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Bolsas globais avançam com tecnologia, IA e expectativa geopolítica; Ibovespa abre pressionado por petróleo e bancos

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Os mercados financeiros globais iniciaram a semana em movimento misto, mas com predominância de alta nas principais bolsas internacionais. O cenário externo segue sendo influenciado pelo avanço do setor de tecnologia, pelo otimismo em torno da inteligência artificial e pelas expectativas de redução das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

No Brasil, o Ibovespa abriu em queda nesta segunda-feira (25), impactado principalmente pela baixa das ações ligadas ao petróleo e pelo desempenho negativo de grandes bancos, em uma sessão marcada por liquidez reduzida devido aos feriados nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Wall Street mantém viés positivo com tecnologia e inteligência artificial

Em Nova York, os índices acionários encerraram o último pregão em território positivo, sustentados pelos papéis de tecnologia e pelos resultados corporativos ligados ao setor de inteligência artificial.

O índice S&P 500 avançou 0,37%, enquanto o Dow Jones registrou alta de 0,58%. Já o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, subiu 0,19%.

O desempenho foi impulsionado especialmente pelo entusiasmo do mercado com os resultados da NVIDIA e pela continuidade dos investimentos globais em inteligência artificial, fator que segue movimentando empresas de chips, semicondutores e infraestrutura tecnológica.

Bolsas europeias sobem com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Na Europa, os mercados também fecharam em alta, refletindo maior apetite ao risco diante da possibilidade de um entendimento diplomático entre Estados Unidos e Irã, movimento que pode reduzir tensões no mercado internacional de energia.

Em Londres, o índice FTSE 100 avançou 0,22%, encerrando aos 10.466 pontos. O DAX, de Frankfurt, liderou os ganhos europeus com alta de 1,15%, aos 24.888 pontos.

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Na França, o CAC 40 subiu 0,37%, aos 8.115 pontos, enquanto o FTSE MIB, da Itália, avançou 0,70%, fechando aos 49.510 pontos.

O setor de tecnologia foi novamente destaque positivo no continente europeu, acompanhando o movimento global de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial.

Ásia reage com força puxada por chips e carvão

Os mercados asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em alta, recuperando parte das perdas recentes. Na China, os investidores voltaram às compras em ações ligadas aos setores de carvão, semicondutores e corretoras financeiras.

O índice de Xangai subiu 0,96%, aos 4.152 pontos, enquanto o CSI300 avançou 1,58%, aos 4.921 pontos.

O setor de carvão ganhou força após um grave acidente em minas chinesas elevar a expectativa de fiscalização mais rígida e possível restrição de oferta no país, o que impulsionou os preços da commodity.

Já o segmento de semicondutores disparou após declarações da Huawei Technologies sobre o desenvolvimento de chips avançados até 2031 com tecnologia equivalente a 1,4 nanômetro. O subíndice de semicondutores chineses avançou 7,1%, enquanto o índice STAR50, focado em tecnologia, saltou 5,9%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng permaneceu fechado devido a feriado, mas no último pregão havia avançado 0,86%, impulsionado pelo forte desempenho das empresas de tecnologia. A Lenovo chegou a disparar 20%, atingindo o maior valor de mercado em 26 anos.

Outros mercados asiáticos também registraram desempenho positivo:

  • Em Tóquio, o Nikkei subiu 2,87%;
  • Em Taiwan, o Taiex avançou 3,26%;
  • Em Sydney, o S&P/ASX 200 teve alta de 0,40%;
  • Em Singapura, o Straits Times avançou 0,05%.
Ibovespa abre em queda pressionado por petróleo e bancos

No Brasil, o Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira em baixa, refletindo principalmente o recuo das commodities energéticas no exterior e o desempenho negativo de ações de peso na composição do índice.

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As ações da Petrobras abriram pressionadas pela queda do petróleo internacional, diante da perspectiva de aumento da oferta global caso haja avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Além disso, papéis do setor financeiro também contribuíram para o movimento negativo, com destaque para a queda das ações do Bradesco.

Por outro lado, os ativos da B3 apresentaram forte valorização na abertura do pregão, em movimento de recuperação e ajuste técnico.

Dólar opera próximo de R$ 5,03

O dólar comercial iniciou o dia em leve alta frente ao real, sendo negociado na faixa de R$ 5,028 nos primeiros negócios.

O comportamento da moeda norte-americana acompanha a cautela global dos investidores, que seguem monitorando dados econômicos internacionais, decisões de política monetária e o cenário geopolítico envolvendo Oriente Médio, China e Estados Unidos.

Mercado segue atento ao petróleo, juros e cenário geopolítico

Os investidores continuam acompanhando com atenção três fatores principais que devem direcionar os mercados nos próximos dias:

  • evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã;
  • perspectivas para os juros norte-americanos;
  • continuidade do rali global das empresas ligadas à inteligência artificial.

Além disso, o mercado monitora o comportamento do petróleo internacional, que segue influenciando diretamente moedas emergentes, ações de energia e o desempenho das bolsas globais, incluindo o mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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