AGRONEGÓCIO
Alta de 30% expõe desequilíbrio entre oferta restrita e consumo elevado
AGRONEGÓCIO
A disparada do feijão carioca em fevereiro, ao atingir o maior valor da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, núcleo de pesquisa vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), recoloca no centro do debate um mercado estratégico para o consumo doméstico e sensível a oscilações de oferta. O avanço de 29,3% em apenas um mês — a maior variação mensal já apurada pelo Cepea para o produto — ocorre em um país que é, ao mesmo tempo, grande produtor, consumidor relevante e exportador pontual do grão.
O Brasil produz, em média, entre 2,8 milhões e 3,3 milhões de toneladas de feijão por ano, a depender do ciclo climático e da área plantada. Diferentemente de outras culturas, o feijão é cultivado em três etapas ao longo do ano: primeira safra (das águas), segunda safra (da seca) e terceira safra (de inverno, irrigada em parte).
Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e São Paulo figuram entre os principais Estados produtores. O Paraná, em especial, alterna liderança entre feijão carioca e preto, influenciando diretamente a formação de preços no mercado interno.
Por se tratar de cultura de ciclo curto e altamente dependente do regime de chuvas, o feijão apresenta volatilidade superior à de grãos como soja e milho. Pequenas quebras de produtividade na primeira safra costumam ter impacto imediato nas cotações.
O feijão é base da alimentação brasileira. O consumo per capita oscila entre 14 e 17 quilos por ano, com variações regionais. No Sudeste, Centro-Oeste e parte do Norte predomina o feijão carioca, de grão bege com listras marrons. No Sul e no Rio de Janeiro, o feijão preto lidera a preferência. Há ainda nichos relevantes de feijão caupi (ou feijão-de-corda), comum no Nordeste, e de variedades como jalo, rosinha e rajado.
Essa segmentação regional cria mercados relativamente independentes entre si, o que explica movimentos distintos de preços entre o carioca e o preto, como observado em fevereiro.
Ao contrário da soja, o feijão não é uma commodity essencialmente exportadora. A maior parte da produção é absorvida internamente. O Brasil exporta volumes pontuais — principalmente feijão preto e caupi — para países da América Latina, Caribe e, mais recentemente, para mercados africanos e do Oriente Médio.
Em anos de quebra de safra ou oferta restrita, o país recorre à importação, sobretudo da Argentina, da Bolívia e do Paraguai, no caso do feijão preto, e eventualmente da China no caso do caupi. Essas compras externas funcionam como válvula de ajuste, mas não eliminam a pressão altista quando a disponibilidade doméstica é baixa.
Segundo o Cepea, a forte valorização do carioca em fevereiro decorre da combinação entre oferta limitada da primeira safra e demanda estável no varejo. Mesmo com o avanço da colheita em algumas regiões, o volume disponível não foi suficiente para recompor estoques.
A liquidez moderada observada no fim do mês indica um mercado seletivo: compradores adquirem apenas o necessário para reposição, evitando formação de estoques elevados diante de preços historicamente altos. Ainda assim, a restrição do produto no campo sustentou as cotações.
No caso do feijão preto, as médias de fevereiro foram as maiores desde janeiro de 2025, refletindo movimento semelhante de ajuste entre oferta e procura.
A evolução da segunda safra será determinante para o comportamento dos preços no curto prazo. No Paraná — Estado-chave para o abastecimento nacional — as condições climáticas exigem atenção, pois irregularidades de chuva podem comprometer produtividade e qualidade do grão.
Se o volume colhido vier dentro do esperado, a tendência é de acomodação das cotações nas próximas semanas. Caso contrário, o mercado pode manter o viés de firmeza, sobretudo no carioca, cuja formação de preços é mais sensível à oferta imediata.
Em um país onde o feijão tem peso cultural e impacto direto na inflação dos alimentos, oscilações como a de fevereiro transcendem o campo e chegam rapidamente ao bolso do consumidor.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura nas Ruas acompanha demandas de infraestrutura em diferentes comunidades de Rio Branco
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco articula com Cedim criação de organismo de políticas para as mulheres na capital
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco celebra aniversário do bairro Aeroporto Velho e anuncia reforma do Centro Cultural Lydia Hammes
-
TJ AC6 dias atrásAções do TJAC fortalecem o diálogo sobre a proteção de estudantes no Acre
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco mantém 12 frentes de serviços nas ruas de Rio Branco neste sábado
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásInteligência artificial leva dieta sob medida a bois e suínos
-
SEM CATEGORIA4 dias atrásNota Informativa: Prefeitura de Rio Branco obtém decisão favorável em ação movida pela Viação Aquiry
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásPesquisa transformou o caroço de açaí em nanofertilizante