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Exportações de Açúcar do Brasil Crescem 44% em Fevereiro e Sustentam Faturamento Apesar da Queda nos Preços
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Exportações de Açúcar Avançam em Volume no Início de Fevereiro
As exportações brasileiras de açúcar e melaços registraram forte alta nos primeiros dez dias úteis de fevereiro de 2026, com média diária 44% superior à observada no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em 2025, o país embarcou, em média, 91.257,5 toneladas por dia, totalizando 1,82 milhão de toneladas ao longo de fevereiro. Já neste ano, a média diária subiu para 131.384,7 toneladas, com embarques acumulados de 1,31 milhão de toneladas até o momento.
O resultado consolida o açúcar como um dos principais produtos da pauta exportadora agroindustrial brasileira, reforçando o protagonismo do setor sucroenergético no superávit comercial do país.
Preços Sofrem Queda, Mas Receita se Mantém em Alta
Apesar do expressivo avanço no volume exportado, os preços médios internacionais recuaram 22,6% na comparação com o mesmo mês de 2025. O valor da tonelada caiu de US$ 477,80 para US$ 370,10, refletindo a pressão global sobre as commodities agrícolas diante da maior oferta e do cenário de acomodação nos contratos futuros.
Mesmo assim, o faturamento médio diário das exportações cresceu 11,5%, saltando de US$ 43,6 milhões para US$ 48,6 milhões. Com isso, o Brasil já acumula US$ 486,2 milhões em receitas com açúcar e melaços nos dez primeiros dias úteis de fevereiro — valor que deve superar, até o fim do mês, os US$ 872 milhões registrados em todo o fevereiro de 2025.
Setor Sucroenergético Mantém Competitividade no Cenário Global
O desempenho das exportações reflete a competitividade do setor sucroenergético brasileiro, sustentada pela eficiência produtiva, tecnologia de moagem e estratégias de diversificação entre açúcar e etanol.
Especialistas do mercado avaliam que o Brasil segue consolidado como o maior exportador mundial de açúcar, respondendo por mais de 40% do comércio global. A demanda internacional tem sido impulsionada por países da Ásia e do Oriente Médio, que seguem ampliando suas compras diante de menores colheitas na Índia e na Tailândia.
Cenário Econômico: Banco Central Mantém Política Monetária de Controle da Inflação
No contexto macroeconômico, o Banco Central do Brasil mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, buscando equilibrar o combate à inflação com o estímulo à atividade econômica.
De acordo com o Boletim Focus de fevereiro de 2026, a projeção do mercado financeiro para o crescimento do PIB nacional neste ano é de 2,3%, com inflação próxima a 3,8% — dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O setor agroexportador, em especial o de commodities como açúcar, soja e milho, continua sendo um dos pilares da balança comercial brasileira, garantindo entrada de divisas e estabilidade cambial mesmo em um cenário de juros elevados e volatilidade internacional.
Perspectivas: Exportações Devem Seguir em Alta ao Longo do Ano
A expectativa é de que o ritmo de embarques siga acelerado até o fim do primeiro semestre, impulsionado pelo bom desempenho da safra 2025/26 e pela demanda firme no mercado externo.
Produtores e tradings brasileiras seguem atentos à movimentação cambial e à política de juros, fatores que influenciam diretamente na competitividade do açúcar brasileiro no exterior.
Com o real mais valorizado e o custo de produção estável, o Brasil mantém posição de liderança global e deve encerrar 2026 com novo recorde nas exportações do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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