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Açúcar inicia junho com preços estáveis em Nova York e mercado brasileiro acompanha movimento

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O mercado internacional de açúcar começou junho com baixa volatilidade e preços praticamente estáveis na Bolsa de Nova York. Até o dia 3 de junho, o contrato julho/2026 oscilou entre 14,00 e 14,50 centavos de dólar por libra-peso, refletindo um cenário de equilíbrio entre fatores altistas e baixistas que influenciam a formação dos preços globais.

Segundo análise da Safras & Mercado, o comportamento do mercado tem sido determinado por forças opostas. De um lado, cresce a preocupação com a possível ocorrência de um fenômeno El Niño de forte a muito forte intensidade nos próximos meses, condição que pode afetar importantes regiões produtoras e sustentar os preços internacionais.

Por outro lado, a perspectiva de ampla oferta mundial continua limitando movimentos de valorização mais consistentes.

Superávit global segue pressionando mercado internacional

De acordo com o analista de Safras & Mercado, Maurício Muruci, o principal fator de contenção das cotações continua sendo o excedente global de açúcar.

As estimativas apontam para um superávit próximo de 6 milhões de toneladas na safra atual e cerca de 4 milhões de toneladas no próximo ciclo produtivo. Esse cenário reduz a percepção de risco de abastecimento e impede avanços mais expressivos nas bolsas internacionais.

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Mesmo diante das incertezas climáticas associadas ao El Niño, o mercado segue avaliando que a oferta global será suficiente para atender à demanda no curto e médio prazo.

Mercado físico brasileiro acompanha estabilidade internacional

No Brasil, os preços do açúcar também apresentaram pouca variação na primeira semana de junho.

A estabilidade observada no mercado doméstico acompanha o comportamento das cotações internacionais e reflete ainda a estratégia adotada pelas usinas do Centro-Sul, que continuam priorizando a produção e comercialização de etanol hidratado.

Segundo Muruci, a rentabilidade do biocombustível permanece superior à do açúcar em diversas regiões produtoras.

Atualmente, os preços do etanol hidratado oferecem remuneração entre 2% e 5% acima da observada para o açúcar, reduzindo a necessidade de vendas imediatas da commodity no mercado físico.

Com isso, as usinas mantêm postura cautelosa e sem pressa para ampliar a oferta de açúcar no curto prazo.

Entrada da nova safra pressiona mercado de etanol

Enquanto o açúcar apresenta estabilidade, o mercado de etanol segue enfrentando pressão sazonal decorrente da entrada da safra 2026/27 do Centro-Sul brasileiro.

As negociações entre usinas e distribuidoras ocorreram em volumes moderados ao longo da primeira semana de junho, em um ambiente marcado pela expectativa de maior disponibilidade do produto.

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As distribuidoras, por sua vez, continuam adotando uma estratégia de compras pontuais e de curto prazo, buscando aproveitar o aumento da oferta para pressionar os preços do biocombustível.

Esse comportamento tem contribuído para limitar reações mais fortes nas cotações do etanol, mesmo diante da demanda relativamente estável.

Demanda pode ganhar impulso após feriado prolongado

A expectativa do mercado é de um aumento pontual na demanda durante a segunda semana de junho, impulsionado pela necessidade de recomposição dos estoques intermediários das distribuidoras após o feriado prolongado.

No entanto, a Safras & Mercado avalia que qualquer recuperação dos preços deverá ocorrer de forma limitada.

A continuidade da colheita e do processamento da nova safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul tende a manter a pressão sazonal sobre o mercado, ampliando a oferta tanto de açúcar quanto de etanol nas próximas semanas.

Dessa forma, o setor segue atento à evolução das condições climáticas globais e ao ritmo da safra brasileira, fatores que continuarão determinando a direção dos preços ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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