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Mercado do boi gordo reage em janeiro e retoma trajetória de alta

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Retomada após meses de pressão sobre os preços

O mercado do boi gordo iniciou o ano em forte recuperação, revertendo o cenário de estabilidade e queda observado nos últimos meses de 2025. Segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o movimento de alta foi sustentado por uma combinação de exportações robustas, oferta restrita e firmeza nas carcaças.

Em 10 de fevereiro, a arroba do boi gordo foi negociada a R$ 337 em São Paulo, o que representa alta de 6% frente a 15 de janeiro — um avanço de R$ 20/@ em menos de um mês e superando o pico anterior de R$ 328/@ registrado em abril de 2025.

Exportações aquecidas e queda nos abates fortalecem o mercado

A reação do mercado foi impulsionada por exportações aquecidas e redução na oferta de animais terminados.

Os embarques de carne bovina in natura totalizaram 231,8 mil toneladas em janeiro, alta de 28,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O preço médio foi de US$ 5,6 mil por tonelada, uma leve retração de 0,6% frente a dezembro.

Os envios para a China cresceram 31% e, para os Estados Unidos, 63%, com incremento também nos demais principais destinos. Já os dados preliminares de abate indicaram uma queda de 5% frente ao início do ano anterior, acompanhada por menor participação de fêmeas, o que reforçou o viés de alta dos preços.

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Mercado interno mantém firmeza mesmo em mês sazonalmente fraco

Mesmo com janeiro tradicionalmente marcado por menor consumo de carnes, o mercado doméstico se mostrou resiliente. Enquanto as carnes de frango e suína registraram queda, os preços das carcaças bovinas se mantiveram firmes, sustentando as margens da indústria.

O spread da carcaça casada, que mede a diferença entre o preço pago pelo boi e o valor obtido na venda da carne, chegou a 10% em janeiro, ante 4% em novembro de 2025. Com o reajuste nas cotações do boi gordo, o índice recuou para aproximadamente 6%, voltando à média histórica.

Demanda externa deve sustentar preços no curto prazo

A combinação entre exportações fortes e oferta controlada tende a manter os preços em patamares firmes nas próximas semanas. O relatório do Itaú BBA destaca que, se a demanda chinesa permanecer intensa, há espaço para novas valorizações, mesmo durante o período de safra.

Entretanto, a instituição alerta que a gestão da cota de exportação chinesa será decisiva para evitar movimentos bruscos de mercado e impactos sobre a demanda no segundo semestre.

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Cota chinesa e incertezas no comércio internacional

Após a imposição de medidas de salvaguarda pela China, ainda não está claro como as plantas frigoríficas brasileiras irão administrar o uso da cota de importação. A Abiec solicitou apoio do governo para coordenar o processo e evitar distorções de mercado.

Há também indefinição quanto às cargas já embarcadas e que chegaram à China a partir de 1º de janeiro, estimadas em 350 mil toneladas, que podem ficar fora da cota vigente. Caso a gestão seja mal coordenada, o cenário pode gerar uma pressão altista temporária nos preços, seguida por ajustes negativos após o preenchimento da cota.

Perspectivas: estabilidade com viés positivo

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para a China até agosto, e esse volume pode ser atingido mais cedo em 2026 caso o ritmo de embarques se mantenha acelerado.

O Itaú BBA avalia que, apesar das incertezas no comércio exterior, a tendência geral é de sustentação dos preços, apoiada por demanda externa sólida e oferta mais ajustada no início do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agro tem até dia 30 para escolher tributação que pode alterar competitividade em 2027

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Empresas do agronegócio enquadradas no Simples Nacional têm até 30 de outubro para decidir se manterão o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou se recolherão os dois tributos pelo regime regular a partir de janeiro de 2027. A escolha poderá afetar o valor dos créditos aproveitados pelos clientes e, consequentemente, a competitividade dos fornecedores.

Quem não fizer a opção continuará automaticamente no modelo tradicional, com IBS e CBS incluídos no DAS. A mudança interessa principalmente às empresas que vendem para cooperativas, indústrias, exportadores e outros compradores que aproveitam créditos tributários.

Essa limitação pode pesar na negociação. Uma cerealista, agroindústria ou fornecedora de insumos que gere pouco crédito poderá se tornar menos atraente para compradores empresariais, sobretudo quando concorrer com fornecedores capazes de transferir créditos maiores.

A alternativa prevista na reforma tributária é permanecer no Simples Nacional para os demais tributos, mas calcular IBS e CBS pelo regime regular. É o chamado modelo híbrido. A empresa continua recolhendo pelo DAS os tributos que permanecerem no Simples, enquanto apura IBS e CBS separadamente.

Nesse modelo, poderá aproveitar os créditos permitidos sobre máquinas, equipamentos, energia, serviços e outros bens e insumos adquiridos. Também poderá gerar créditos pelo regime regular para seus clientes. Em contrapartida, terá mais obrigações fiscais, necessidade de controlar entradas e saídas e possível aumento do custo contábil.

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Por isso, não existe uma resposta única para o agronegócio. Manter IBS e CBS dentro do Simples pode continuar sendo vantajoso para empresas que vendem principalmente ao consumidor final, possuem poucos gastos capazes de gerar créditos e valorizam uma operação tributária mais simples.

Já a apuração pelo regime regular merece ser simulada por empresas que vendem predominantemente a outras pessoas jurídicas, realizam investimentos elevados ou compram grande quantidade de insumos tributados. Nesses casos, os créditos podem compensar parte do aumento da burocracia e preservar a competitividade comercial.

A conta também precisa incluir os tratamentos diferenciados concedidos ao setor. A legislação prevê redução de 60% das alíquotas de IBS e CBS para determinados produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas in natura, além de insumos agropecuários incluídos nas listas legais. Há ainda operações sujeitas a alíquota zero, diferimento ou créditos presumidos.

Esses benefícios, entretanto, não alcançam automaticamente toda empresa ligada ao agronegócio. A aplicação depende do produto, da operação, da classificação fiscal e das condições previstas na legislação. Uma empresa pode ter receitas submetidas a tratamentos diferentes dentro da mesma atividade.

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A decisão, portanto, não deve considerar apenas o percentual atualmente pago no DAS. É necessário comparar o valor total dos tributos, os créditos aproveitáveis nas compras, os créditos transferidos aos clientes, o perfil das vendas, o efeito sobre os preços, o fluxo de caixa e o custo adicional de cumprimento das obrigações fiscais.

A Receita Federal informa que a opção pelo regime regular de IBS e CBS poderá ser feita até 30 de outubro de 2026. Quem não optar continuará recolhendo os dois tributos dentro do Simples. A escolha poderá ser cancelada entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Haverá uma nova oportunidade em março de 2027, com efeitos a partir de julho.

Para as empresas do agro, o Simples não deixou de ser uma boa opção. O que terminou foi a segurança de escolhê-lo apenas porque a alíquota parece menor. A partir de 2027, o crédito tributário concedido ao comprador pode ser tão importante quanto o imposto pago pelo fornecedor.

Fonte: Pensar Agro

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