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Mercado de suínos inicia 2026 com queda nas cotações, mas exportações sustentam otimismo, aponta Itaú BBA

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Início de 2026 tem forte correção nos preços do suíno

O mercado de suínos iniciou 2026 com um cenário de correção significativa nas cotações. Segundo o relatório Agro Mensal, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a queda reflete o aumento da produção observado em 2025, que ampliou a oferta e pressionou o mercado doméstico.

Em São Paulo, o preço do animal vivo caiu de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro — uma retração de 23% em apenas nove dias. Esse movimento trouxe as cotações de volta a níveis semelhantes aos do início de 2024, rompendo a tendência positiva registrada no começo do ano passado, quando os preços permaneceram firmes até fevereiro.

O relatório destaca que a expansão da produção de carne suína ao longo de 2025 foi sustentada por boas margens de rentabilidade e que o ritmo de abates deve ter se mantido elevado no início de 2026, embora os dados oficiais ainda não estejam disponíveis.

Exportações crescem e ajudam a equilibrar o mercado

Apesar da pressão sobre os preços internos, o desempenho das exportações segue como um ponto de sustentação importante para o setor. Em janeiro, os embarques de carne suína in natura atingiram 100 mil toneladas, alta de 14,2% em relação ao mesmo período de 2025.

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O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelos envios para as Filipinas e o Japão, que representaram 31% e 13% do volume total exportado, respectivamente. Essa diversificação de destinos reforça o posicionamento internacional da suinocultura brasileira e reduz riscos de dependência de mercados específicos.

Custos controlados, mas margens sofrem leve compressão

Os custos de produção da suinocultura permanecem sob controle, mas a queda dos preços do animal reduziu as margens da atividade. De acordo com o Itaú BBA, o spread da suinocultura caiu de 26% em dezembro para 21% em janeiro, mesmo assim garantindo um resultado médio de R$ 206 por cabeça terminada, considerado satisfatório.

No caso das exportações, o spread também apresentou retração, impactado pela queda de 0,8% no preço da carne in natura e pela valorização do real frente ao dólar. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após encerrar o mês anterior em 42%.

Tendência é de recuperação gradual dos preços

O relatório do Itaú BBA projeta que os preços dos suínos devem reagir nas próximas semanas, impulsionados pela retomada da demanda após o período de férias e Carnaval. Além disso, o encarecimento da carne bovina tende a favorecer o consumo de carne suína no mercado interno.

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No mercado externo, o cenário permanece favorável, com exportações firmes e ampliação da base de compradores. A maior presença de destinos como as Filipinas reduz riscos e deve continuar sustentando o equilíbrio entre oferta e demanda.

Produção e custos de ração seguem como pontos de atenção

Mesmo com o ambiente positivo, o Itaú BBA alerta para dois fatores que exigem monitoramento constante: o ritmo de crescimento da produção e o comportamento dos custos de alimentação.

O banco observa que, diante das boas margens obtidas nos últimos dois anos, é natural que o abate de suínos continue em expansão. No entanto, uma eventual desaceleração das exportações poderia provocar saturação do mercado doméstico, pressionando novamente os preços.

Em relação aos custos, o cenário permanece favorável ao produtor, com expectativa de boa safra de milho safrinha nos próximos meses. Ainda assim, o relatório reforça a necessidade de cautela, já que parte do plantio ainda depende das condições climáticas e do cumprimento da janela ideal de semeadura — fator determinante para o potencial produtivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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