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Tarifas dos EUA podem gerar prejuízo de US$ 2,7 bilhões ao agronegócio brasileiro em 2026, estima CNA

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A manutenção da tarifa adicional de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos agropecuários do Brasil pode resultar em um impacto negativo de US$ 2,7 bilhões na balança comercial em 2026, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Esse valor representa cerca de 22% das exportações brasileiras ao mercado americano, considerando o total exportado em 2024, antes da implementação do tarifaço.

De acordo com Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da CNA, cerca de 45% da pauta agropecuária do Brasil ainda sofre a tarifa de 50%, incluindo produtos como pescados, sebo bovino, mel, uvas e etanol. Ela destacou que, embora alguns itens tenham sido retirados da medida anunciada pela Casa Branca em 20 de novembro, esses setores permanecem sob o impacto tarifário.

Tilápia e pescados enfrentam grandes perdas

Mori destacou o caso da tilápia, que tem 97% das exportações direcionadas aos Estados Unidos, e que enfrenta forte impacto devido à dependência do mercado americano. Segundo dados da CNA, em 2024 o Brasil exportou US$ 52 milhões em pescados para os EUA, enquanto o restante do mundo importou apenas US$ 1,4 milhão.

“Há cooperativas que exportam exclusivamente para os Estados Unidos e agora estão muito prejudicadas”, afirmou Mori.

Produtos como mel e pescados, segundo a diretora, são particularmente vulneráveis, pois os produtores dependem quase exclusivamente do mercado americano e não possuem alternativas de comercialização internacional.

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Impactos do tarifaço nas exportações brasileiras

No acumulado de 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para os EUA registraram uma queda de 4% até novembro, reflexo do tarifaço. Entre janeiro e julho, houve alta de 20% no valor exportado, seguida de uma redução de 38% entre agosto e novembro, causada por uma antecipação das remessas no primeiro semestre do ano.

Mori destacou que o redirecionamento das exportações para outros mercados ajudou a minimizar as perdas. O Café verde teve aumento nas compras da China (US$ 148 milhões a mais) e da União Europeia. Já a carne bovina teve crescimento de exportações para China e México, compensando parcialmente o impacto negativo das tarifas nos EUA.

EUA mantêm política comercial agressiva

Para 2026, a CNA alerta para os efeitos das negociações comerciais dos EUA com outros países fornecedores, que podem reconfigurar o fluxo global de produtos agropecuários e afetar a competitividade brasileira. Mori ressaltou que os acordos dos EUA estão associados a concessões comerciais dos parceiros, incluindo acesso ao mercado, compromissos de investimento e compras de produtos agrícolas americanos.

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Exemplos citados incluem:

  • Japão: ampliação de 75% nas compras de arroz dos EUA;
  • Reino Unido: compra de US$ 700 milhões em etanol e criação de cota específica para carne bovina americana;
  • Indonésia: redução de tarifas em 99% e compromisso de comprar US$ 4,5 bilhões em produtos americanos;
  • Vietnã: compra de US$ 2,9 bilhões em produtos agrícolas dos EUA.

Esses acordos afetam diretamente o comércio agrícola brasileiro, já que o Brasil exporta produtos agropecuários para todos esses países.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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