AGRONEGÓCIO
Nova regra do crédito rural torna monitoramento de dados responsabilidade direta dos bancos
AGRONEGÓCIO
Mudança no crédito rural reforça dever de monitoramento das instituições
A partir de março de 2026, entra em vigor a Resolução CMN nº 5.267/2025, que redefine o padrão de acompanhamento das operações de crédito rural no Brasil. A norma estabelece que o monitoramento do uso dos recursos passa a ser responsabilidade integral das instituições financeiras, incluindo bancos, cooperativas e demais agentes do setor.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o crédito rural brasileiro já é sustentado por dados, análises técnicas e mecanismos de fiscalização. No entanto, a nova resolução eleva o nível de exigência regulatória ao determinar que o acompanhamento seja contínuo durante toda a jornada do crédito, e não apenas na concessão ou em momentos pontuais.
“A verificação da aplicação dos recursos agora precisa ocorrer de forma permanente, com o apoio de ferramentas tecnológicas como o sensoriamento remoto”, explica Pimenta.
Acompanhamento passa a ser contínuo e baseado em dados integrados
Na prática, a principal mudança está na frequência e profundidade do monitoramento. O acompanhamento do crédito rural deixa de ser concentrado em etapas específicas e passa a exigir uma análise constante e rastreável de informações.
Para atender à norma, será necessário integrar dados financeiros, cadastrais, históricos, territoriais e produtivos de forma consistente e auditável. Isso representa um desafio para muitas instituições, que precisarão investir em infraestrutura tecnológica e capacidade analítica para identificar riscos e prevenir irregularidades.
O desafio: identificar desvios e imprecisões antes da liberação do crédito
Transformar dados em informação qualificada é um dos maiores desafios do crédito rural moderno. Mais do que monitorar, é preciso interpretar corretamente os sinais que os dados trazem sobre o uso dos recursos.
Um exemplo concreto é o desvio de finalidade, quando o crédito é usado de forma diferente da planejada. De acordo com um levantamento da Serasa Experian, com base em mapeamento por satélite, 76% das operações de custeio da soja na safra 2022/23 seguiram corretamente o plano de aplicação.
Por outro lado, 24% apresentaram indícios de desvio superior a 10% da área financiada, o que exige atenção redobrada. Dentro desse grupo, 7% foram considerados casos críticos, com divergências significativas entre o cultivo financiado e o efetivamente realizado.
Esses números ajudam a dimensionar o risco e reforçam a importância de análises mais precisas. Segundo Pimenta, parte das divergências decorre de falhas cadastrais ou margens de erro técnicas, e não necessariamente de uso indevido dos recursos — o que exige inteligência analítica para diferenciar imprecisões operacionais de desvios relevantes.
Nova resolução redefine o padrão regulatório do crédito rural
A Resolução CMN nº 5.267/2025 é considerada um marco para o sistema de crédito rural brasileiro. Ao tornar o monitoramento contínuo uma obrigação formal, o Conselho Monetário Nacional eleva o nível de controle e incentiva o uso de tecnologias de análise de dados e rastreabilidade.
Para as instituições financeiras, a medida representa mais do que o cumprimento de uma norma: significa fortalecer a gestão de risco, aumentar a eficiência operacional e garantir maior transparência e segurança nas operações de crédito rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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