sem a possibilidade de diminuição desse risco ou de realização dessas atividades integralmente em ambiente simulado.
Outras situações de exclusividade de aprendiz maior de 18 anos são quando assim a lei o exigir (carteira de motorista, p. ex.) ou quando a natureza das atividades práticas for incompatível com o desenvolvimento físico, psicológico e moral dos adolescentes aprendizes.
Contratação facultativa
O substitutivo aprovado prevê que será facultativa a contratação de aprendizes nos seguintes casos:
- se desejarem, estabelecimentos com menos de sete empregados poderão contratar um aprendiz;
- microempresas e empresas de pequeno porte, inclusive as optantes pelo Simples Nacional;
- entidades sem fins lucrativos que tenham por objetivo a educação profissional e tenham habilitação na modalidade aprendizagem profissional com turma de aprendizagem profissional em andamento;
- empresas cuja atividade principal seja de teleatendimento ou telemarketing se ao menos 40% de seus empregados tenham até 24 anos, conforme regulamento;
- órgãos e entidades da administração pública direta, autárquica e fundacional de entes federativos que adotem regime estatutário para seus servidores públicos; e
- empregador rural pessoa física.
Debates
Segundo a relatora, deputada Flávia Morais, a aprendizagem é um instrumento decisivo para estimular os jovens a continuarem estudando, os inserir no mundo do trabalho e também combater o trabalho infantil. “A consolidação de um Estatuto do Aprendiz tem especial relevância para a sociedade brasileira”, afirmou.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) no fim de 2023, 48,5 milhões de brasileiros são jovens de 15 a 29 anos, dos quais 10,9 milhões (22,3%) nem estudam nem trabalham (os chamados “nem-nem”). Nesse grupo, as mulheres negras correspondiam a 43,3% e as brancas a 20,1%, somando 63,4% do segmento.
“A nossa proposta tem como objetivo atacar situações como essa e dar melhores oportunidades de trabalho, em especial para as jovens, que tanto contribuem para o país e tão pouco recebem da sociedade”, disse Morais, lembrando que, em geral, essas jovens se dedicam a tarefas domésticas ou cuidado de parentes.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a aprovação da proposta que institui o Estatuto do Aprendiz irá ajudar bastante a juventude brasileira na sua inserção no mercado de trabalho.
“Talvez esse tenha sido, na nossa gestão, o projeto que mais entrou e saiu da pauta da Ordem do Dia. E hoje, em demonstração de articulação política e muito compromisso com o Brasil e com a nossa juventude, aprovamos esse projeto que irá fortalecer o programa do jovem aprendiz”, disse, ao ressaltar a articulação da relatora para viabilizar a votação do texto.
Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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