AGRONEGÓCIO
Câmara aprova urgência para projeto que fortalece o seguro rural e amplia proteção ao produtor
AGRONEGÓCIO
Câmara dos Deputados dá prioridade à proposta que moderniza o seguro rural
A Câmara dos Deputados aprovou o pedido de urgência para a tramitação do Projeto de Lei (PL) 2951/2024, que busca fortalecer o sistema de seguro rural no Brasil. A iniciativa atende à crescente demanda do setor agropecuário por mais estabilidade e previsibilidade diante das perdas causadas por eventos climáticos extremos e das dificuldades no acesso ao crédito e ao financiamento de apólices.
O requerimento de urgência (REQ 212/2026) é de autoria do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O projeto, apresentado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA no Senado, é considerado estratégico para o fortalecimento da política agrícola nacional e para a mitigação dos riscos produtivos no campo.
Proposta traz mais segurança e eficiência ao seguro rural
Segundo o deputado Pedro Lupion, o avanço do projeto é essencial diante da recorrência de eventos climáticos severos, que têm comprometido a renda do produtor rural, o equilíbrio das cadeias produtivas e os preços dos alimentos.
O parlamentar destacou que a proposta enfrenta um dos principais desafios do setor: a instabilidade e insuficiência de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O texto também busca aprimorar a segurança jurídica, a eficiência fiscal e o modelo de governança do sistema, tornando-o mais robusto e previsível para produtores, seguradoras e instituições financeiras.
Urgência acelera votação e dá previsibilidade antes do plantio das próximas safras
Com a aprovação da urgência, o PL 2951/2024 passa a ter tramitação mais rápida na Câmara, podendo ser votado diretamente no plenário. Para Lupion, a medida é fundamental devido à proximidade das novas safras, que exigem planejamento e estabilidade nas regras para o seguro rural.
O deputado ressaltou que previsibilidade e proteção financeira são pilares essenciais para garantir a segurança econômica do agronegócio brasileiro e incentivar o investimento em novas tecnologias e práticas sustentáveis no campo.
Apoio de parlamentares e atenção aos impactos climáticos no Sul do país
Durante o debate em plenário, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) manifestou apoio à proposta e destacou as dificuldades vividas pelos produtores do Rio Grande do Sul após as enchentes que afetaram o estado. O parlamentar defendeu a urgência na tramitação como uma resposta necessária à gravidade da situação enfrentada no campo e ao aumento da vulnerabilidade climática.
Com a urgência aprovada, o projeto segue agora para votação de mérito no plenário da Câmara dos Deputados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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