AGRONEGÓCIO
Exportações de açúcar do Brasil ganham força com line-up de 1,9 milhão de toneladas e embarques de 2,2 milhões em junho
AGRONEGÓCIO
O mercado brasileiro de açúcar segue com forte movimentação logística e comercial em junho. O line-up dos portos indica programação elevada de embarques, enquanto os dados de exportação mostram queda em receita e preços na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo informações do setor e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O cenário reflete um mês de ajustes no mercado internacional, com variações na demanda global e pressão sobre os preços médios do açúcar exportado pelo Brasil.
Line-up aponta 1,93 milhão de toneladas de açúcar em embarques nos portos
O total de navios aguardando para embarcar açúcar nos portos brasileiros chegou a 48 embarcações na semana encerrada em 23 de junho, acima das 41 registradas na semana anterior.
A programação de embarques soma 1,932 milhão de toneladas de açúcar, com crescimento em relação ao volume anterior de 1,606 milhão de toneladas.
O principal ponto de escoamento segue sendo o Porto de Santos (SP), responsável por 1.550.168 toneladas. Em seguida aparecem:
- Paranaguá (PR): 414.150 toneladas
- Recife (PE): 20.300 toneladas
Mix de produtos exportados
A composição da carga inclui diferentes tipos de açúcar:
- VHP: 1.780.318 toneladas
- Crystal B150: 75.000 toneladas
- TBC: 64.300 toneladas
- Refinado A-45: 7.000 toneladas
- VHP em sacas: equivalente a 6.000 toneladas
O levantamento considera navios já atracados, embarcações em espera e aquelas previstas para chegada até 20 de julho.
Exportações de açúcar somam 2,2 milhões de toneladas em junho, mas recuam na comparação anual
Em junho, o Brasil exportou 2.207.220 toneladas de açúcar, com receita total de US$ 768,89 milhões, segundo dados da Secex.
A média diária de embarques foi de 157,658 mil toneladas, enquanto a receita média diária alcançou US$ 54,921 milhões em um mês com 14 dias úteis.
O preço médio do açúcar exportado ficou em US$ 348,4 por tonelada.
Queda em receita, volume e preços na comparação com junho de 2025
Na comparação anual, o desempenho do setor apresenta retração:
- Receita média diária: queda de 23,9%
- Volume médio diário: recuo de 6,4%
- Preço médio: baixa de 18,7%, para US$ 348,4/t
No mesmo período de 2025, o preço médio era de US$ 428,5 por tonelada, refletindo um cenário internacional mais valorizado para o açúcar no ano anterior.
Mercado do açúcar segue atento ao ritmo global de demanda
Apesar do forte volume programado nos portos brasileiros, o mercado internacional de açúcar segue influenciado por oscilações na demanda global, câmbio e preços das commodities agrícolas.
O Brasil mantém posição de destaque como principal exportador mundial, mas o desempenho de junho indica um cenário de maior pressão sobre preços e margens, mesmo com fluxo logístico elevado nos portos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
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