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Embrapa lança projeto CaatÁgua para aumentar resistência das lavouras à seca no Semiárido

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Tecnologia para combater a seca e fortalecer a produção familiar

A Embrapa iniciou o projeto CaatÁgua, com objetivo de enfrentar um dos maiores desafios da agricultura familiar no Semiárido brasileiro: a perda de produtividade causada pela seca. A iniciativa desenvolverá um bioestimulante para aumentar a tolerância das plantas ao estresse hídrico e adaptará tecnologias de controle biológico de pragas às condições climáticas da região.

O projeto, aprovado no edital Cadeias Socioprodutivas da Agricultura Familiar e Sistemas Agroalimentares – ICT, da Finep, terá duração de 36 meses e reúne equipes de cinco estados: Paraíba, Ceará, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Segundo o pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa, a proposta busca soluções voltadas à realidade da agricultura familiar do Semiárido: “A ideia é criar tecnologias baseadas em microrganismos nativos, capazes de ajudar as plantas a suportar períodos de seca e, ao mesmo tempo, melhorar o controle de pragas em sistemas com pouca irrigação.”

Demanda de agricultores motiva pesquisa aplicada

O projeto surgiu de demandas apresentadas por agricultores familiares, que apontam a estiagem como principal causa de perdas nas lavouras. Em anos de chuva regular, outro desafio se intensifica: a alta incidência de insetos-praga que afetam culturas essenciais como feijão-caupi, milho e algodão.

Para enfrentar esses problemas, o CaatÁgua combinará tecnologias microbianas com estratégias de manejo integrado de pragas, buscando aumentar a eficiência no uso da água, reduzir perdas agrícolas e melhorar a estabilidade produtiva das propriedades familiares.

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Microrganismos da Caatinga como base de soluções

Parte das tecnologias do projeto terá origem em pesquisas da Embrapa Meio Ambiente, que desenvolveu o bioestimulante Auras, a partir da bactéria Priestia aryabhattai. O produto utiliza microrganismos isolados na Caatinga, um dos biomas mais diversos do país, e já foi estudado para amenizar os efeitos da estiagem.

Outro eixo do CaatÁgua é o controle biológico de pragas. Pesquisadores das unidades da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Algodão e Embrapa Meio Ambiente reuniram uma ampla coleção de fungos entomopatogênicos. Parte dessas linhagens será adaptada para as condições do Semiárido, caracterizadas por altas temperaturas, baixa irrigação e acesso limitado a equipamentos agrícolas.

Testes participativos em propriedades rurais

A validação das tecnologias será realizada com a Rede Borborema de Agroecologia, formada por agricultores familiares da Paraíba que cultivam algodão orgânico em consórcios com alimentos. Parte dos experimentos ocorrerá diretamente nas propriedades, garantindo que as soluções sejam adequadas à realidade do campo.

Mais de 70% das áreas cultivadas por agricultores familiares no Semiárido são ocupadas por feijão-caupi e milho. Ao fortalecer essas culturas e o cultivo agroecológico do algodão, o projeto pretende reduzir perdas e ampliar a segurança alimentar das famílias.

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Fortalecimento da agroecologia e manejo sustentável

O CaatÁgua também visa consolidar sistemas agroecológicos de produção de algodão no Nordeste, integrando o cultivo da fibra com alimentos como feijão, milho e gergelim, ampliando diversidade produtiva e renda das famílias.

Além do bioinoculante, o projeto aprimorará protocolos de manejo integrado de pragas que utilizem entomopatógenos e parasitoides, compatíveis com sistemas orgânicos e agroecológicos. Espera-se reduzir impactos ambientais, como contaminação do solo e da água, e proteger polinizadores e inimigos naturais das pragas.

Capacitação e impacto social

Durante os três anos de execução, serão realizados cursos, oficinas e materiais educativos para agricultores, formando multiplicadores de práticas sustentáveis e fortalecendo redes comunitárias.

Ao final do projeto, os pesquisadores esperam entregar dois resultados principais: um bioinoculante osmotolerante e um protocolo de manejo integrado de pragas adaptado ao Semiárido. As tecnologias terão uso livre por organizações da agricultura familiar, ampliando a resiliência produtiva, a renda das famílias e o aproveitamento da biodiversidade da Caatinga como fonte de inovação agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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