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Nossa riqueza é verde
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A maior riqueza do Acre são as pessoas e, depois, a nossa floresta. Vivemos em um lugar que valoriza sua identidade, sua história e a preservação ambiental.
Desde os tempos de Galvez, somos um povo diferenciado. Não porque sejamos melhores, mas porque decidimos o rumo da nossa própria história.
Em uma semana participando de um evento de nível global sobre preservação do clima, entendi que somos ricos, muito ricos. A nossa gente e a nossa floresta são extremamente valiosas.
Mas como conciliar a prosperidade das pessoas que vivem no Acre com a sustentabilidade? Essa resposta vem sendo construída pelo Acre há muitos anos, por meio de políticas públicas efetivas de manejo sustentável do extrativismo vegetal, captação de recursos internacionais e incentivo à agricultura sustentável.
Integrando políticas públicas de larga escala à captação de recursos internacionais, conseguimos, por meio do REDD+, recursos financeiros para recompensar a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da conservação das nossas florestas.
Somos pioneiros na utilização do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa), que estabelece regras e mecanismos legais para recompensar financeiramente quem ajuda a manter a floresta em pé, entre outras ações.
Nossos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais são a prova viva de que é possível viver da floresta e na floresta sem destruir a fauna e a flora.
Precisamos, sim, avançar muito no quesito econômico. Precisamos também aprender a retirar recursos da floresta por meio de sistemas agroflorestais e do manejo sustentável. Precisamos, ainda, capacitar produtores para que respeitem a terra, a mata e o ar.
Mas uma coisa é certa: não estamos parados. Nossos órgãos estaduais de controle e toda a rede de proteção ao meio ambiente estão unidos e têm feito a sua parte para que, hoje, o estado ostente a riqueza de manter mais de 84% da sua floresta amazônica intacta.
Temos muito a crescer, aprender, transformar e valorizar a bioeconomia, fazendo nossa gente prosperar sem desmatar. E, sim, isso é possível.
O Acre segue avançando e sendo modelo de sustentabilidade para o Brasil e para o mundo.
Andréia Nobre é jornalista, repórter da Secretaria de Estado de Comunicação e especialista em Marketing Digital e Administração Pública
Fonte: Governo AC
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Dia Mundial sem Tabaco alerta sobre riscos do tabagismo e avanço do uso de cigarros eletrônicos entre jovens
O Dia Mundial sem Tabaco é celebrado anualmente em 31 de maio. Criada em 1987 pelos Estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), a data tem como objetivo conscientizar a população sobre os malefícios dos produtos derivados do tabaco e da nicotina, que muitas vezes são desenvolvidos para se tornarem mais atrativos a crianças, adolescentes e jovens.
A campanha também busca informar a sociedade sobre hábitos saudáveis e formas de proteção contra as consequências devastadoras causadas pelo tabagismo.
Todos os anos, o Ministério da Saúde (MS) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) definem um tema para orientar ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento da dependência do tabaco e da nicotina. Em 2026, o tema escolhido foi “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, direcionando atividades de educação, comunicação, pesquisa e assistência à saúde, além do incentivo à adoção e ao fortalecimento de medidas legislativas e econômicas de controle.
Em 2026, o tema escolhido foi “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco” Foto: Dharcules Pinheiro/SecomO trabalho é desenvolvido de forma integrada pelo Ministério da Saúde, INCA e Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde. A rede foi estruturada seguindo a lógica de descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS), possibilitando a coordenação regional das ações em todo o país.
Ao longo dos anos, o tabagismo deixou de ser tratado apenas como um hábito e passou a ser reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência da nicotina.
“O tabagismo é considerado uma doença e um vício. É uma doença neuropsicogênica, segundo a nova Classificação Internacional de Doenças, porque torna a pessoa dependente da nicotina. Esse vício age diretamente nos pulmões, mas não apenas nesse órgão. Precisamos reforçar que o tabagismo danifica todo o organismo. Por onde a fumaça do cigarro passa, ela vai causando danos”, explicou Lukas Vieira, cirurgião torácico oncológico com formação pelo INCA.
“Por onde a fumaça do cigarro passa, ela vai causando danos”. Foto: Pedro Devanir/SecomNo Acre, as ações são coordenadas pelo Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), que atua em três frentes principais: tratamento do tabagismo por meio de grupos realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), prevenção da iniciação ao consumo entre crianças e adolescentes e mobilização da população em datas alusivas.
De acordo com Vanessa Cristina, chefe do Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas do Departamento de Atenção Primária à Saúde (Daps), o Estado oferece apoio técnico e logístico aos municípios, além de capacitação e monitoramento contínuo das ações.
“Nós realizamos assessoria direta às secretarias municipais de saúde, com fornecimento de materiais gráficos e medicamentos; articulação das inscrições nos treinamentos promovidos pelo INCA, acompanhando posteriormente a certificação dos participantes; além de capacitações regionais voltadas aos coordenadores municipais e aos futuros condutores dos grupos de tratamento do tabagismo. Também consolidamos os dados de atendimentos realizados pelas Unidades Básicas de Saúde, unificando as informações e encaminhando periodicamente ao INCA”, destacou Vanessa Cristina.
“Nós realizamos assessoria direta às secretarias municipais de saúde, com fornecimento de materiais gráficos e medicamentos; articulação das inscrições nos treinamentos promovidos pelo INCA”. Foto: Raylanderson Frota/SecomAlém da qualificação das equipes multiprofissionais, a Sesacre desenvolve campanhas educativas nas escolas da rede estadual de ensino. Em Rio Branco, as ações já foram realizadas no Colégio Acreano e Instituto São José, além de atividades promovidas em todas as regionais do estado.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), os municípios acreanos com maior número de fumantes são Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira.
Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira são os municípios que tem mais fumantes no Acre. Foto: Dados SesacreLevantamento realizado em 2022 pela Secretaria Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq) aponta que aproximadamente 12% de todas as mortes registradas no país são atribuídas ao tabagismo. O estudo estima ainda um custo anual de R$ 153,5 bilhões ao Brasil, considerando despesas médicas, cuidados informais e perdas de produtividade relacionadas ao consumo de tabaco.
Em contrapartida, a arrecadação de impostos federais sobre a venda de cigarros somou cerca de R$ 8 bilhões em 2022, valor que corresponde a apenas 5,2% dos prejuízos econômicos causados pelo tabagismo.
Os impactos na saúde também são expressivos. Anualmente, o tabagismo está associado a aproximadamente 40.567 mortes por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), 30.871 por doenças cardíacas, 29.352 por outros tipos de câncer e 26.583 por câncer de pulmão.
Embora o câncer de pulmão seja a enfermidade mais lembrada pela população, o uso prolongado do tabaco também está relacionado ao desenvolvimento de câncer de boca, garganta, orofaringe, pulmões e mediastino. Além disso, aumenta significativamente o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), diabetes e doenças neurodegenerativas.
Para a aposentada Antônia Silva, de 67 anos, fumante por mais de quatro décadas, o cigarro sempre esteve presente em sua rotina desde a infância. “Eu comecei a fumar muito nova, nem lembro a idade que tinha. Naquela época, meus pais incentivavam. Mandavam acender o cachimbo, acender o cigarro, e a gente acabava criando o hábito e gostando. Meu pai plantava tabaco, fazia os ‘moios’, utilizava e nós também fumávamos”, relatou.
“Eu comecei a fumar muito nova, nem lembro a idade que tinha. Naquela época, meus pais incentivavam”. Foto: Pedro Devanir/SecomAtualmente, dona Antônia realiza tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Fundação Hospitalar do Acre, para tratar problemas de saúde decorrentes do uso prolongado do tabaco.
Cigarros eletrônicos, vapes e pods
O Brasil sempre foi referência mundial nas políticas de controle do tabagismo. Os dados do INCA mostram uma redução contínua no número de fumantes ao longo das últimas décadas. No entanto, especialistas alertam para o crescimento do consumo de nicotina por meio dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), especialmente entre os jovens.
“O vício se desenvolve mais facilmente em adolescentes e adultos jovens, justamente o público que essa indústria busca atingir atualmente. Eles retiraram o odor característico do cigarro convencional, adicionaram essências e criaram uma infinidade de sabores e aromas agradáveis. Aquele fator de rejeição provocado pelo cheiro da fumaça foi eliminado. A intenção é convencer adolescentes e jovens de que aquilo é algo moderno, descolado, como se não causasse nenhum dano à saúde”, alertou Lukas Vieira.
“O vício se desenvolve mais facilmente em adolescentes e adultos jovens, justamente o público que essa indústria busca atingir atualmente.”. Foto: Pedro Devanir/SecomSegundo o especialista, a ausência de regulamentação dos dispositivos eletrônicos torna seu consumo ainda mais preocupante. “O cigarro convencional, por ser regulado pela Anvisa, só pode conter até 1 mg de nicotina por unidade. Assim, uma carteira com 20 cigarros possui aproximadamente 20 mg de nicotina. Já o vape não possui esse controle. Muitas vezes não sabemos exatamente quais substâncias estão presentes além da nicotina. Nos rótulos encontramos concentrações de 5%, o que equivale a 50 mg por mililitro. Se um dispositivo possui 10 ml, estamos falando de cerca de 500 mg de nicotina, equivalente ao consumo de aproximadamente 500 cigarros em um único aparelho”, explicou.
A partir de 2017, com a popularização dos dispositivos eletrônicos, novas doenças passaram a ser identificadas em diferentes países. Entre elas está a EVALI, sigla em inglês para E-cigarette or Vaping Product Use-Associated Lung Injury, traduzida como Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico ou Produto de Vaping.
“A EVALI funciona como uma espécie de queimadura pulmonar. Jovens sem histórico de doenças respiratórias desenvolveram necrose pulmonar após períodos entre 90 e 180 dias de uso desses dispositivos eletrônicos. É uma doença grave e diretamente relacionada ao consumo desses produtos”, concluiu Lukas Vieira.
“A EVALI funciona como uma espécie de queimadura pulmonar. Jovens sem histórico de doenças respiratórias desenvolveram necrose pulmonar após períodos entre 90 e 180 dias de uso desses dispositivos eletrônicos”. Foto: Dharcules Pinheiro/SecomQuais os riscos à saúde?
Com base nas evidências mundiais atuais, o uso de cigarros eletrônicos aumenta o risco de uma série de danos à saúde, como: envenenamento, convulsões, dependência, traumas e queimaduras (causadas por explosões), síndrome respiratória aguda grave – Evali, doença cardiovascular, acidente vascular cerebral, disfunção metabólica, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema), doença bucal, dentre outras.
Quais os impactos ambientais dos cigarros eletrônicos?
Os danos ambientais incluem incêndios, explosões e aumento de material particulado contendo substâncias potencialmente cancerígenas no ar em ambientes internos. Além disso, há resíduos, tais como os próprios dispositivos eletrônicos que possuem plásticos e metais, baterias, cápsulas e cartuchos de e-líquidos com substâncias tóxicas e outros acessórios e peças que poluem o meio ambiente.
Fonte: Governo AC
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