AGRONEGÓCIO
Exportações do Paraná crescem em 2026 e vendas para Europa e Ásia mais que dobram
AGRONEGÓCIO
As exportações do Paraná registraram forte crescimento no início de 2026, com destaque para mercados da Ásia e da Europa. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as vendas do estado para países como Japão, Singapura, Filipinas, Noruega, Polônia e Dinamarca mais que dobraram no primeiro bimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo agronegócio e pelo setor industrial, com destaque para produtos como carne de frango, petróleo, carne suína, farelo de soja e equipamentos industriais.
Exportações para países asiáticos registram crescimento expressivo
Entre os mercados asiáticos, o crescimento foi especialmente significativo nas exportações para Japão, Singapura e Filipinas.
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026:
- As vendas para o Japão cresceram 107%, impulsionadas principalmente pela exportação de carne de frango.
- Para Singapura, o aumento foi de 103%, com destaque para o petróleo.
- Já as exportações para as Filipinas avançaram 124%, com crescimento puxado pela carne suína.
Esse avanço reforça a importância crescente da Ásia como destino dos produtos paranaenses.
Europa também amplia compras de produtos do Paraná
O comércio com países europeus também apresentou forte expansão no primeiro bimestre de 2026.
Segundo os dados do levantamento:
- As exportações para a Noruega cresceram 176%, com destaque para torneiras e válvulas.
- Para a Polônia, o avanço foi de 282%, impulsionado principalmente pelo farelo de soja.
- Já as vendas para a Dinamarca aumentaram 130%, também com forte participação do farelo de soja.
O crescimento das vendas para esses mercados demonstra a diversificação da pauta exportadora do estado.
Participação desses mercados nas exportações aumenta
Com a expansão das vendas para esses destinos, os seis mercados passaram a representar uma parcela maior das exportações totais do Paraná.
Juntos, Japão, Singapura, Filipinas, Noruega, Polônia e Dinamarca passaram a responder por 10,1% das exportações paranaenses, bem acima da participação de 4,1% registrada no mesmo período de 2025.
Diversificação de mercados fortalece comércio exterior
De acordo com o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, a diversidade de destinos e produtos é um dos principais diferenciais do comércio exterior paranaense.
Segundo ele, essa característica reduz a dependência de mercados específicos e amplia as oportunidades para o estado no cenário internacional.
“Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, as mercadorias paranaenses alcançaram 183 mercados, em transações que envolveram cerca de 3 mil itens diferentes”, afirmou Callado.
Exportações do Paraná superam US$ 3 bilhões em 2026
De forma geral, o Paraná movimentou US$ 3,1 bilhões em exportações no primeiro bimestre de 2026. Somente no mês de fevereiro, as vendas externas somaram US$ 1,7 bilhão.
Entre os principais produtos exportados pelo estado estão:
- Carne de frango: US$ 698 milhões
- Soja em grão: US$ 425 milhões
- Farelo de soja: US$ 191 milhões
- Papel: US$ 137 milhões
Entre os produtos com maior crescimento de vendas no período, o destaque foi o óleo de soja bruto, cujas exportações aumentaram 98%, passando de US$ 55 milhões para US$ 110 milhões.
China segue como principal destino das exportações
Apesar do crescimento de novos mercados, a China continua sendo o principal destino das exportações do Paraná.
No primeiro bimestre de 2026, os principais compradores dos produtos paranaenses foram:
- China: US$ 581 milhões
- Argentina: US$ 130 milhões
- Índia: US$ 108 milhões
- Emirados Árabes Unidos: US$ 106,8 milhões
- México: US$ 106,6 milhões
O comércio com a Índia também apresentou forte expansão no período, com crescimento de 95% em relação ao ano anterior.
Balança comercial registra superávit
No primeiro bimestre de 2026, o Paraná registrou superávit de US$ 434 milhões na balança comercial.
O resultado é a diferença entre US$ 3,1 bilhões em exportações e US$ 2,7 bilhões em importações, indicando saldo positivo nas transações internacionais do estado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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