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Bolsas globais recuam com tensão no Oriente Médio; Ibovespa resiste acima dos 169 mil pontos e mercado monitora inflação dos EUA
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Os mercados financeiros internacionais operam sob forte cautela nesta quarta-feira (10), refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, a expectativa em torno dos próximos movimentos dos principais bancos centrais e a divulgação de indicadores econômicos relevantes nos Estados Unidos.
Apesar do ambiente de aversão ao risco no exterior, a Bolsa brasileira iniciou o pregão em território positivo, sustentada pelo desempenho das blue chips e pela expectativa de uma possível redução das tensões militares na região do Golfo Pérsico.
Bolsas internacionais operam sob pressão
Na Europa, os principais índices acionários registravam perdas durante a manhã. O movimento acompanha a preocupação dos investidores com o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, além da expectativa em relação às decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
O índice DAX, da Alemanha, recuava 1,16%, enquanto o CAC 40, da França, caía 0,78%. Em Londres, o FTSE 100 registrava queda de 0,72%.
Na Ásia, o cenário também foi negativo. O índice CSI300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas chinesas, encerrou o dia com baixa de 1,1%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,6%.
O movimento vendedor foi ainda mais intenso em mercados ligados ao setor de tecnologia. O Nikkei, do Japão, caiu 1,89%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, despencou 4,52%, refletindo a forte correção das ações de semicondutores e tecnologia.
Conflito no Oriente Médio eleva volatilidade global
A renovação dos ataques entre forças americanas e iranianas aumentou a percepção de risco nos mercados globais e provocou nova alta nos preços internacionais do petróleo. O barril do Brent voltou a se aproximar da faixa dos US$ 93, impulsionando empresas ligadas ao setor de energia e elevando as preocupações inflacionárias em diversas economias.
Além da geopolítica, investidores acompanham os dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) de maio mostrou inflação anual de 4,2%, em linha com as projeções do mercado, reduzindo parcialmente os temores de um aperto monetário ainda mais agressivo pelo Federal Reserve.
Ibovespa abre em alta e busca recuperação
Na B3, o Ibovespa abriu o pregão em leve valorização, operando na região dos 169 mil pontos após encerrar a sessão anterior aos 169.813 pontos. O movimento ocorre depois de uma sequência de dias marcados por volatilidade provocada pelo cenário externo.
Os investidores brasileiros seguem monitorando o comportamento dos mercados internacionais, os desdobramentos da política monetária global e os impactos do conflito no Oriente Médio sobre commodities e inflação.
Petrobras, Vale e bancos concentram os negócios
Entre os papéis mais negociados da sessão, as ações da Petrobras continuam liderando o volume financeiro da bolsa, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
A Vale permanece entre os destaques de liquidez, com investidores atentos ao comportamento da demanda chinesa por minério de ferro e às perspectivas para a economia asiática.
No setor financeiro, o Itaú Unibanco lidera as negociações entre os bancos e registra desempenho positivo na abertura dos negócios. As ações da B3 também avançam, refletindo a expectativa de maior movimentação financeira em um ambiente de elevada volatilidade.
Já entre os destaques positivos do início do pregão aparecem Totvs e Hapvida, que registram algumas das maiores altas do índice.
Perspectivas para o mercado
Analistas avaliam que o comportamento dos mercados nas próximas sessões dependerá principalmente de três fatores: a evolução do conflito no Oriente Médio, os próximos sinais dos bancos centrais sobre juros e a trajetória da inflação nas principais economias.
Para o Brasil, o cenário continua favorável em comparação com outros mercados emergentes, mas a volatilidade externa segue sendo o principal vetor de risco para a bolsa, o câmbio e os preços das commodities.
Enquanto investidores buscam proteção diante das incertezas globais, o agronegócio brasileiro permanece atento ao comportamento do dólar, do petróleo e dos mercados internacionais, fatores que impactam diretamente os custos de produção, exportações e formação de preços no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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EUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
Os Estados Unidos exportaram aproximadamente 5,34 bilhões de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, avanço de 13% sobre igual período do ano anterior, segundo a Renewable Fuels Association (RFA). O crescimento dos embarques amplia a concorrência para o Brasil e mostra a força de uma indústria sustentada por um mercado doméstico de grande escala, apesar de uma mistura menor do biocombustível na gasolina.
Nos EUA, a produção de etanol foi de aproximadamente 160 milhões de litros por dia, conforme dados da agência de energia americana, a EIA, publicados no dia 30 de setembro. O número representa o ritmo registrado naquela semana, sem equivaler a um balanço anual.
A aparente contradição está nas bombas. Enquanto a gasolina comum brasileira contém 32% de etanol, a mistura predominante no mercado americano é o E10, com 10%. O percentual menor, contudo, incide sobre uma quantidade muito maior de combustível comercializado.
Na mesma semana de setembro, o volume de gasolina fornecido ao mercado americano, usado pela EIA como referência de consumo, foi de aproximadamente 1,38 bilhão de litros por dia. Essa quantidade já inclui o etanol misturado ao combustível. É a dimensão desse abastecimento que permite absorver uma produção elevada do biocombustível.
Uma conta ilustrativa ajuda a entender: 10% de um mercado de 400 bilhões de litros representam 40 bilhões de litros de etanol. Já 32% de um mercado de 100 bilhões correspondem a 32 bilhões. A comparação dos percentuais, isoladamente, não mostra quantos litros chegam aos consumidores.
Enquanto ampliam as exportações, os EUA importaram menos de 1,9 milhão de litros de etanol entre janeiro e julho de 2026, segundo a RFA. O contraste reforça o peso da produção doméstica no abastecimento americano.
Esses números mostram que uma expansão do consumo nos EUA encontra uma indústria doméstica capaz de disputar o fornecimento. Para o exportador brasileiro, uma mistura maior abre oportunidades, mas os embarques dependem dos preços, dos custos de transporte, das condições de acesso e da disponibilidade do produto americano.
Os dois países também organizam o abastecimento de maneiras diferentes. No Brasil, a mistura obrigatória de 32% vale para a gasolina comum e a comum aditivada desde 1º de agosto de 2026. A medida tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. Na gasolina premium, o teor permanece em 25%.
Além disso, o motorista brasileiro dispõe do etanol hidratado para abastecer veículos flex. Esse mercado depende da relação entre o preço dos combustíveis e o rendimento do automóvel. A demanda nacional, portanto, reúne tanto o etanol adicionado à gasolina quanto o vendido diretamente ao consumidor.
Nos EUA, o E10 convive com o E15, de até 15%, e com misturas mais elevadas para veículos compatíveis. Os postos não são obrigados a oferecer E15. A ampliação das vendas envolve equipamentos adequados, disponibilidade de combustível e regras de comercialização.
Restrições relacionadas às emissões evaporativas afetam a venda de E15 durante o verão em partes do país. Em 2026, a agência ambiental americana, a EPA, concedeu uma autorização excepcional para permitir sua comercialização nessa estação. A previsibilidade das regras continua relevante para os investimentos na distribuição.
O Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, aumento de 11,7% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expansão reforça a importância de ampliar o consumo nas bombas e conquistar compradores externos. Nessa disputa, os Estados Unidos combinam uma indústria de grande escala com um mercado que absorve volumes elevados mesmo usando uma mistura menor de etanol na gasolina.
O levantamento brasileiro, divulgado em agosto, estima 29,98 bilhões de litros de etanol de cana e 11,91 bilhões de litros do combustível produzido a partir do milho. O crescimento previsto é de 9,7% e 17%, respectivamente. São projeções para a safra em andamento, que inclui parte de 2027.
A safra de cana está na segunda metade da colheita e da moagem no Centro-Sul, onde as chuvas de setembro reduziram o ritmo dos trabalhos. No Nordeste, a temporada começou mais recentemente. A fabricação de etanol de milho segue outro calendário, com usinas que operam ao longo do ano.
Para o campo brasileiro, o avanço do etanol tem efeitos distintos. A expansão das usinas de milho amplia as alternativas de venda do cereal. Uma demanda maior também pressiona o custo da matéria-prima para quem fabrica o combustível, conforme a oferta da safra e os estoques disponíveis.
O etanol de cana conta ainda com rotas de produção reconhecidas pela EPA na categoria de biocombustíveis avançados, sujeitas a requisitos ambientais. Esse enquadramento permite disputar mercados que valorizam a redução de emissões.
Com a oferta brasileira em crescimento, o resultado para a cadeia dependerá da capacidade de transformar produção em consumo. A mistura na gasolina, a escolha dos motoristas e as exportações precisam acompanhar os novos volumes para sustentar a remuneração das usinas e dos produtores de matéria-prima.
Fonte: Pensar Agro
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