AGRONEGÓCIO
Greening avança em Goiás: Agrodefesa confirma novos focos da doença em pomares comerciais e reforça alerta aos citricultores
AGRONEGÓCIO
A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) confirmou a ocorrência de novos focos de HLB (huanglongbing), também conhecido como greening, em pomares comerciais dos municípios de Heitoraí, na região Central de Goiás, e Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal. A identificação da doença acendeu o alerta entre produtores e autoridades sanitárias, que intensificaram imediatamente as medidas de contenção para evitar a disseminação da praga.
Considerado o principal desafio fitossanitário da citricultura mundial, o HLB não possui cura e pode comprometer severamente a produtividade e a longevidade dos pomares, gerando prejuízos significativos para os produtores.
Diagnóstico foi confirmado por laboratório federal
Os focos foram identificados durante as inspeções realizadas pela Agrodefesa no âmbito do Levantamento Fitossanitário Anual de HLB. Após a identificação de plantas com sintomas suspeitos, amostras foram coletadas e encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA-GO), que confirmou a presença da doença.
Seguindo os protocolos estabelecidos pela Instrução Normativa nº 1/2026, que instituiu o Programa Estadual de Prevenção e Controle Complementar ao HLB (PECHLB), as plantas contaminadas foram erradicadas para reduzir os riscos de disseminação.
Segundo a Agrodefesa, equipes técnicas já atuam nas regiões afetadas orientando os produtores sobre monitoramento, prevenção e controle da doença.
“O diagnóstico demonstra que o sistema de defesa agropecuária está vigilante e atuando de forma preventiva. A rápida resposta é essencial para proteger áreas ainda livres da doença e minimizar impactos econômicos para a cadeia produtiva”, destacou o gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo.
Goiás amplia vigilância após registros anteriores
Os novos casos reforçam a necessidade de atenção permanente dos citricultores goianos. Nos últimos anos, a Agrodefesa já havia identificado focos da doença nos municípios de Quirinópolis, Campo Limpo de Goiás e Anápolis.
Após as confirmações, foram realizadas ações de orientação técnica, fiscalização e mobilização de produtores em diferentes regiões do estado, incluindo eventos educativos em municípios como Goialândia, Itaberaí e Hidrolândia.
A coordenadora do Programa de Citros da Agrodefesa, Mariza Mendanha, destaca que a participação dos produtores é decisiva para o sucesso das estratégias de controle.
“A prevenção começa com a aquisição de mudas de procedência garantida. Mudas produzidas fora do sistema oficial podem estar contaminadas e representar uma porta de entrada para a doença. Por isso, é fundamental comprar apenas de viveiros certificados e registrados”, reforça.
A Agrodefesa também alerta que o comércio ambulante e ilegal de mudas representa um dos principais riscos para a disseminação do HLB. Denúncias podem ser realizadas diretamente pelo WhatsApp da Agência.
O que é o HLB e por que preocupa a citricultura
O HLB, conhecido internacionalmente como greening, é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitido principalmente pelo inseto vetor Diaphorina citri, popularmente chamado de psilídeo.
A doença afeta o sistema vascular das plantas cítricas, comprometendo a circulação de nutrientes e provocando perdas progressivas na produção.
Entre os principais sintomas estão:
- Folhas com manchas irregulares amareladas e esverdeadas;
- Queda prematura das folhas;
- Secamento de galhos e ramos;
- Frutos deformados e de tamanho reduzido;
- Frutos com maturação irregular;
- Sementes abortadas e escurecidas;
- Declínio gradual da planta até sua morte.
Embora não represente risco para a saúde humana, o HLB é considerado a doença mais destrutiva da citricultura devido ao elevado impacto econômico e à inexistência de tratamentos curativos eficazes.
Doença já está presente em diversos estados brasileiros
Atualmente, o HLB já foi registrado nos principais polos citrícolas do país, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul.
A ausência de variedades comerciais resistentes torna a prevenção, o monitoramento constante e a eliminação rápida de plantas infectadas as principais ferramentas de defesa contra a doença.
Agrodefesa reforça medidas para prevenir novos focos
Para reduzir os riscos de disseminação do greening, a Agrodefesa orienta os produtores a adotarem medidas rigorosas de biossegurança e monitoramento dos pomares.
Entre as principais recomendações estão:
- Manter atualizado o cadastro georreferenciado da propriedade no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago);
- Monitorar regularmente a presença do psilídeo transmissor;
- Instalar armadilhas em áreas estratégicas e nas bordaduras dos pomares;
- Adquirir mudas exclusivamente de viveiros registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa);
- Evitar a compra de mudas comercializadas de forma ambulante ou sem documentação;
- Comunicar imediatamente qualquer suspeita da doença aos órgãos de defesa agropecuária;
- Realizar a erradicação obrigatória das plantas contaminadas.
Com a expansão dos focos em novas regiões do estado, o setor citrícola reforça a necessidade de vigilância permanente para preservar a produtividade dos pomares e garantir a sustentabilidade da atividade nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Solo mais saudável está associado a 30% menos doenças na batata
Lavouras de batata com maior atividade biológica no solo apresentaram incidência de doenças cerca de 30% menor, segundo pesquisa conduzida pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano). Iniciado em 2021, o trabalho acompanhou áreas produtoras de Goiás, Paraná e São Paulo e avaliou o uso de plantas de cobertura e bioinsumos na recuperação de solos submetidos ao cultivo intensivo.
O estudo foi desenvolvido no âmbito das Demo Farms, fazendas demonstrativas mantidas pela Syngenta para testar tecnologias e práticas de agricultura regenerativa a partir de problemas enfrentados pelos produtores. A empresa mantém projetos de pesquisa em parceria com o IF Goiano.
Para medir a atividade biológica, os pesquisadores utilizaram a Bioanálise de Solo (BioAS), metodologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e lançada em 2020. A ferramenta avalia a atividade das enzimas beta-glucosidase e arilsulfatase, relacionadas, respectivamente, aos ciclos do carbono e do enxofre no solo.
A presença e a atividade dessas enzimas funcionam como indicadores do trabalho realizado pelos microrganismos. Quanto maior a atividade enzimática, em geral, mais ativo está o componente biológico do solo.
Nos parâmetros adotados pela pesquisa, valores de beta-glucosidase acima de 100 pontos e de arilsulfatase entre 40 e 50 pontos foram associados a solos em boas condições biológicas. Esses números, porém, precisam ser interpretados de acordo com o tipo de solo, o histórico da área e o sistema de manejo.
A BioAS não identifica quais bactérias, fungos ou outros microrganismos estão presentes. Para isso, são necessárias análises mais complexas, como a metagenômica, que examina o material genético encontrado nas amostras. A metodologia da Embrapa oferece um diagnóstico mais simples e de menor custo sobre o nível geral da atividade biológica.
Originalmente utilizada em lavouras de grãos, a ferramenta foi aplicada pelo IF Goiano ao cultivo de batata. A equipe constatou que as áreas com maior atividade de beta-glucosidase também apresentavam menor incidência de enfermidades nos tubérculos.
Entre os problemas observados estavam a sarna comum e a podridão mole. A sarna comum da batata, causada por diferentes espécies de bactérias do gênero Streptomyces, prejudica a aparência e o valor comercial dos tubérculos, além de provocar perdas aos produtores.
Os resultados mostraram uma correlação estatisticamente significativa entre a melhora dos indicadores biológicos e a redução das doenças. Nas áreas acompanhadas, o recuo da incidência ficou em torno de 30%.
A hipótese dos pesquisadores é que comunidades microbianas mais diversificadas aumentem a capacidade de o solo limitar a atuação de organismos causadores de doenças. É o chamado solo supressivo, no qual a competição entre microrganismos ajuda a dificultar a multiplicação dos patógenos.
A associação encontrada no estudo não significa, entretanto, que a atividade biológica seja o único fator responsável pelo controle das enfermidades. Qualidade das sementes, umidade, temperatura, irrigação, drenagem e rotação de culturas também interferem na sanidade das lavouras.
A pesquisa verificou ainda que o cultivo contínuo de batata reduz a diversidade da comunidade microbiana ao longo das safras. A introdução de plantas de cobertura ajudou a reverter parte desse processo.
Nas áreas que incorporaram essas espécies ao sistema produtivo, a diversidade de bactérias benéficas se aproximou da encontrada em matas nativas e superou a registrada em terrenos cultivados exclusivamente com batata.
As plantas de cobertura mantêm raízes vivas por mais tempo, acrescentam matéria orgânica e fornecem alimento aos microrganismos. Também protegem o terreno contra erosão, ajudam na conservação da umidade e podem interromper ciclos de pragas e doenças.
A partir dos primeiros resultados, o projeto passou a concentrar esforços não apenas no diagnóstico, mas também na recuperação da saúde do solo. Os protocolos avaliados combinam plantas de cobertura, bioinsumos e ajustes no manejo.
A melhora das condições das áreas já cultivadas também trouxe efeito econômico. Com solos mais equilibrados e menor ocorrência de problemas nos tubérculos, produtores conseguiram reduzir a necessidade de arrendar terrenos mais distantes para abrir novas lavouras.
A iniciativa começou em pouco mais de 200 hectares pertencentes a um produtor. Atualmente, as práticas avaliadas no projeto já são adotadas em mais de 2 mil hectares, considerando os participantes da pesquisa e outros agricultores que incorporaram o manejo.
Os pesquisadores agora avaliam quais plantas de cobertura apresentam melhor desempenho diante de doenças específicas da batata. O objetivo é transformar os indicadores biológicos em recomendações práticas, sem tratar a BioAS como substituta das demais análises agronômicas ou das medidas de manejo integrado.
Os resultados reforçam que a produtividade da batata não depende apenas de fertilizantes, defensivos e irrigação. A condição biológica do solo também pode determinar a resposta das lavouras às tecnologias empregadas e a capacidade do sistema produtivo de enfrentar doenças.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásNota de Apoio
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura realiza visita técnica e amplia ações de limpeza e infraestrutura no bairro Jorge Lavocat
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco mobiliza 300 trabalhadores em força-tarefa para preparar o Parque de Exposições Wildy Viana para a Expoacre
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco promove curso de português básico para migrantes em abrigo municipal
-
POLÍTICA NACIONAL5 dias atrásProjeto proíbe acesso a armas de fogo para quem responde por medida protetiva de urgência
-
POLÍTICA NACIONAL5 dias atrásImpacto fiscal da pirataria é tema de audiência nesta terça
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásFeira Agro Nater Coop discute desafios do clima e mercado cafeeiro
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásRegularização ambiental vira fator determinante para viabilidade financeira