AGRONEGÓCIO
Paraná acelera produção de etanol de milho e surge como novo polo energético do agronegócio brasileiro
AGRONEGÓCIO
O Paraná avança rapidamente para se consolidar como um dos principais polos de etanol de milho do Brasil. Dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural Deral, ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostram que a produção estadual do biocombustível deverá crescer 71,1% na safra 2026/27.
A produção paranaense de etanol de milho está estimada em 31,54 milhões de litros, ante 18,43 milhões de litros registrados no ciclo anterior. O crescimento acompanha a forte expansão nacional do setor, impulsionada pelo aumento da demanda por combustíveis renováveis e pela ampliação da industrialização do milho no Brasil.
Etanol de milho ganha força e já representa 28% da oferta nacional
Segundo o boletim conjuntural do Deral, a produção total de etanol no Brasil — considerando cana-de-açúcar e milho — deverá atingir 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, avanço de 8,5% sobre o ciclo anterior.
O principal motor dessa expansão é justamente o etanol de milho, que já responde por 28% da oferta nacional. O crescimento chama atenção porque, na safra 2020/21, a participação do cereal era de apenas 9%.
O avanço do setor reforça a mudança estrutural da matriz energética do agronegócio brasileiro, especialmente nas regiões produtoras de grãos.
Embora o Paraná ainda não possua um polo consolidado de etanol de milho como Mato Grosso e Goiás, o Estado vem atraindo investimentos relevantes em novas plantas industriais e ampliação da capacidade produtiva.
A expectativa do setor é que o Paraná passe a ocupar posição de destaque no mercado nacional nos próximos anos, aproveitando a elevada produção de milho e a logística estratégica da região Sul.
Produção de etanol de cana recua no Paraná
Enquanto o milho avança, a produção de etanol derivado da cana-de-açúcar no Paraná apresenta leve retração.
A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, volume 2,2% inferior ao registrado no período anterior.
Ainda assim, o segmento sucroenergético segue relevante para a economia estadual, principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Paraná.
Leite registra valorização e melhora margem do produtor
Outro destaque do boletim do Deral é o mercado leiteiro paranaense, que atravessa um período de preços mais elevados ao produtor.
Na primeira semana de maio, o litro do leite registrou alta de 5,2%, atingindo R$ 2,56. O movimento é impulsionado pela redução sazonal da captação e pelo aumento dos custos de alimentação do rebanho.
Com menor oferta disponível para as indústrias, os preços seguem sustentados, melhorando a rentabilidade das propriedades leiteiras.
Apesar do cenário positivo, o setor mantém preocupação com o avanço das importações de lácteos. No primeiro trimestre de 2026, as compras externas cresceram 26,5%, elevando a concorrência de produtos importados no mercado interno.
Milho resiste às geadas no Paraná
As lavouras de milho segunda safra no Paraná também seguem no radar do mercado. Segundo o Deral, as geadas isoladas registradas recentemente no Sul do Estado não provocaram impactos relevantes nas áreas cultivadas.
Atualmente, 96% das lavouras permanecem em desenvolvimento, enquanto a previsão climática indica chuvas e temperaturas acima de 8°C na segunda quinzena de maio, reduzindo o risco de perdas mais severas.
O desempenho da safrinha é considerado estratégico tanto para o abastecimento interno quanto para o crescimento da cadeia de etanol de milho no Estado.
Exportações de ovos ganham novos mercados
No setor avícola, o mercado de ovos passa por uma reestruturação global após as mudanças tarifárias impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores importadores mundiais.
Diante desse cenário, a avicultura brasileira ampliou sua presença em mercados de maior valor agregado. O Japão foi um dos principais destaques, com crescimento de 122,9% no faturamento das compras de ovos brasileiros.
Mesmo com queda de 5% no volume exportado pelo Brasil no primeiro trimestre, a receita avançou 16,4%, totalizando US$ 53,9 milhões.
Além do Japão, mercados como Chile, Emirados Árabes e Senegal também ampliaram significativamente as compras.
Nesse contexto, o Paraná consolidou sua posição como o segundo maior exportador brasileiro de ovoprodutos, com faturamento de US$ 13,7 milhões no primeiro trimestre de 2026.
O desempenho reforça a diversificação e a força do agronegócio paranaense, que amplia sua participação em cadeias estratégicas ligadas à energia renovável, proteínas animais e produção de grãos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Negociação entre os dois países vai discutir sobretaxas de até 37,5%
Açúcar, pescados e produtos de madeira estão entre os segmentos do agronegócio que poderão se beneficiar de um eventual acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos. Os dois países decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as barreiras ao comércio bilateral, abrindo uma nova etapa de negociação sobre cobranças adicionais que, para determinados produtos, chegam a 37,5%. Ainda não houve anúncio de redução das tarifas.
O peso dessas medidas é desigual dentro do setor. Enquanto o açúcar enfrenta sobretaxa de 25% e os pescados estão sujeitos à cobrança adicional de 12,5%, vários tipos de madeira, gorduras e óleos podem ser alcançados pela soma das duas alíquotas. Para esses exportadores, a negociação representa a possibilidade de recuperar competitividade no mercado americano.
Outras cadeias importantes do agro foram preservadas das medidas. Segundo levantamento divulgado em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), café, carnes, suco de laranja, frutas e a maior parte das exportações de celulose estão entre as mercadorias excluídas dessas sobretaxas. A distinção é relevante porque as restrições não atingem todos os produtos brasileiros da mesma forma.
A criação do grupo foi acertada na quarta-feira (30), em Milwaukee, no estado americano de Wisconsin. Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Mdic, além do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu durante a reunião de ministros do Comércio do G20.
O próximo movimento cabe a Washington, que deverá apresentar nas próximas semanas um documento com os temas propostos para a negociação. Além das tarifas, o trabalho deverá abranger outros entraves às trocas comerciais. O comunicado brasileiro não detalhou quais produtos serão discutidos nem estabeleceu uma data para a conclusão de um acordo.
As sobretaxas anunciadas em julho resultam de duas investigações conduzidas pelos Estados Unidos. Uma delas trata de práticas comerciais brasileiras contestadas pelo governo americano, incluindo as condições de acesso ao mercado de etanol. A outra envolve exigências americanas para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forç
Fonte: Pensar Agro
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