AGRONEGÓCIO
Santa Catarina apresenta Sistema Antigranizo à comitiva do Rio Grande do Sul e expande proteção agrícola
AGRONEGÓCIO
Santa Catarina se consolida como modelo nacional na implantação e operação do Sistema Antigranizo, tecnologia que reduz o tamanho das pedras de granizo antes que atinjam o solo, minimizando danos às lavouras. Nesta semana, uma missão técnica do Rio Grande do Sul visitou o estado para conhecer de perto o funcionamento do sistema, que atualmente está instalado em 13 municípios catarinenses, por meio de convênios entre a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e as prefeituras locais.
Roteiro da visita técnica incluiu Fraiburgo, Videira e Caçador
A comitiva gaúcha teve apresentações técnicas e visitas a empresas e áreas de produção.
- Fraiburgo: visita à empresa AGF, ao radar meteorológico e à empresa Fischer;
- Videira: apresentação da Epagri e inspeção em áreas de produção;
- Caçador: visita ao projeto operacionalizado em parceria com o município.
“Apresentamos à comitiva esse Sistema Antigranizo, permitindo que conhecessem de perto um modelo que está dando certo em Santa Catarina, aumentando a proteção ao produtor e garantindo mais estabilidade à produção agrícola e pecuária”, afirmou Paulo Arruda, assessor técnico do gabinete da Sape.
Missão técnica do Rio Grande do Sul avalia implementação futura
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do RS liderou a missão, que contou com representantes de 22 municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil, Sindicatos Rurais e Seguradoras.
“Foi uma missão muito exitosa. Observamos maturidade e interesse na comitiva para discutir a implementação dessa tecnologia na Serra Gaúcha”, destacou Márcio Madalena, secretário adjunto da Seapi.
Funcionamento e expansão do Sistema Antigranizo
O Sistema Antigranizo opera com geradores de solo e queimadores de iodeto de prata, instalados inicialmente em municípios como Rio das Antas, Fraiburgo, Matos Costa, Timbó Grande, Lebon Régis, Tangará, Macieira, Caçador, Calmon, Videira e Pinheiro Preto. Em 2025, o sistema foi ampliado para Ibiam e Arroio Trinta, com repasse de R$ 2,2 milhões para operacionalização.
Para 2026, estão previstas novas instalações em 13 municípios: São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Atalanta, Aurora, Chapadão do Lageado, Imbuia, Ituporanga, Vidal Ramos, Petrolândia, Lacerdópolis, Presidente Castello Branco, Iomerê e Joaçaba. O valor total estimado dos convênios para essas cidades é de aproximadamente R$ 12 milhões.
Impacto na agricultura catarinense
A tecnologia tem se mostrado eficaz na redução de perdas agrícolas, proporcionando maior segurança ao produtor rural e estabilidade na produção, ao mesmo tempo em que fortalece Santa Catarina como referência em inovação tecnológica agrícola no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifas dos EUA colocam exportações brasileiras sob pressão e ampliam exigências de rastreabilidade no agronegócio
O Brasil entrou em uma corrida contra o tempo para evitar novos obstáculos às exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro tem até 15 de julho para apresentar argumentos e negociar uma proposta americana que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados a suspeitas de trabalho forçado. Caso seja implementada e somada aos 25% já anunciados anteriormente pelos Estados Unidos, a cobrança poderá atingir 37,5% em determinados produtos brasileiros.
Embora os principais produtos do agronegócio nacional, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e gás, permaneçam fora do escopo direto da investigação, especialistas alertam que o maior desafio pode estar além das tarifas: a crescente exigência internacional por rastreabilidade, governança e conformidade socioambiental.
Agronegócio brasileiro enfrenta risco reputacional crescente
A avaliação de analistas de mercado é que os impactos econômicos imediatos tendem a ser limitados para as principais cadeias exportadoras. No entanto, a inclusão do Brasil em uma discussão internacional relacionada ao combate ao trabalho forçado pode gerar efeitos indiretos relevantes sobre a imagem do país perante compradores, investidores e instituições financeiras.
O principal receio é que importadores passem a exigir processos mais rigorosos de auditoria, monitoramento da cadeia de suprimentos e comprovação da origem dos produtos. Esse movimento já vem ocorrendo em diversos mercados internacionais e pode ganhar força caso a proposta americana avance.
Para especialistas, a simples associação do Brasil a questionamentos sobre fiscalização trabalhista pode aumentar a pressão por certificações, mecanismos de rastreabilidade e controles adicionais de compliance, mesmo para empresas que não estejam diretamente relacionadas aos setores investigados.
Cadeias produtivas precisarão reforçar transparência
O novo cenário reforça uma tendência global que vem transformando o comércio internacional. Cada vez mais, a competitividade dos exportadores não depende apenas de preço, qualidade e produtividade, mas também da capacidade de demonstrar conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.
No agronegócio, essa realidade se traduz na necessidade de ampliar investimentos em rastreabilidade, documentação de processos produtivos e monitoramento de fornecedores.
Empresas que já possuem sistemas robustos de controle tendem a enfrentar menos dificuldades. Por outro lado, organizações com baixa transparência operacional podem encontrar barreiras adicionais para acessar mercados estratégicos.
Crédito pode ficar mais seletivo
Além dos reflexos comerciais, o endurecimento das exigências regulatórias pode afetar o acesso ao crédito.
Instituições financeiras e investidores internacionais têm incorporado critérios ESG e de compliance em suas análises de risco. Nesse contexto, empresas com fragilidades em governança ou dificuldades para comprovar a origem de seus produtos podem enfrentar custos mais elevados de financiamento.
O movimento acompanha uma transformação global em que transparência e conformidade deixam de ser diferenciais e passam a representar requisitos básicos para obtenção de capital e participação em mercados internacionais.
Brasil terá seis semanas para negociar
O cronograma estabelecido pelas autoridades americanas prevê consulta pública e audiência em 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.
Até lá, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada. Entre as prioridades estão a ampliação das negociações diplomáticas, a apresentação de evidências sobre os mecanismos brasileiros de combate ao trabalho análogo à escravidão e o fortalecimento da interlocução com importadores e entidades empresariais dos Estados Unidos.
Também ganha importância a mobilização de dados que demonstrem a relevância do Brasil para o abastecimento de matérias-primas estratégicas da economia americana, especialmente no agronegócio e na mineração.
Governança será diferencial competitivo
Para o mercado, o cenário ainda é considerado administrável. Entretanto, a discussão evidencia uma mudança estrutural no comércio internacional: as barreiras comerciais deixam de ser apenas tarifárias e passam a incorporar critérios regulatórios, sociais e reputacionais.
Nesse ambiente, a capacidade de comprovar origem, regularidade e conformidade torna-se um ativo estratégico para exportadores brasileiros.
A avaliação predominante entre especialistas é que empresas e cadeias produtivas capazes de demonstrar elevados padrões de governança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Já aquelas que não conseguirem atender às novas exigências poderão enfrentar restrições comerciais, aumento do custo de capital e perda de espaço nos mercados internacionais.
Agronegócio brasileiro precisa transformar compliance em oportunidade
O avanço das exigências globais de rastreabilidade e responsabilidade social representa um desafio, mas também uma oportunidade para o agronegócio brasileiro consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável.
Com poucas semanas para o encerramento das negociações, o resultado dependerá não apenas da atuação diplomática do governo, mas também da capacidade do setor produtivo de demonstrar transparência, segurança jurídica e compromisso com as melhores práticas internacionais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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