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Equilíbrio ou rendição?
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Do Centro ao Norte, o “depende” não resolve, apenas expõe. É nesse terreno instável que a dúvida se impõe: agradar a todos é possível ou toda tentativa já nasce como contradição? A resposta tende a ser negativa. Ainda assim, insistimos, não por viabilidade, mas porque a expectativa de equilíbrio, muitas vezes, pesa mais do que o reconhecimento do conflito.
Há quem aposte em números, em métricas, em porcentagens. Mas a prática mostra outra coisa: há textos que não encontram acolhimento, discursos que não se ajustam, por mais que se tente calibrá-los. A história, em diferentes momentos, já revelou os limites dessas tentativas, seja na construção política ou nas formas de conduzir a sociedade.
“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” A frase não resolve o impasse, mas delimita fronteiras. E talvez seja justamente isso que evitamos: reconhecer que nem tudo se concilia.
É por isso que agradar parece-me um verbo tendencioso ao fracasso. Já dizia minha mãe: quem muito se abaixa…
Como, afinal, encontrar medida entre interesses distintos, entre vozes que não caminham na mesma direção? Talvez o erro esteja justamente na busca por um ponto que agrade a todos. Nem toda escolha nasce para ser consenso.
Com tudo isso, é possível observar esse movimento se repetir no cotidiano. Em conversas informais, a tentativa de agradar a todos leva o diálogo a uma espécie de neutralidade, em que decisões são adiadas e posições, suavizadas. Até prazos acabam se estendendo além do necessário, não por exigência concreta, mas pelo esforço de evitar desconfortos.
No fim, o que se preserva não é exatamente o consenso, mas a sensação de que ninguém saiu contrariado.
Como jornalista, a curiosidade em aprender mais é quase um vício, e o meu vem dessa tentativa insistente de conectar a filosofia a todo o resto. Pode ser uma ilusão, admito. Mas é uma que me permito sustentar. Afinal, se Rousseau estava certo ao dizer que “quem quer agradar a todos não agrada a ninguém”, então evitar o conflito não é equilíbrio, é escolha.
E aqui, prezados, não se trata de defender o confronto pelo confronto, mas de reconhecer que toda posição tem um custo, e que fugir dele também é uma forma de decisão.
Agradar a todos não é equilíbrio, é renúncia disfarçada. E, convenhamos: perder a própria essência custa mais do que desagradar.
Danna Anute é graduada em Letras – Francês e em Jornalismo pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Atuou como repórter na Secretaria de Estado de Comunicação e, no âmbito federal, como assessora de imprensa no Ministério dos Transportes. Em Goiânia, integrou a Plural Imagem e Som, produtora premiada nacionalmente. Atualmente, é assessora de comunicação da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas, onde atua na valorização e na visibilidade dos povos originários.
Fonte: Governo AC
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Segurança pública intensifica ações em comunidades indígenas e fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), por meio do programa Acre pela Vida e da Diretoria de Políticas Públicas de Segurança, Justiça e Integração Social (DIRPSJ), realizou ao longo de toda a semana, 13 a 18 uma série de ações em comunidades indígenas com o objetivo de fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus.

A agenda contou com atividades educativas, atendimentos sociais e iniciativas esportivas, com foco na aproximação entre o poder público e a população local. Entre os destaques, esteve a formatura de estudantes do Projeto Pequeno Brilhante, que atendeu alunos do 4º ao 7º ano de escolas do município, além da entrega de kits esportivos para incentivar práticas saudáveis entre crianças e jovens.

As ações reforçam a estratégia da Sejusp de integrar políticas de segurança com iniciativas sociais, ampliando a presença institucional em regiões de difícil acesso e promovendo cidadania de forma contínua e inclusiva. Para o secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, a presença do Estado em regiões de difícil acesso reforça o papel da segurança pública como instrumento de cidadania.

“Essas ações mostram que a segurança vai além do policiamento. Estamos promovendo inclusão, diálogo e oportunidades, principalmente em comunidades indígenas, respeitando suas especificidades e fortalecendo vínculos de confiança”, destacou.

Além das atividades com estudantes, a programação incluiu palestras direcionadas ao ensino fundamental, médio e à Educação de Jovens e Adultos (EJA), abordando temas como violência contra a mulher, tráfico de pessoas e contrabando de migrantes. Durante a permanência no município, a equipe também realizou atendimentos diretos, incluindo o acompanhamento de casos de migração e o suporte imediato a uma vítima de violência doméstica.

A coordenadora do programa Acre pela Vida, Francisca de Fátima, ressaltou o caráter preventivo e transformador das ações. “Trabalhar com a comunidade, especialmente em territórios indígenas, é essencial para construir uma cultura de paz. Quando levamos informação, esporte e apoio social, contribuímos diretamente para a prevenção da violência”, afirmou.

O cronograma também contemplou visitas técnicas e escuta ativa junto às comunidades locais e instituições públicas, com o objetivo de mapear demandas e orientar futuras políticas públicas. Nas aldeias, a equipe conheceu projetos esportivos indígenas, incluindo times femininos e masculinos, realizou palestras e entregou materiais esportivos.

A assessora da DIRPSJ, Hany Cruz de Armas, destacou a importância da aproximação com os povos tradicionais. “Estar presente nas aldeias, ouvir as lideranças e contribuir com ações concretas demonstra respeito e compromisso. A segurança pública precisa dialogar com a realidade de cada comunidade, especialmente no contexto indígena”, enfatizou.
Fonte: Governo AC
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