AGRONEGÓCIO
Conflito no Oriente Médio derruba exportações brasileiras ao Golfo em março, mas trimestre mantém crescimento
AGRONEGÓCIO
O agravamento do conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro, já começa a impactar o comércio exterior brasileiro, especialmente nas exportações destinadas aos países do Golfo, importantes parceiros do agronegócio e do setor mineral.
Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que, apesar da forte queda registrada em março, o desempenho no primeiro trimestre de 2026 ainda permanece positivo, sustentado pelos bons resultados de janeiro e fevereiro.
Exportações para o Golfo caem mais de 30% em março
As exportações brasileiras para os países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — somaram US$ 537,11 milhões em março, o que representa uma queda de 31,47% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O recuo interrompe uma sequência de crescimento observada no início do ano e reflete os efeitos diretos da instabilidade geopolítica na região.
Trimestre segue positivo e supera US$ 2,4 bilhões
Apesar do desempenho negativo em março, o acumulado do primeiro trimestre apresenta crescimento. Entre janeiro e março, as exportações brasileiras para o CCG avançaram 8,14%, totalizando US$ 2,41 bilhões.
Considerando todos os 22 países acompanhados pela Câmara Árabe — incluindo nações do Levante e do continente africano —, o crescimento foi de 3,90%, com embarques que somaram US$ 5,13 bilhões no período.
Fechamento do Estreito de Ormuz impacta logística e embarques
Segundo a entidade, o fechamento do Estreito de Ormuz teve papel decisivo na queda das exportações em março. A restrição ao tráfego marítimo comprometeu o acesso a portos estratégicos da região, afetando diretamente o fluxo de mercadorias.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o impacto ainda não compromete o resultado consolidado, mas pode se intensificar dependendo da evolução do conflito.
Ele destaca que os países do Golfo concentram 47% das exportações brasileiras para o bloco árabe e vinham registrando desempenho positivo no início do ano.
Agronegócio recua no mês, mas sustenta crescimento no trimestre
O agronegócio, responsável por cerca de 75% das exportações brasileiras ao CCG, também sentiu os efeitos do conflito em março. As vendas do setor recuaram 25,38% no mês.
Ainda assim, no acumulado do trimestre, o segmento registra crescimento de 6,8%, totalizando US$ 1,44 bilhão, impulsionado por ganhos em produtos estratégicos.
Desempenho por produto mostra oscilações relevantes
Entre os principais produtos exportados, o frango — líder da pauta — teve queda de 13,80% em março, somando US$ 185,50 milhões. No entanto, no acumulado do trimestre, a retração é mais moderada, de 2,32%, com US$ 619,12 milhões exportados.
O açúcar, segundo item mais relevante, apresentou queda expressiva de 43,37% no mês, para US$ 54,07 milhões. Ainda assim, no acumulado do ano, registra alta de 26,41%, atingindo US$ 363,11 milhões.
A carne bovina apresentou desempenho positivo mesmo no período mais crítico, com crescimento de 23,87% em março, somando US$ 47,75 milhões. No trimestre, o avanço é ainda mais expressivo, de 65,29%, totalizando US$ 194,56 milhões.
O milho praticamente deixou de ser embarcado para o Golfo em março, com queda de 99,96%, totalizando apenas US$ 0,03 milhão. No entanto, no acumulado do trimestre, a retração ainda é limitada a 5,8%, com US$ 61,22 milhões.
Já o café apresentou desempenho positivo, com crescimento de 34,24% em março, alcançando US$ 9,97 milhões. No trimestre, a alta chega a 64,3%, com US$ 49,58 milhões exportados.
Queda nas importações de fertilizantes acende alerta no agro
Outro reflexo do cenário de instabilidade é a redução nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes dos países do Golfo. No primeiro trimestre, houve queda de 51,35% nesse fluxo.
A região é responsável por cerca de 10% dos fertilizantes importados pelo agronegócio brasileiro, o que torna o tema um ponto de atenção tanto para o Brasil quanto para os países árabes.
Segundo Mourad, a situação preocupa devido à interdependência comercial entre as regiões, já que os países árabes dependem do fornecimento de alimentos brasileiros, enquanto o Brasil necessita de insumos para manter sua produção agrícola.
Perspectivas dependem da evolução do conflito
O cenário para os próximos meses permanece incerto e diretamente ligado à evolução do conflito no Oriente Médio. Embora o impacto ainda não tenha comprometido os resultados do trimestre, há risco de intensificação das perdas caso as restrições logísticas e comerciais persistam.
Diante desse contexto, especialistas apontam a necessidade de monitoramento constante e de estratégias para mitigar os efeitos sobre o comércio exterior e o agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra
Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.
O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.
O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.
A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.
No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.
Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.
No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.
O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.
Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.
A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.
Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.
Fonte: Pensar Agro
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