AGRONEGÓCIO
Dólar sobe com inflação no radar e tensão externa pressiona mercados; Ibovespa inicia sessão em queda
AGRONEGÓCIO
O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (12) em clima de cautela, com o dólar operando em alta frente ao real e os investidores atentos aos indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, além do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A combinação desses fatores elevou a aversão ao risco nos mercados globais e trouxe maior volatilidade para ativos brasileiros.
Por volta das 9h10, o dólar à vista avançava 0,28%, cotado a R$ 4,9048 na venda. Já o contrato futuro da moeda norte-americana com vencimento em junho, negociado na B3, subia 0,31%, alcançando R$ 4,9270.
A valorização da moeda norte-americana ocorre após o fechamento da sessão anterior em leve queda. Na segunda-feira, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 4,8911, com recuo de 0,10%.
No cenário doméstico, o mercado repercute os dados mais recentes do IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, considerados fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central. O comportamento da inflação segue sendo acompanhado de perto por investidores, principalmente diante das discussões sobre juros, consumo e atividade econômica.
Além disso, o Banco Central brasileiro realiza nesta manhã operações cambiais para rolagem de vencimentos. Às 10h30, a autoridade monetária promoveu dois leilões de linha, totalizando US$ 1 bilhão em venda de dólares com compromisso de recompra futura. Já às 11h30, ocorreu leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional, também voltado à rolagem de vencimentos de junho.
Mercado internacional amplia cautela
No exterior, o dólar também ganha força frente a outras moedas, impulsionado pela busca global por ativos considerados mais seguros. Investidores monitoram os números da inflação norte-americana e avaliam possíveis impactos nas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.
A expectativa de juros elevados por mais tempo na economia norte-americana continua sustentando a valorização do dólar em âmbito global, pressionando moedas emergentes, incluindo o real.
As tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio também seguem no radar dos agentes financeiros, aumentando a percepção de risco internacional e contribuindo para movimentos defensivos nos mercados.
Ibovespa opera pressionado
Na renda variável, o Ibovespa iniciou o pregão sob pressão após registrar forte queda na sessão anterior. O principal índice da bolsa brasileira fechou a segunda-feira aos 181.909 pontos, com recuo de 1,19%.
Os investidores seguem adotando postura mais conservadora diante das incertezas fiscais, do ambiente externo mais desafiador e da expectativa pelos próximos indicadores econômicos globais.
Desempenho acumulado dos mercados
- Dólar
- Semana: -0,06%
- Maio: -1,22%
- 2026: -10,88%
- Ibovespa
- Semana: -1,19%
- Maio: -2,89%
- 2026: +12,90%
Analistas destacam que os próximos dias devem continuar marcados por volatilidade nos mercados financeiros, especialmente diante da agenda intensa de indicadores econômicos, das sinalizações dos bancos centrais e das incertezas no cenário geopolítico internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento
O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).
A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.
Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.
A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.
As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.
Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.
Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.
Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.
Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.
Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.
O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.
Fonte: Pensar Agro
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