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Aprosoja MT alerta sobre riscos jurídicos na ratificação do Acordo Mercosul-União Europeia e pede atuação do Congresso

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) protocolou um ofício junto ao Instituto Pensar Agro (IPA) pedindo atenção técnica e jurídica rigorosa na elaboração do Decreto Legislativo que ratificará o Acordo Mercosul–União Europeia. O objetivo é assegurar que a incorporação do acordo ao ordenamento jurídico brasileiro seja clara e previsível, evitando riscos legais futuros.

Segurança jurídica como prioridade

A Aprosoja MT reconhece a importância estratégica do acordo para ampliar mercados e fortalecer a integração comercial internacional. No entanto, a entidade alerta para possíveis interpretações extensivas que possam gerar conflitos entre compromissos internacionais e a legislação interna, especialmente nas áreas ambiental e sanitária.

O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, afirma:

“Um acordo comercial precisa fortalecer o Brasil no cenário global, mas também deve garantir previsibilidade e coerência normativa internamente. Cabe ao Congresso Nacional disciplinar de forma clara como esse instrumento será incorporado ao ordenamento jurídico, evitando ambiguidades que possam resultar em disputas judiciais ou insegurança regulatória no futuro.”

Definição clara do caráter comercial do acordo

A entidade defende que o Decreto Legislativo de ratificação:

  • Delimite explicitamente o caráter estritamente comercial do acordo;
  • Estabeleça parâmetros interpretativos claros para sua aplicação;
  • Assegure que o instrumento não se sobreponha automaticamente à legislação brasileira;
  • Preserva a soberania normativa nacional, especialmente em leis ambientais e produtivas.
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A Aprosoja MT enfatiza que essa posição não se trata de obstruir o acordo, mas de prudência institucional, citando que debates parlamentares aprofundados sobre salvaguardas internas têm ocorrido em diversos países europeus.

Papel do Congresso Nacional

Dada a dimensão econômica e jurídica do Acordo Mercosul–União Europeia, a Aprosoja MT reforça que o Congresso Nacional tem papel central não apenas na aprovação formal do texto, mas também na definição das balizas que garantirão a correta aplicação do acordo no Brasil.

A associação continuará acompanhando de perto a tramitação e disponibilizando sua equipe técnica para colaborar com análises jurídicas e sugestões que promovam equilíbrio, segurança jurídica e estabilidade institucional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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