AGRONEGÓCIO
Bauer e Irrigaterra firmam parceria para ampliar projetos de irrigação no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul
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Parceria estratégica busca ampliar o acesso à irrigação no Brasil
A Bauer do Brasil, multinacional austríaca reconhecida globalmente por seus sistemas de irrigação, e a Irrigaterra, empresa brasileira sediada em Pereira Barreto (SP), anunciaram uma parceria estratégica voltada à expansão da agricultura irrigada no Oeste de São Paulo e no Mato Grosso do Sul.
A iniciativa une tecnologia internacional e conhecimento regional, com o objetivo de ampliar o acesso a soluções modernas de irrigação, fortalecer a segurança hídrica no campo e impulsionar projetos agrícolas em regiões com grande potencial produtivo.
Mudanças climáticas ampliam importância da irrigação
Nas últimas décadas, o clima tem se consolidado como um dos principais fatores de risco para a produção agrícola. A maior variabilidade climática, com eventos extremos como estiagens prolongadas, ondas de calor e chuvas irregulares, tem impactado diretamente a produtividade no campo.
Embora essas condições estejam fora do controle direto dos produtores, seus efeitos podem ser minimizados com tecnologias de manejo e sistemas eficientes de irrigação.
Quando aplicada de forma técnica e planejada, a irrigação permite atender às necessidades específicas das culturas, garantindo maior estabilidade produtiva, previsibilidade nas colheitas e uso mais eficiente dos recursos naturais.
Aliança une tecnologia global e experiência regional
A Irrigaterra possui unidades em Pereira Barreto (SP), Votuporanga (SP) e Paranaíba (MS) e atua desde 1993 no desenvolvimento de projetos de irrigação para a agricultura regional.
Segundo Luiz Alberto Roque, CEO da Bauer no Brasil e CEO da Irricontrol, a parceria representa um passo estratégico para as duas empresas.
“O avanço consistente de uma organização está diretamente ligado à qualidade das parcerias que ela constrói. É essencial contar com representantes locais que conheçam profundamente as necessidades dos produtores e atuem com proximidade e confiança”, afirma.
Para Roque, a região atendida pela Irrigaterra possui grande potencial de expansão da agricultura irrigada, o que reforça a importância da cooperação entre as duas companhias.
Regiões possuem alto potencial produtivo, mas enfrentam déficit hídrico
De acordo com o professor da UNESP, Fernando Braz Tangerino Hernandez, especialista em irrigação e uso consciente da água, diversas áreas do interior paulista, de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais apresentam grande potencial produtivo.
Entre as regiões destacadas estão:
- Oeste do estado de São Paulo
- Sul de Mato Grosso do Sul
- Região do Rio Paranapanema até Assis (SP)
- Áreas ao norte do Rio Grande, avançando para Minas Gerais
- Municípios como Frutal, Carneirinho, Iturama e São Francisco de Sales (MG) e Costa Rica (MS)
Apesar da precipitação média anual próxima de 1.200 mm, a distribuição irregular das chuvas e os solos arenosos com baixa retenção de água provocam um déficit hídrico que pode durar entre sete e oito meses por ano.
Segundo o especialista, esse cenário exige investimentos em segurança hídrica e sistemas eficientes de irrigação para garantir sustentabilidade na produção de alimentos.
Tecnologia e inovação para gestão inteligente da irrigação
Com a nova parceria, a Bauer amplia a oferta de soluções tecnológicas voltadas à eficiência operacional e ao desempenho agronômico dos sistemas de irrigação.
De acordo com Helton Franco, diretor de Vendas e Marketing da Bauer do Brasil e CMO da Irricontrol, os equipamentos da empresa incluem pivôs centrais, carretéis e acessórios projetados para garantir maior durabilidade, uniformidade na aplicação e otimização do uso de água e energia.
Entre as principais inovações está o uso de telemetria, tecnologia que permite monitoramento remoto em tempo real de diversos parâmetros operacionais, como:
- pressão e vazão de água
- velocidade de deslocamento do equipamento
- lâmina de irrigação aplicada
- status de funcionamento do sistema
“Com dados operacionais em tempo real, o produtor ganha mais previsibilidade e segurança na gestão da irrigação”, explica Franco.
O sistema também permite identificar falhas mecânicas ou hidráulicas de forma preventiva, reduzindo paradas inesperadas e custos com manutenção corretiva. Outro recurso disponível é o monitoramento de segurança patrimonial, que envia alertas sobre possíveis interferências ou tentativas de furto no campo.
As soluções tecnológicas são desenvolvidas pela Irricontrol, divisão de inovação do Grupo Bauer.
Investimentos em estrutura e qualificação técnica
A Irrigaterra iniciou em 2026 uma nova etapa de expansão, marcada por investimentos em infraestrutura, ampliação de estoques e capacitação técnica da equipe.
Segundo Marcelo Suzuki, sócio-fundador da empresa, a parceria com a Bauer fortalece a capacidade de atuação da companhia.
“Ter ao nosso lado uma multinacional consolidada internacionalmente reforça nossa estrutura e amplia nossa capacidade de entregar projetos completos de irrigação, desde o planejamento até o pós-venda”, afirma.
Para Suzuki, a irrigação vai além da simples aplicação de água nas lavouras.
“Trata-se de gestão eficiente, economia de recursos, otimização energética e aumento consistente da produtividade”, destaca.
Atendimento ao produtor é prioridade
A Irrigaterra também mantém foco no Serviço de Satisfação ao Irrigante (SSI), um programa voltado ao acompanhamento da jornada do cliente desde o primeiro contato até a entrega e operação do projeto de irrigação.
Segundo Halisson Vieira, gerente comercial da empresa, a proximidade com o produtor é um dos pilares do negócio.
“Nossa preocupação é oferecer atendimento ágil e suporte técnico próximo do produtor, principalmente nos momentos mais críticos da operação”, afirma.
Para Vieira, a parceria com a Bauer chega em um momento de expansão territorial e ampliação dos serviços oferecidos pela empresa, fortalecendo a capacidade de entrega de soluções tecnológicas de alto nível.
“Seguimos atentos à manutenção preventiva, revisões programadas e pronto atendimento. Nosso objetivo é garantir ao irrigante uma jornada completa de experiência e satisfação, criando relações duradouras no campo”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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