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‘Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ’, indígena chega à sala de aula como professor do Ifac
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Incluir vozes e saberes ancestrais no ensino acadêmico faz parte da caminhada de Muru Inu Bake, que construiu uma ponte entre espaços que raramente se encontram. Indígena do Povo Huni Kuĩ, aos 24 anos leva sua trajetória para a sala de aula no Instituto Federal do Acre (Ifac), em Cruzeiro do Sul, ampliando vozes historicamente silenciadas. A presença indígena em espaços institucionais ainda provoca mudanças importantes.
Mais do que uma conquista individual, a trajetória de Muru Inu reflete um movimento coletivo de acesso, permanência e transformação no ensino superior. Em abril, como professor de inglês, ministrou sua primeira aula e utilizou dinâmicas com jogos para estimular a participação dos alunos nas atividades em sala.
Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre (Ufac), é um dos primeiros indivíduos Huni Kuin a integrar a docência federal. Para Muru, cujo nome civil é Clécio Ferreira Nunes, ocupar esse lugar é também questionar um cenário em que, historicamente, pessoas não indígenas falam sobre os povos originários a partir de um olhar externo.
Nascido em Rio Branco, Muru cursou todo o ensino médio na Escola Estadual Professor Pedro Martinello, no bairro Montanhês, onde contou com professores da Secretaria de Estado de Educação do Acre (SEE).

A percepção é ainda mais marcante quando lembra a jornada que percorreu. Ao longo de toda a sua formação, da educação básica à pós-graduação, não foi aluno de nenhum professor indígena. E entende que pode representar para outros indígenas exatamente aquilo que não teve.
“Estou na pós-graduação e, durante minha trajetória na educação, não tive um espelho. Mas agora isso mudou, pois me tornei um reflexo. Esse impacto irá além do ensino, pois minha presença mostrará aos estudantes indígenas que eles também podem ocupar esse espaço, em diferentes posições dentro das instituições”, destaca.

Confiante no percurso que vem desenvolvendo, Muru Inu diz: “Ocupar esse lugar é também estar em um espaço que historicamente nos foi negado, e que hoje a gente busca acessar, participar e transformar. Para mim, essa trajetória vai além de uma conquista individual e cria novas possibilidades para outros. A presença indígena transforma gradualmente o ambiente acadêmico, amplia o olhar de professores não indígenas e fortalece a representatividade, além de abrir caminhos para que mais estudantes se reconheçam nesses espaços”.
Pertencente à família linguística Pano, o idioma Hãtxa Kuin, que significa, “língua verdadeira”, é falado pelo Povo Huni Kuin, anteriormente denominado pelos brancos “Kaxinawá”. Presente no Acre e também em regiões do Peru e da Bolívia, esse conjunto de línguas integra a diversidade linguística da Amazônia. É nesse universo que se insere a trajetória de Muru.
Após a graduação, Muru seguiu na vida acadêmica e é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac, pesquisando línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas, com foco na relação entre formação, identidade e vivência.
Nos últimos anos, o cenário dos povos originários no Acre passou por mudanças significativas. A criação da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) e a ampliação do acesso à universidade contribuíram para fortalecer a presença de indivíduos pertencentes aos povos originários do estado, no ensino superior.
A titular da Sepi, Francisca Arara, relembra a própria trajetória ligada à educação escolar indígena, pois se tornou pedagoga, formada pelo Curso Superior Indígena do Campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A secretária destaca a mobilização de professores indígenas e de organizações da sociedade civil na criação da graduação, que faz parte de um esforço para que mais indígenas pudessem chegar ao lugar que hoje o Muru estar. A trajetória da titular da Sepi construiu um caminho para o futuro, um caminho de resistência que chega até o professor Muru.
“Nós batalhamos e criamos o curso, onde eu me formei”, relata. Hoje à frente da pasta, Francisca também aponta os avanços no acesso indígena ao ensino superior por meio das políticas de cotas na Ufac.
O modelo acreano é baseado em uma educação intercultural, bilíngue, específica e diferenciada, voltada à valorização da língua, do grafismo, da matemática, da ciência e da geografia dos povos originários.
Entre 2022 e 2026, os dados revelam avanço no número de ingressos indígenas, ainda que com oscilações ao longo do período analisado. Embora os números não mostrem toda a realidade vivida por essas populações, são dados que ajudam a perceber mudanças importantes em seu acesso à universidade e em sua presença o ensino superior acreano, conforme demonstra o infográfico abaixo, elaborado pela Ufac.

O Huni Kuĩ Muru trouxe para o debate reflexões sobre o papel da educação indígena na universidade, discussão que se soma à fala do escritor Daniel Munduruku: “Tudo é uma questão mesmo de compreensão, do que é formação e do que é educação. Vai formar professores indígenas para indígenas ou vai formar indígenas que sejam capazes de dialogar com sua própria pedagogia e fazer com que ela se adeque de uma maneira mais próxima à ancestralidade à qual aquele povo pertence?”.
Tanto Muru quanto Munduruku apresentam trajetórias emblemáticas, marcadas pela resistência indígena e pela ocupação de espaços historicamente negados aos povos originários, tornando-se referência para novas gerações.
Fonte: Governo AC
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Rio Branco recebe primeira edição da Corrida Detran Maio Amarelo
A manhã deste domingo, 31, foi marcada por esporte, solidariedade e conscientização em Rio Branco com a primeira edição da Corrida Detran Maio Amarelo na capital acreana.
Corrida Detran Maio Amarelo movimentou as ruas da capital na manhã deste domingo. Foto: Pedro Devani/SecomA largada ocorreu às 6h30, da sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), reunindo 750 participantes nos percursos de 5 e 10 quilômetros pelas ruas da cidade.
A iniciativa integra as ações do Maio Amarelo, movimento internacional voltado à promoção da segurança viária e à conscientização sobre a responsabilidade de todos na construção de um trânsito mais seguro. Neste ano, a campanha adotou o tema “No trânsito, enxergar o outro salva vidas”.
Em pouco mais de 1 hora, atletas profissionais e amadores percorreram importantes vias da cidade. Foto: Renato Beiruth/DetranEmbora seja inédita em Rio Branco, a corrida já possui tradição em Cruzeiro do Sul, onde outras cinco edições foram realizadas ao longo dos últimos anos como parte da programação do Maio Amarelo. O sucesso do evento na segunda maior cidade do estado motivou a ampliação da iniciativa para a capital.
Esta foi a primeira edição da Corrida Detran Maio Amarelo realizada em Rio Branco. Foto: Renato Beiruth/DetranAlém do incentivo à prática esportiva e à conscientização, a corrida também teve caráter solidário. Para garantir a inscrição, cada participante doou dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social.
Entre os participantes estavam servidores do Detran, atletas profissionais e amadores, além de pessoas da comunidade que aderiram à proposta de unir atividade física e educação para o trânsito.
Corrida teve percurso de 5 e 10 quilômetros e vencedores nas categorias feminino e masculino. Foto: Renato Beiruth/DetranA governadora Mailza Assis participou do evento e destacou a importância de ações que aproximem a população das campanhas educativas.
“Quando unimos esporte, saúde e conscientização, conseguimos levar mensagens importantes para um número maior de pessoas. O Maio Amarelo nos lembra que cada atitude no trânsito pode salvar vidas. Ver tantas pessoas participando desta corrida mostra que a sociedade está cada vez mais engajada nessa causa”, afirmou.
A presidente do Detran, Taynara Martins, ressaltou que a corrida representa uma forma diferente e eficiente de dialogar com a população sobre segurança viária.
Governadora Mailza Assis e a presidente do Detran, Taynara Martins, destacaram a importância de diversas ações que busquem ajudar e na construção de um trânsito mais humano e seguro para todos. Foto: Diego Gurgel/Secom.“Nosso objetivo é promover uma reflexão sobre o comportamento de cada um no trânsito. A corrida simboliza movimento, respeito e cuidado com o próximo, valores que precisam estar presentes diariamente nas ruas e estradas. Ficamos muito felizes com a adesão da população e com o sucesso desta primeira edição em Rio Branco”, destacou.
A servidora da autarquia estadual Elisângela Lopes conquistou o primeiro lugar na categoria feminina dos 10 quilômetros. Emocionada com a vitória, ela comemorou o resultado e o significado do evento.
“É uma alegria muito grande vencer uma prova tão especial, que une esporte e uma causa tão importante. Mais do que subir ao pódio, participar de uma ação que promove a preservação de vidas no trânsito torna essa conquista ainda mais significativa”, disse.
Servidora Elisangela Brasil conquistou o primeiro lugar na categoria 10km feminino e elogiou a organização do evento. Foto: Renato Beiruth/DetranNo masculino comunidade, o campeão dos 10 quilômetros foi Mateus Silva, atleta natural de Cruzeiro do Sul, que elogiou a organização da prova e a expansão da iniciativa para a capital.
“Foi uma corrida muito bem organizada e com uma energia incrível. O Maio Amarelo é uma campanha que merece cada vez mais espaço, e trazer essa corrida para Rio Branco fortalece a mensagem de respeito e responsabilidade que precisamos levar para o trânsito todos os dias”, afirmou.
Mateus Silva é corredor profissional e está ranqueado entre os 10 melhores corredores de rua do país. Foto: Renato Beiruth/DetranAo final do evento, os participantes receberam medalhas, troféus e celebraram não apenas os resultados esportivos, mas também o propósito da ação: promover uma cultura de paz, empatia e responsabilidade no trânsito, reforçando que enxergar o outro é um passo fundamental para salvar vidas.
Classificação geral
Comunidade 5km Feminino
1º – Luana Sampaio – 24’39’’
2º – Brenda Bispo – 24’57’’
3º – Juliana Aragão – 25’11’’
Servidor 5km Feminino
1º – Margarida Araújo – 26’48’’
2º – Celene de Souza – 29’50’’
3º – Bruna Larissa – 31’10’’
Comunidade 5km Masculino
1º – Neto Dino – 18’53’’
2º – Leandro dos Santos – 19’38’’
3º – Samio Lima – 19’56’’
Servidor 5km Masculino
1º – Jenilson Silva – 21’54’’
2º – Renê Guedes – 24’16’’
3º – Fábio de Souza – 26’13’’
Comunidade 10km Feminino
1º – Jennifer Assênio – 51’55’’
2º – Suelane Silva – 53’32’’
3º – Verônica de Menezes – 53’47’’
Servidor 10km Feminino
1º – Elisangela Brasil – 56’40’’
2º – Jirgleyane Nunes – 58’01’’
3º – Miriam Pego – 1:07’43’’
Comunidade 10km Masculino
1º – Mateus Silva – 34’45’’
2º – Paulo Vitor – 40’30’’
3º – Italo Farias – 42’33’’
Servidor 10km Masculino
1º – Amazonino da Silva – 41’57’’
2º – Erllen – 46’47’’
3º – Ivaí Oliveira – 47’05’’


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Foto: Renato Beiruth/Detran
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Foto: Renato Beiruth/DetranFoto: Renato Beiruth/Detran
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