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Operação Mulher Segura 2026 tem início em todo o país e Polícia Civil do Acre reforça ações de combate à violência contra a mulher

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A Polícia Civil do Acre (PCAC) participa da 2ª edição da Operação Mulher Segura, iniciada em todo o território nacional no último dia 1º de junho. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e tem como objetivo intensificar o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio por meio de ações integradas entre as forças de segurança, órgãos do sistema de justiça e instituições da rede de proteção.

Primeira fase da Operação Mulher Segura 2026 reforça as ações de combate à violência contra a mulher e ao feminicídio em todo o estado. Foto: reprodução

A operação seguirá até o dia 31 de dezembro e será executada em sete fases, uma a cada mês, consolidando uma atuação contínua e estratégica em todo o país. Entre as principais ações estão a localização e captura de agressores com mandados de prisão em aberto, além da promoção de atividades educativas e campanhas de conscientização voltadas à prevenção da violência de gênero.

No Acre, a Polícia Civil reforçou o efetivo da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco, para ampliar a capacidade de atendimento e investigação dos casos relacionados à violência doméstica e familiar. Além disso, nesta primeira fase da operação, a instituição promove uma capacitação voltada para 30 policiais civis de 18 municípios acreanos, com foco no atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência.

Servidores da PCAC reforçam os trabalhos da Deam em Rio Branco, fortalecendo as ações de combate à violência contra a mulher e ao feminicídio no Acre. Foto: arquivo/ PCAC

A formação contará com a participação de tutores convidados da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) e do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), fortalecendo a integração entre os órgãos que compõem a rede de proteção às mulheres.

A delegada e coordenadora de Proteção aos Grupos Vulnerabilizados e do Programa Bem-Me-Quer, Juliana De Angelis, destacou a importância da capacitação contínua dos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento às vítimas.

“Esta operação representa um importante avanço na proteção das mulheres, pois une repressão qualificada aos agressores e fortalecimento da rede de atendimento. Estamos investindo na capacitação dos nossos policiais para que as vítimas encontrem acolhimento humanizado, escuta qualificada e um atendimento cada vez mais eficiente. A atuação integrada entre Polícia Civil, Secretaria da Mulher, Poder Judiciário e demais instituições é fundamental para romper ciclos de violência e salvar vidas”, afirmou a delegada.

Operação Mulher Segura 2026 intensifica ações de proteção às mulheres e já resultou no cumprimento de mais de cinco mandados de prisão contra agressores no Acre. Foto: arquivo

Os resultados da operação já começam a aparecer. Somente ao longo desta primeira semana de execução da Operação Mulher Segura 2026, mais de cinco mandados de prisão contra agressores foram cumpridos no Acre, demonstrando o comprometimento das forças de segurança com a responsabilização dos autores de violência doméstica e familiar.

Fonte: Governo AC

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Encontro reúne filhos separados dos pais pela hanseníase e reforça luta por reparação histórica no Acre

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Abraços interrompidos por décadas, histórias marcadas pela saudade e lembranças de uma infância vivida longe dos pais. Esses foram alguns dos sentimentos compartilhados durante o encontro de filhos e filhas separados de suas famílias em decorrência da política de isolamento compulsório aplicada às pessoas acometidas pela hanseníase no Brasil. Realizado nesta quarta-feira, 3, em Rio Branco, o evento reuniu mais de 100 pessoas que carregam as marcas de uma das mais dolorosas violações de direitos da história da saúde pública brasileira.

A atividade contou com a participação do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e integrantes do governo federal.

Parentes e familiares de pessoas acometidas pela hanseníase se reúnem para buscar direitos. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

O encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre direitos, orientar os participantes sobre os processos de reparação histórica e proporcionar um espaço de escuta para pessoas que viveram os impactos da separação familiar e do preconceito.

Durante o evento, a diretora de Direitos Humanos da SEASDH e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (CEDHC), Joelma Pontes, destacou que, durante décadas, pessoas diagnosticadas com hanseníase foram vítimas de graves violações de direitos.

Estado contou com representante para tirar dúvidas e o acompanhamento das famílias. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

“Hoje vivemos um momento de reencontro familiar, em que filhos de pais que tiveram hanseníase têm a oportunidade de se reencontrar após uma separação compulsória marcada pela exclusão e pelo afastamento forçado”, afirmou.

Segundo a gestora, o encontro também representa um espaço de escuta, acolhimento e fortalecimento da luta por direitos. “Estamos em articulação com órgãos nacionais para assegurar que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, incluindo possíveis reparações. A certificação servirá como comprovação das violações de direitos sofridas ao longo de suas vidas, fortalecendo a luta pelo reconhecimento e pela reparação dessas injustiças”, ressaltou.

O processo de reparação é coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com a participação de diversos órgãos federais, entre eles o Ministério da Saúde (MS).

Representante nacional tirou dúvidas, esclareceu direitos e processos que estão sendo feitos para indenização dos familiares. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

Presente no encontro, o ex-coordenador nacional do Morhan e representante do Ministério da Saúde, Artur Custódio Souza, explicou que o governo federal busca ampliar a capacidade de análise dos processos.

“Pelo Ministério da Saúde, já existe uma autorização do ministro Alexandre Padilha para que seja criado um grupo-tarefa ou para que os seis servidores que atualmente integram a comissão possam atuar com dedicação exclusiva ao trabalho de análise dos processos”, explicou.

Atualmente, cerca de 120 processos são deferidos por mês. No entanto, a expectativa é ampliar esse número significativamente.

“Com a estrutura adequada e o reforço das equipes, a estimativa é que seja possível acelerar a análise para cerca de 600 processos mensais”, destacou Artur.

Estado irá certificar familiares e pessoas vítimas do isolamento. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

No Acre, aproximadamente mil pessoas aguardam indenização por terem sido submetidas ao isolamento compulsório. Outras cerca de 500 aguardam reconhecimento por terem vivido isoladas em seringais ou em suas próprias residências. O benefício previsto em lei corresponde a um valor individual destinada às pessoas reconhecidas como vítimas dessas violações.

Certificação fortalece reconhecimento

O estado também desenvolve um processo de certificação das pessoas afetadas pela hanseníase e pela política de isolamento compulsório. A iniciativa é conduzida por uma comissão responsável por reunir documentos e comprovações das violações sofridas.

O documento é considerado fundamental para assegurar direitos e fortalecer os pedidos de reparação histórica apresentados junto ao governo federal.

Coordenador estadual do Morhan. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

De acordo com o coordenador estadual do Morhan, Elson Dias, o reconhecimento dessas violações é resultado de uma luta que já dura mais de uma década.

“O governo federal já reconheceu que houve um erro ao separar pessoas acometidas pela hanseníase e encaminhá-las para os antigos locais de tratamento. Após a sanção da Lei nº 11.520, de 2007, que garantiu uma pensão especial às pessoas internadas nesses espaços, o Morhan iniciou uma nova mobilização em busca do reconhecimento dos filhos que ficaram para trás”, explicou.

No Acre, existiram dois locais destinados ao isolamento de pessoas acometidas pela doença: a Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, e a Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul.

Familiares contaram histórias sobre o isolamento que seus pais sofreram na época que foram diagnosticados com a doença. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

Segundo Elson, ao longo do processo também foram identificadas outras vítimas da política de isolamento.

“Muitas vezes, os leprosários estavam superlotados e os médicos determinavam que as pessoas permanecessem isoladas em casa ou nos seringais. Isso ocorreu até a década de 1980. Essas famílias também sofreram as consequências do afastamento e da exclusão social”, ressaltou.

Histórias marcadas pela separação

Entre os participantes do encontro estava Marilza Assis, voluntária do Morhan e filha de Raimundo Nonato de Assis, que foi separado da família após ser diagnosticado com hanseníase.

Sofrimento deixou marcas na história de Marilza que foi separada dos pais ainda quando bebê. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

Marilza tinha apenas seis meses de idade quando o pai foi retirado do seringal Aliança, na região de Sena Madureira, e encaminhado para tratamento na Colônia Souza Araújo, onde permaneceu por 34 anos.

“Falar da minha história é contar um pouco do sofrimento de cada filho que passou por isso. Não perguntaram o que aconteceria comigo, com a minha irmã ou com a minha mãe. Apenas levaram o meu pai embora”, relatou.

O reencontro entre pai e filha aconteceu apenas duas décadas depois. “Quando reencontrei meu pai, eu já tinha 20 anos. Foi então que ele pôde nos conhecer melhor e fazer nosso registro”, contou.

A mãe de Marilza também enfrentou o preconceito da época: “As pessoas não queriam dar trabalho para ela porque havia convivido com alguém que tinha a doença. Sem condições de nos criar, acabou me entregando para uma família e minha irmã para outra”, relembrou.

Mesmo após a morte do pai, em 2015, Marilza segue participando da luta pelo reconhecimento das famílias afetadas.
“Meus irmãos estão vivos, eu estou viva, e seguimos lutando para sermos reconhecidos. Esperamos que nossos direitos sejam garantidos”, afirmou.

Infância marcada pelo isolamento

Outra história compartilhada durante o encontro foi a de João Pereira do Nascimento. Diferentemente de muitos participantes, ele não foi separado por causa da doença dos pais. Foi ele quem adoeceu e acabou isolado da própria família.

“Eu fui separado para não transmitir a doença para os meus pais e para os meus irmãos”, relatou.

Diferente das outras pessoas, João foi diagnosticado com a doença ainda quando criança e teve que ser separado dos pais na comunidade ribeirinha em que vivia. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH

João conta que os primeiros sinais surgiram ainda na infância, mas o diagnóstico só veio aos nove anos: “Foi aí que começou o meu sofrimento. Passei a morar dentro da mata, numa casinha a cerca de 500 metros da casa da minha mãe, sem poder me aproximar dela ou ter qualquer contato”, lembrou.

As marcas daquele período permanecem vivas na memória: “Eu tomava banho escondido, no escuro, para ninguém me ver. Depois voltava para aquela casinha isolada, longe da minha família”, recordou.

Dos nove aos 18 anos, viveu afastado do convívio social. Mais tarde, foi encaminhado para a Colônia Souza Araújo e, posteriormente, para o Hospital de Base, onde permaneceu em tratamento por cerca de dois anos.

Fonte: Governo AC

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