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OCA Xapuri: quando preservar a história também significa garantir cidadania

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Em um tempo em que a modernização dos serviços públicos avança de forma acelerada, preservar a memória histórica pode parecer, para alguns, apenas um gesto simbólico. No Acre, porém, experiências como a da OCA Xapuri mostram justamente o contrário: preservar o patrimônio também significa preservar identidade, pertencimento e respeito à população. 

Instalada no prédio histórico da antiga casa comercial “A Limitada”, no coração de Xapuri, a unidade representa muito mais do que um espaço de atendimento público. O edifício, construído no início do século XX, atravessou ciclos econômicos, mudanças sociais, enchentes históricas e transformações urbanas sem perder sua relevância histórica. Hoje, continua exercendo um papel central na vida da comunidade, mas com um novo significado: deixou de representar um dos símbolos do antigo sistema de aviamento para se tornar um portal de acesso a direitos, cidadania e serviços públicos.

Há uma força simbólica importante nessa transformação. Durante o ciclo da borracha, “A Limitada” integrou a engrenagem econômica que sustentava os seringais amazônicos. Ali circulavam mercadorias, ferramentas e alimentos que abasteciam a vida nos seringais acreanos. Décadas depois, o mesmo edifício passou a receber cidadãos em busca de atendimentos, documentos e serviços que impactam diretamente seu dia a dia. A lógica se transformou: o que antes representava uma relação marcada pela dependência econômica hoje se converte em acesso a direitos e exercício da cidadania.

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Esse processo mostra que modernidade e preservação não precisam caminhar em lados opostos. Ao contrário, quando o Estado escolhe manter viva a memória arquitetônica e cultural de um povo, também reafirma o respeito por sua trajetória e identidade. A restauração do prédio, realizada sem descaracterizar elementos originais — como as estruturas em madeira nobre, o mezanino e a fachada histórica — reforça justamente essa ideia de continuidade entre passado e presente.

Em um contexto em que muitos centros históricos brasileiros enfrentam processo de abandono ou descaracterização, a experiência da OCA Xapuri se destaca como exemplo de preservação e associada à função social. O tombamento do imóvel como patrimônio histórico e sua posterior utilização como central de atendimento demonstram uma escolha institucional relevante: atribuir utilidade social a um patrimônio cultural sem comprometer sua identidade histórica.

Os números ajudam a dimensionar essa relevância. Em 15 anos de funcionamento, a unidade realizou mais de 764 mil atendimentos, consolidando-se como referência na oferta de serviço público no interior do Acre. Nem mesmo as enchentes históricas de 2015 e 2024 ou os desafios impostos pela pandemia interromperam sua trajetória de atendimento à população. Essa capacidade de permanência reforça o papel da OCA Xapuri como um espaço de acolhimento, continuidade institucional e presença do Estado junto à comunidade.

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Mais do que um prédio antigo adaptado aos tempos atuais, a OCA Xapuri tornou-se um símbolo de como o Acre pode conciliar tradição e inovação sem abrir mão de suas raízes. Preservar esse patrimônio é reconhecer que desenvolvimento não significa apagar a memória coletiva, mas construir o futuro valorizando a trajetória e o legado de quem veio antes.

Ao manter viva a história da antiga “A Limitada”, o Acre preserva também parte da sua própria identidade. E talvez esse seja o maior legado da OCA Xapuri: mostrar que cidadania também se constrói por meio da memória, do pertencimento e do respeito à trajetória do povo acreano.

*Arthur Pereira Brito é técnico em agroindústria e atua como chefe da Divisão da OCA Xapuri. Com experiência voltada à gestão e ao atendimento público, contribui para o fortalecimento dos serviços oferecidos à população no município de Xapuri.

Fonte: Governo AC

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Expoacre Juruá transforma tecnologia e cultura em lazer inclusivo para famílias

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A Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, tem se destacado não apenas como vitrine agropecuária, mas também como espaço de inovação e lazer para toda a família. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict) reuniu estandes voltados para crianças e jovens, com tecnologia, produtos em impressão 3D e atividades interativas que têm atraído grande público.

Espaço abrange jovens e crianças e é marcado por inclusão. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

O espaço kids é um dos pontos mais movimentados da feira, reunindo brincadeiras que vão de pintura corporal a experiências com óculos de realidade virtual. Para os pais, é uma oportunidade de lazer e entretenimento enquanto visitam a segunda maior feira agropecuária do estado.

Kethyla Shawãdawa, monitora do espaço, explica que as atividades são voltadas para o desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além de incluir tecnologia.

“Tem sido um espaço muito especial. As crianças participam de oficinas de escultura com balões, de miçangas e de materiais recicláveis, onde podem criar brinquedos. Também oferecemos brincadeiras voltadas para o desenvolvimento cognitivo e da coordenação motora, além de pintura facial. A grande novidade é a experiência com óculos de realidade virtual, que permite aos pais acompanhar o que seus filhos estão vivenciando”, disse.

Segundo ela, o espaço tem recebido grande movimento todas as noites, com muitos pais participando junto aos filhos. “Foi pensado com carinho para que as crianças tenham um ambiente acolhedor e cheio de descobertas.”

Miguel aproveita óculos de realidade virtual. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Inovação e inclusão

A dentista Jamile Feijó, mãe de Miguel Machado, de 7 anos, aprovou a iniciativa. “Estamos parando em todos os estandes para que ele possa conhecer e se divertir. Este espaço está muito interativo, ele está amando e está sendo incrível. Ainda vamos ver outros estandes”, contou.

Já Lacione Maia destacou o caráter inovador. “As brincadeiras, a forma como estão expostas e os instrutores são perfeitos, têm muito jeito com criança.”

Outro ponto de destaque é a preocupação com a inclusão. Darcinete Oliveira ressaltou que este ano há mais opções voltadas para crianças atípicas.

“Nos outros anos não víamos tantas atividades direcionadas a essa necessidade. Agora encontramos jogos e materiais inclusivos que estimulam a participação delas. Isso mostra uma preocupação maior com a diversidade e torna o evento ainda mais especial.”

Impressão 3D é um dos atrativos do estande voltado para tecnologia e inovação. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Impressão 3D e cultura local

Os estandes de tecnologia também chamam atenção. Laurênio de Souza ficou impressionado com os personagens criados em impressão 3D.

“É como uma escultura, lembra trabalhos antigos, mas hoje está mais acessível e até possível de encomendar. É um avanço para nossas cidades, porque antes só víamos pela internet ou televisão, e agora temos a oportunidade de acompanhar ao vivo. O trabalho está muito bonito, parabéns aos organizadores.”

Rodrigo Gomes, expositor, destacou o sucesso dos chaveiros sensoriais e dos “dummys”. Além disso, sua empresa Juruá 3D tem produzido peças que valorizam a identidade local.

Empresas também apostaram em produtos que ressaltam a identidade de Cruzeiro do Sul. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

“Queremos explorar a cultura do Juruá e desenvolver peças personalizadas que representem a região. Já fizemos chaveiros com a Catedral, árvores, casas de farinha e até saquinhos de farinha e açaí. São elementos culturais que fortalecem nossa tradição e permitem que o visitante leve um presente único e representativo da cidade.”

Tiago Lucena, coordenador do Laboratório de Biologia Animal e fundador da startup Jabotec 3D, reforçou o caráter inovador.

“Este ano trouxemos a Jabotec 3D, especializada em produtos personalizados em impressão 3D. Transformamos elementos da cultura pop em objetos colecionáveis e também aplicamos a tecnologia em materiais didáticos, que tornam as salas de aula mais interativas. Já validamos resultados com aumento de até 60% nas notas dos alunos.”

Analice foi visitar a feira apenas para adquirir seus personagens preferidos. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

Encanto para jovens

Analice do Nascimento, de 11 anos, ficou encantada com os espaços voltados para colecionadores.

“Estou começando a me apaixonar por essas figuras e vim preparada para adquirir algumas peças. Ontem comprei uma Hello Kitty e hoje levei um Pikachu. São produtos que remetem à infância e despertam muito interesse.”

Ela destacou que o evento é uma oportunidade para conhecer novidades e investir em itens que antes só acompanhava à distância. “É um espaço que atrai jovens e adultos, e que valoriza esse universo cultural de forma acessível.”

Fonte: Governo AC

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