ACRE
Comunicar na Amazônia: os desafios e as estratégias do sistema público do Acre
ACRE
Por Verônica Pimentel*
Comunicar na Amazônia é um desafio que vai muito além da produção de conteúdos. Trata-se de construir pontes entre o Estado e a população em um território marcado por distâncias geográficas, diversidade cultural, limitações de conectividade e realidades sociais distintas.
No Acre, essa missão exige planejamento, integração institucional e sensibilidade para compreender que a informação pública precisa chegar de forma clara, acessível e confiável a todos os cidadãos, independentemente de onde estejam.
Em um cenário nacional cada vez mais digitalizado, é comum associar a comunicação pública às redes sociais e às plataformas online. No entanto, na realidade amazônica, a comunicação se constrói de forma híbrida, combinando meios digitais, rádios públicas, portais institucionais e canais tradicionais, formando um sistema integrado de informação.
Essa diversidade de meios não é uma fragilidade, mas uma estratégia. Ela permite que o poder público alcance populações urbanas, rurais, ribeirinhas e comunidades mais distantes, respeitando as particularidades territoriais, culturais e sociais de cada região.
Nesse contexto, o Sistema Público de Comunicação do Acre foi estruturado para atuar de forma articulada, garantindo unidade institucional, padronização das informações e coerência nas mensagens transmitidas à sociedade. A integração entre redes sociais, rádios públicas e a Agência de Notícias permite ampliar o alcance, fortalecer a credibilidade e reduzir ruídos informacionais.
Antes desse processo de organização, a comunicação institucional era marcada por iniciativas isoladas, baixa padronização e pouca articulação entre os diferentes canais. Esse cenário dificultava o acesso da população às informações oficiais e enfraquecia a percepção de transparência e eficiência do Estado.
A atuação estratégica da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) permitiu a consolidação de diretrizes, fluxos de produção, identidade institucional e mecanismos de monitoramento, transformando a comunicação em uma política pública estruturada, contínua e orientada ao interesse coletivo.
Esse trabalho encontra respaldo nos princípios constitucionais que asseguram o direito fundamental de acesso à informação, a publicidade dos atos administrativos e a transparência na gestão pública, bem como na Lei de Acesso à Informação, que estabelece o dever permanente do Estado de informar a sociedade. Nesse sentido, a atuação da Secom ultrapassa a dimensão operacional e se consolida como instrumento de garantia de direitos coletivos.
Informar, nesse contexto, não é apenas divulgar ações governamentais. É criar condições para que a população compreenda políticas públicas, acompanhe investimentos, participe das decisões e exerça plenamente sua cidadania.
Atualmente, o funcionamento do Sistema Público de Comunicação envolve planejamento editorial, definição de prioridades, acompanhamento de dados, análise de alcance e avaliação permanente dos conteúdos produzidos. Cada informação passa por processos de checagem, adequação de linguagem e contextualização territorial antes de chegar ao público.
Esse cuidado é essencial em um ambiente marcado pela circulação intensa de desinformação. Em regiões onde o acesso à informação é mais limitado, notícias falsas, boatos e conteúdos distorcidos tendem a se espalhar com maior facilidade, impactando decisões individuais e coletivas.
Nesse cenário, o Sistema Público de Comunicação cumpre também uma função educativa, preventiva e mobilizadora. Ao oferecer informações oficiais, verificadas e acessíveis, contribui para a formação cidadã, para a mudança de comportamentos sociais e para o fortalecimento de campanhas de interesse público nas áreas de saúde, educação, segurança, meio ambiente e direitos humanos.
Outro aspecto relevante é a valorização, com investimentos contínuos, das rádios públicas, que atuam como instrumento de inclusão informacional. Em muitas localidades, elas continuam sendo o principal meio de acesso às notícias, aos serviços públicos e às orientações governamentais, cumprindo papel fundamental na integração territorial, especialmente por serem, em diversos casos, o único meio de comunicação em mais de 700 comunidades isoladas, além de atuarem nos 22 municípios do Estado.
Paralelamente, os ambientes digitais ampliam a capacidade de diálogo com a população, permitindo maior interação, transparência e agilidade na divulgação das ações governamentais. A combinação entre tradição e inovação é uma das marcas da comunicação pública no Acre.
Além da dimensão tecnológica, comunicar na Amazônia exige sensibilidade social. A diversidade cultural, os modos de vida, as formas de organização comunitária e as especificidades regionais precisam ser considerados na construção das narrativas institucionais. Não se trata apenas de informar, mas de dialogar com realidades distintas, respeitar identidades e promover inclusão.
Nesse processo, os dados e as métricas assumem papel estratégico. O monitoramento de alcance, engajamento e impacto permite ajustes permanentes nas estratégias, garantindo maior eficiência, maior aderência às demandas sociais e maior efetividade das políticas públicas.
A formação contínua das equipes, a valorização dos servidores e o investimento em inovação também são pilares fundamentais para a sustentabilidade do Sistema Público de Comunicação e para a consolidação de uma comunicação pública responsável.
Comunicar na Amazônia, portanto, é exercer um trabalho técnico, político, jurídico e social. É compreender que a informação pública é um direito fundamental e que sua qualidade impacta diretamente a democracia, a participação social e a confiança nas instituições.
Mais do que divulgar ações governamentais, o Sistema Público de Comunicação do Acre constrói pontes entre gestão e população. Fortalece vínculos sociais, consolida uma cultura de transparência, amplia o acesso aos direitos e contribui para a transformação de realidades por meio da informação.
Em um território desafiador e diverso, comunicar com responsabilidade, sensibilidade e estratégia é uma forma concreta de promover cidadania, inclusão e desenvolvimento. Na Amazônia, informar é também cuidar, educar, mobilizar e fortalecer a democracia.
Ao final, permanece uma convicção: na Amazônia, comunicar é, acima de tudo, cuidar das pessoas por meio da informação. É fortalecer direitos, promover cidadania e consolidar a democracia.
*Verônica Pimentel é chefe do Departamento de Marketing e Inovação da Secretaria de Estado de Comunicação do governo do Acre (Secom); publicitária; especialista em Marketing Digital e Comportamento do Consumidor; mestranda em Comunicação Digital, com ênfase em Marketing Político.
Fonte: Governo AC
ACRE
‘Sentimento de ser acreano é único’, afirma Mailza ao destacar o estado como referência em desenvolvimento e preservação
Em uma noite marcada por homenagens e celebração de índices que apontam o desenvolvimento do Acre, a governadora Mailza Assis conduziu a cerimônia de 64 anos de elevação à categoria de Estado da Federação Brasileira nesta segunda-feira, 15. A data marca a sanção da Lei Federal nº 4.070, assinada pelo presidente João Goulart em 15 de junho de 1962, transformando o então Território Federal do Acre em uma das unidades da Federação.
Governadora destacou avanços do estado. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomA cerimônia contou com a troca da bandeira, a execução dos hinos estadual e nacional e o destaque especial para o sobrevoo de um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), que conduziu a bandeira do Acre em ato simbólico de valorização da identidade estadual.
A maior honraria concedida pelo Estado do Acre, a Ordem da Estrela do Acre, foi entregue a personalidades que marcaram a história e o serviço público acreano. Entre os homenageados está Iolanda Ferreira Lima, conhecida como Iolanda Fleming, primeira governadora do Acre, que recebeu a insígnia no Grau de Grã-Cruz, o mais elevado da ordem. O ato é um dos mais simbólicos, uma vez que Mailza é a segunda mulher a ocupar o cargo após 40 anos.
Também foi agraciado, no mesmo grau, Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto, procurador-geral do Ministério Público do Acre, reconhecido por sua trajetória no serviço público estadual.
No Grau de Grande Oficial, a condecoração foi entregue a Dulcinéia Benício de Araújo, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Enquanto Michel Jean Creiglow, pastor da Igreja Batista em Cruzeiro do Sul, e Luiz Gonzaga de Lima, presidente da Assembleia de Deus em Rio Branco, receberam a insígnia no Grau de Cavaleiro.
Evento marcado os 64 anos do Acre como estado. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomA cerimônia também prestou homenagem póstuma às servidoras Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa, mortas durante o ataque a uma escola em Rio Branco no dia 5 de maio. Ambas receberam, in memoriam, a insígnia no Grau de Cavaleiro da Ordem da Estrela do Acre, em reconhecimento ao legado e ao impacto de suas vidas dedicadas à educação.
Um Acre plural que cresce
A governadora Mailza Assis destacou a importância da data e ressaltou o orgulho do povo acreano. “Hoje é um dia especial para todos nós. É dia de celebrar a nossa história, de honrar aqueles que vieram antes de nós e de renovar a esperança no futuro do nosso Acre”, afirmou.
Mailza lembrou que cada acreano carrega consigo uma história, uma luta e um sonho, e que, apesar das diferenças, existe um sentimento comum que une a população. Segundo ela, esse mesmo sentimento esteve presente nas primeiras comunidades indígenas, nos seringueiros que atravessaram a floresta e nos que proclamaram um Estado independente há mais de cem anos.
Familiares da tia Zena receberam homenagem in memoriam de sua dedicação ao serviço público. Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom“O sentimento de ser acreano é único. Não pode ser explicado, apenas sentido e compreendido por quem ama esta terra”, disse.
A governadora ressaltou que tem vivido essa emoção de forma intensa nos últimos meses, ao assumir o comando do governo estadual. Ela destacou os avanços recentes do Acre, que tem se destacado nacionalmente pelo crescimento econômico e pela capacidade de gerar oportunidades.
“Um Acre que mostra ao Brasil e ao mundo que é possível crescer, produzir e preservar ao mesmo tempo”, declarou.
Mailza frisou, no entanto, que acima dos números estão as pessoas. “Celebramos as famílias que encontraram novas oportunidades, os jovens que acreditam em seus sonhos, os trabalhadores que constroem o nosso Estado todos os dias e todos aqueles que não desistiram de acreditar em um Acre melhor”, afirmou.
A governadora reconheceu que ainda há inúmeros desafios, mas garantiu que o povo acreano tem coragem, união, fé e determinação para enfrentá-los. “O povo acreano já provou muitas vezes que sabe transformar dificuldades em oportunidades e sonhos em realidade. E é com essa mesma força que continuaremos avançando”, disse.
Mailza reafirmou sua confiança no futuro do Estado. “A maior riqueza do Acre não está apenas em suas florestas, rios ou terras. A maior riqueza do Acre está nas pessoas. Tenho fé e convicção de que estamos construindo um Acre cada vez mais forte, mais desenvolvido e mais humano”, concluiu, desejando que Deus continue guiando e abençoando a população.
Orgulho e esperança
A chefe de Estado ressaltou que a data representa orgulho, pertencimento e esperança para todos os acreanos. “Hoje é um dia muito feliz para todos, seja para quem vive na cidade, no campo, ao longo dos rios ou nas aldeias indígenas. É o momento de comemorar e agradecer a Deus por essas conquistas, mas também de renovar a esperança no desenvolvimento e na proteção das nossas famílias, produtores, crianças, jovens e adultos”, afirmou.
Ao ser questionada sobre o sentimento de assumir o cargo de chefe do Executivo em seu primeiro ano de mandato, Mailza disse que vive “sentimentos de gratidão a Deus, de responsabilidade e de muito compromisso com a população”.
O objetivo, disse, é trabalhar cada vez mais para alcançar as pessoas e oferecer paz e esperança a todos que desejam um Acre melhor.
A governadora também destacou a homenagem prestada à ex-governadora Iolanda Fleming, primeira mulher a assumir o comando do Acre. “Iolanda Fleming foi uma das primeiras governadoras do Brasil, sempre à frente e com conquistas importantes. Isso representa o nosso papel e a oportunidade das mulheres de participar da vida pública e da política”, declarou.
Mailza lembrou que ser a segunda mulher a governar o Acre é motivo de orgulho e agradecimento. “É também um compromisso de lutar sempre pela presença da mulher na política e pela participação de todos os acreanos na construção do nosso desenvolvimento e na valorização do nosso Estado”, concluiu.
Iolanda fala do orgulho e importância do reconhecimento com homenagem recebida. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomReconhecimento
A ex-governadora Iolanda Fleming foi homenageada com a maior condecoração estadual, entregue pelas mãos da atual governadora Mailza Assis.
Emocionada, Iolanda afirmou que a homenagem lhe trouxe “uma sensação difícil de explicar” e confessou que não se considera merecedora de tanto reconhecimento. “A gente sente uma emoção muito grande”, disse, acrescentando que sua fé em Deus a fortalece e que espera ver novas mulheres eleitas para governar o Acre.
Primeira mulher a assumir o governo do Estado, Fleming lembrou das ações voltadas ao fortalecimento da mulher durante sua gestão, como a criação da Delegacia da Mulher. Ela destacou, porém, que os desafios ainda são grandes e que é preciso envolver toda a sociedade. “Não adianta falar só da mulher. É preciso chamar o homem também, chamar o casal, para juntos enfrentarmos os problemas”, afirmou.
Ao receber a honraria, Iolanda ressaltou o simbolismo de ver outra mulher no comando do Acre, quatro décadas após sua gestão. “Estar aqui representando o Estado como a segunda mulher governadora é motivo de orgulho e agradecimento aos acreanos que deram essa oportunidade. É também um compromisso de lutar sempre pela presença da mulher na política e pela participação de todos os acreanos na construção do nosso desenvolvimento”, concluiu.
Público ae reuniu para celebrar os 64 anos do Acre como estado. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomEternizadas
O marido de Alzenir da Silva, conhecida como tia Zena e morta no ataque ao Instituto São José, falou sobre a saudade que sente e destacou a importância da honraria recebida em sua memória.
“Além da dignidade, do carinho e do respeito que tinha pelo próximo, Zena era única”, afirmou Roberto Bernardo da Silva.
Roberto contou que a honraria será recebida pela filha do casal, em respeito ao momento difícil vivido pela família. “Passei para minha filha, porque depois dela, é minha filha quem representa. Estamos enfrentando uma dor muito grande com a perda, ainda não caiu a ficha. É muito difícil, principalmente porque minha filha está com um bebê recém-nascido”, disse.
Ele ressaltou que tem buscado forças na fé para enfrentar o vazio deixado pela ausência da esposa. “Entreguei na mão de Deus, que tem nos dado força para superar e preencher esse vazio que está acontecendo na minha vida”, concluiu emocionado.
Aos 64 anos do Acre como estado, governadora destaca avanços e preservação. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomPreservação da memória
A acreana Raquel Maia marcou presença para acompanhar o filho que estuda no Colégio Militar Tiradentes, em Rio Branco. Orgulhosa, ela destacou a importância de participar de momentos que valorizam a história e a cultura do estado.
“Me sinto muito honrada em prestigiá-lo nesse evento. Amo meu estado e minha cidade, por isso sempre que possível estou presente em atividades como esta”, afirmou.
Raquel relembrou ainda sua própria trajetória escolar, ressaltando que, na juventude, também participava de eventos semelhantes. “Na idade do meu filho eu estudava no Imaculada Conceição e vivenciava experiências parecidas. São aprendizados que levamos para a vida”, disse.
Bandeira do Acre é trocada durante cerimônia. Foto: Dhárcules Pinheiro/SecomPara ela, iniciativas como essa fortalecem a identidade cultural do Acre e incentivam os jovens a se envolverem com a história local. “É muito importante que eles estejam inseridos nesse contexto”, concluiu.
Jailson Oliveira esteve acompanhando sua filha de 15 anos, estudante do Colégio Militar Tiradentes.
Ele ressaltou a importância de participar de atividades que valorizam tanto a educação quanto a cultura local.
“Sempre faço questão de estar presente, porque a educação dos nossos filhos exige acompanhamento diário para observar sua evolução. É fundamental incentivar a juventude a estudar, já que o estudo é o caminho”, destacou.
Além da relevância da educação, Jailson enfatizou o papel das tradições na preservação da identidade acreana.
“Se não mantivermos a tradição, o acreano acaba esquecendo sua história. É preciso valorizar e transmitir essa trajetória para que os jovens se reconheçam nela”, afirmou.
Para ele, iniciativas como essa fortalecem a memória coletiva e aproximam a juventude da cultura e da história do Acre, garantindo que esses valores sejam perpetuados pelas novas gerações.
Fonte: Governo AC
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura de Rio Branco mobiliza rede de saúde e intensifica enfrentamento às síndromes respiratórias
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura lança Marca Turística e apresenta Plano Municipal para impulsionar o turismo em Rio Branco
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásPrefeitura de Rio Branco promove “Aulão da Torcida” na Praça da Revolução, nesta quinta-feira (11)
-
POLÍTICA6 dias atrásEduardo Ribeiro cobra rigor na apuração sobre queda de ponte em Sena Madureira e pede fiscalização dos recursos públicos
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásReunião da CIR fortalece integração regional e avança em pautas estratégicas para a saúde pública
-
ESPORTES4 dias atrásCoreia do Sul vence de virada a República Tcheca na estreia da Copa do Mundo
-
POLÍTICA5 dias atrásEdvaldo Magalhães propõe comissão da Aleac para acompanhar apuração sobre desabamento da ponte em Sena Madureira
-
AGRONEGÓCIO4 dias atrásExportações recordes de carnes movimentam mais de R$ 10 bilhões

