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Açúcar encerra semana com oscilações nas bolsas internacionais e recuperação no mercado brasileiro

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Bolsas internacionais apresentam movimentos mistos

O mercado do açúcar encerrou a semana com oscilações nas principais bolsas internacionais, refletindo tanto fatores geopolíticos quanto fundamentos de oferta e demanda. Na ICE Futures de Nova York, o açúcar bruto registrou leve queda no contrato de maio/2026, a 14,37 cents por libra-peso, enquanto os contratos de julho e outubro avançaram marginalmente para 14,57 e 14,93 cents/lbp, respectivamente.

Em Londres, o açúcar branco também apresentou comportamento misto. O contrato de maio/2026 fechou a US$ 415 por tonelada, com alta de US$ 0,70, enquanto agosto/2026 subiu US$ 0,20, para US$ 420, e outubro/2026 permaneceu estável a US$ 423,50.

Segundo analistas, o mercado futuro segue influenciado pelo aumento do preço do petróleo e pela volatilidade geopolítica, que impactam diretamente os custos de energia e transporte, elementos que afetam a competitividade e os preços do açúcar globalmente.

Mercado interno brasileiro reage com leve alta

No Brasil, o indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, apresentou recuperação nesta sexta-feira (13). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 97,24, alta diária de 1,51%. Apesar da reação, o acumulado de março ainda mostra queda de 1,37%, refletindo a pressão no mercado físico paulista nos últimos dias.

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Analistas do Notícias Agrícolas destacam que a valorização do dólar favorece as exportações brasileiras, enquanto a alta do petróleo tende a estimular maior produção de etanol, influenciando o mix da safra 2026/27 no Centro-Sul, que deve priorizar biocombustível frente ao açúcar.

Produção e fundamentos da safra 2026/27

De acordo com projeções da Archer Consulting, a safra de cana do Centro-Sul deve alcançar cerca de 625 milhões de toneladas, resultando em aproximadamente 40 milhões de toneladas de açúcar, com um mix de produção levemente mais voltado ao etanol, próximo de 52%.

O mercado se mostra sensível a qualquer variação nos preços de petróleo, gasolina e câmbio, fatores que podem alterar rapidamente o direcionamento da produção e pressionar os custos de produção do açúcar VHP, estimados em 17 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos.

Desafios do mercado internacional

Apesar do aumento do petróleo para acima de US$ 100 por barril, os preços do açúcar registraram apenas movimentos modestos. A produção mundial cresce a 1,16% ao ano, enquanto o consumo avança a 0,58% ao ano, resultando em oferta global ligeiramente superior à demanda.

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O mercado internacional ainda depende de poucos exportadores, com Brasil e Tailândia concentrando grande parte da oferta global. Pequenas mudanças na produção desses países podem provocar oscilações significativas nos preços.

Fundos especulativos permanecem com posições vendidas relevantes, influenciando o comportamento das cotações e limitando movimentos de alta, mesmo diante de tensões geopolíticas e energética global.

Perspectiva para os próximos dias

Os especialistas apontam que o mercado de açúcar continuará reagindo a uma combinação de fatores: volatilidade geopolítica, preços do petróleo, condições climáticas, câmbio e posicionamento de fundos. O vencimento maio-26 do açúcar VHP encontra resistências entre 14,80 e 15,41 centavos por libra-peso e suportes a 14,12 e 13,60 centavos, indicando uma janela de negociação sensível para produtores e investidores.

O cenário destaca a importância de estratégias cuidadosas na safra que se inicia, equilibrando produção de açúcar e etanol e monitorando os efeitos do mercado internacional sobre o preço do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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