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Da aldeia às margens do Juruá, projetos escolares unem tradição, ciência e cuidado ambiental

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“Para mudar o mundo é preciso começar cuidando do nosso ambiente”. A frase da estudante Jennifer Souza, de 12 anos, resume o espírito dos projetos apresentados na etapa estadual da Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente que foi realizada esta semana na Escola Armando Nogueira, em Rio Branco, e reuniu estudantes de todas as regiões do Acre. 

Entre as dez escolas das regionais Juruá e Tarauacá-Envira, quatro projetos apresentaram iniciativas que vão do reflorestamento e recuperação de rios à valorização de saberes tradicionais e criação de territórios mais saudáveis, unindo ciência, cultura e o protagonismo de estudantes e professores na busca por soluções para desafios ambientais.

Vozes ribeirinhas: memórias e saberes que inspiram novas gerações

Estudante Lins Caren e professora Elizanete representaram a Escola Maria Lima de Souza, de Cruzeiro do Sul. Foto: Mardilson Gomes/SEE

O foco do projeto “Vozes ribeirinhas: memórias e saberes que inspiram novas gerações”, dos alunos da Escola Maria Lima de Souza, de Cruzeiro do Sul, é a recuperação do Rio Juruá. A unidade escolar está localizada próxima à área de várzea do rio, e a iniciativa tem o objetivo de mobilizar a comunidade ribeirinha do entorno para promover o descarte correto do lixo e o reflorestamento das margens com espécies nativas. 

As ações previstas  envolvem mutirões de limpeza, instalação de lixeiras recicladas em pontos estratégicos e campanhas de conscientização, principalmente em decorrência do impacto das enchentes sobre alunos e famílias, que muitas vezes utilizam o espaço escolar como abrigo.

“Queremos conscientizar e reflorestar as margens do rio, criando condições para um ambiente mais limpo e saudável. A própria comunidade sofre por não ter onde descartar o lixo, e o projeto busca oferecer essa solução”, explicou Elizanete de Freitas, professora de Ciências da escola.

A aluna-delegada Lins Caren Correia, de 14 anos, que participou da Conferência representando os estudantes da Maria Lima, ressalta que a iniciativa vai além do cuidado ambiental: “As comunidades ribeirinhas precisam ser ouvidas. Queremos passar nosso conhecimento para as novas gerações, para que o Rio Juruá seja limpo e harmonioso, e que quem vive em suas margens seja valorizado”.

Começa em mim: cuidar do meu espaço, transformar o mundo

Professora Maria Izerlândia e aluno Adryan Victor representaram a Escola Vicente Celso Brandão, localizada em Feijó. Foto: Mardilson Gomes

O projeto “Começa em mim: cuidar do meu espaço, transformar o mundo”, da Escola Vicente Celso Brandão, localizada em Feijó, trabalha a preservação ambiental por meio de ações como coleta seletiva de lixo, implantação de hortas comunitárias e campanhas de conscientização sobre as mudanças climáticas. A motivação surgiu devido às queimadas, que afetam a qualidade do ar e a saúde da população, especialmente durante a estação seca. A proposta envolveu toda a comunidade escolar, com quase 600 alunos participando diretamente das atividades.

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“O nosso município sofre muito com queimadas, tanto urbanas quanto rurais. Nosso objetivo é sensibilizar a população para preservar o solo, a água e o ar, garantindo um futuro melhor para as próximas gerações”, destacou Maria Izerlândia de Moura, professora de Ciências.

O aluno-delegado Adryan Victor Oliveira, de 14 anos, reforça que a iniciativa busca transformar discurso em ação: “O projeto é importante não só para a nossa comunidade, mas para o mundo. Aprendemos que é preciso fazer e não apenas falar. É a comunidade se mobilizando de verdade”.

Wadaki, Tsikavu Makisiti Dinamã Dukuda Daypudu/Plantar, cuidar e produzir – A floresta é nossa vida

Professora Maria José e aluna Analù representaram a Escola Ixubay Rabui Pyanawa, de Mâncio Lima. Foto: Mardilson Gomes

Em Mâncio Lima, na Aldeia Verde, o projeto “Wadaki, Tsikavu Makisiti Dinamã Dukuda Daypudu/Plantar, cuidar e produzir – A floresta é nossa vida”, da Escola Ixubay Rabui Pyanawa, busca reflorestar áreas degradadas, introduzindo espécies frutíferas e não frutíferas, com o objetivo de melhorar a qualidade do ar e garantir alimentação saudável para a comunidade. A iniciativa, que destaque entre as escolas indígenas que participaram do evento, nasceu de um processo coletivo: alunos do 6º ao 9º ano, mediados pelos professores, debateram diferentes temáticas até chegar à proposta escolhida.

“Nosso projeto consiste em trazer a sustentabilidade para a Aldeia Verde, reflorestando áreas degradadas e garantindo mais qualidade de vida para todos”, explicou Maria José dos Santos Puyanawa, professora responsável pela iniciativa.

Representando a escola na Conferência, a aluna Analù de Souza Puyanawa, de 12 anos, destacou o caráter educativo da ação: “Transmite conhecimento e mostra o que devemos fazer para cuidar do meio ambiente. Queremos levar essa mensagem para outras pessoas e inspirá-las a agir”.

Sombra e vida no quintal da escola

Professor Wesley e aluna Jennifer representaram a Escola Francisco Lino Ribeiro de Rodrigues Alves. Foto: Mardilson Gomes

Na área rural de Rodrigues Alves, amenizar o calor e melhorar o conforto térmico das salas de aula da Escola Francisco Lino Ribeiro é o ojetivo do projeto “Sombra e vida no quintal da escola”, que propõe o reflorestamento da ampla área da unidade com árvores frutíferas e nativas.

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 A ação também busca conscientizar a comunidade sobre a importância da preservação ambiental e envolver pais e moradores na construção de uma horta comunitária. A escola, localizada a 15 km do asfalto, enfrenta desafios como o acesso difícil durante o inverno e a ausência de climatização, o que torna as aulas à tarde quase inviáveis.

“Queremos climatizar a escola de forma natural, usando árvores que também possam complementar o cardápio escolar, como coqueiros e goiabeiras. Assim, unimos conforto, alimentação saudável e conscientização ambiental”, explicou Wesley Maia, professor de Linguagens.

A aluna-delegada Jennifer Souza, de 12 anos, destacou o resultado esperado: “Vai melhorar o ar, trazer sombra e permitir que a gente possa fazer atividades ao ar livre, como leituras. Aprendi que para mudar o mundo é preciso começar cuidando do nosso ambiente”.

Confira os projetos apresentados pelas regionais

Juruá
  • Escola Visconde do Rio Branco – Zona Rural – Cruzeiro do Sul
    Projeto: “Cultivar para transformar: a horta da Visconde – Plantando esperança, educação e transformação social”
  • Escola Maria Lima de Souza – Zona Urbana – Cruzeiro do Sul
    Projeto: “Vozes ribeirinhas: memórias e saberes que inspiram novas gerações”
  • Escola Francisco Lino Ribeiro – Zona Rural – Rodrigues Alves
    Projeto: “Sombra e vida no quintal da escola”
  • Escola Manoel Braz de Melo – Zona Rural – Cruzeiro do Sul
    Projeto: “Educando com a horta escolar”
  • Escola Prof. Antônio de Barros Freire – Zona Urbana – Cruzeiro do Sul
    Projeto: “Do saber ao fazer: educação transformadora para justiça climática”
  • Escola Indígena Tamakaya – Zona Indígena – Cruzeiro do Sul
    Projeto: “Impactos hídricos no Rio Campinas, localizado nas terras indígenas Campinas Katukina” – CZS/AC
  • Escola Ixubay Rabui Puyanawa – Zona Indígena – Mâncio Lima
    Projeto: “Wadaki, Tsikavu Makisiti Dinamã Dukuda Daypudu/Plantar, cuidar e produzir – A floresta é nossa vida – Territórios Sustentáveis Eixo III”

Tarauacá-Envira

  • Escola 15 de Junho II (Municipal) – Zona Rural – Tarauacá
    Projeto: “Horta sustentável e plantas medicinais”
  • Escola Vicente Celso Brandão – Zona Urbana – Feijó
    Projeto: “Eixo de abordagem: territórios saudáveis – Começa em mim: cuidar do meu espaço, transformar o mundo”
  • Escola Tekahayne Shanenawa – Zona Indígena – Feijó
    Projeto: “Poesia sustentável”

Fonte: Governo AC

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Segurança pública intensifica ações em comunidades indígenas e fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus

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A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), por meio do programa Acre pela Vida e da Diretoria de Políticas Públicas de Segurança, Justiça e Integração Social (DIRPSJ), realizou ao longo de toda a semana, 13 a 18 uma série de ações em comunidades indígenas com o objetivo de fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus.

Sejusp intensifica ações em comunidades indígenas e fortalece segurança comunitária em Santa Rosa do Purus. Foto: Cedida

A agenda contou com atividades educativas, atendimentos sociais e iniciativas esportivas, com foco na aproximação entre o poder público e a população local. Entre os destaques, esteve a formatura de estudantes do Projeto Pequeno Brilhante, que atendeu alunos do 4º ao 7º ano de escolas do município, além da entrega de kits esportivos para incentivar práticas saudáveis entre crianças e jovens.

Projeto Pequeno Brilhante realizou a formatura dos alunos do 4º ao 7º ano de escolas do município. Foto: Cedida

As ações reforçam a estratégia da Sejusp de integrar políticas de segurança com iniciativas sociais, ampliando a presença institucional em regiões de difícil acesso e promovendo cidadania de forma contínua e inclusiva. Para o secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, a presença do Estado em regiões de difícil acesso reforça o papel da segurança pública como instrumento de cidadania.

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Para o secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, a presença do Estado em regiões de difícil acesso reforça o papel da segurança pública como instrumento de cidadania. Foto: Ascom Sejusp

“Essas ações mostram que a segurança vai além do policiamento. Estamos promovendo inclusão, diálogo e oportunidades, principalmente em comunidades indígenas, respeitando suas especificidades e fortalecendo vínculos de confiança”, destacou.

Agenda integrou atividades educativas, atendimentos sociais e iniciativas esportivas. Foto: Cedida

Além das atividades com estudantes, a programação incluiu palestras direcionadas ao ensino fundamental, médio e à Educação de Jovens e Adultos (EJA), abordando temas como violência contra a mulher, tráfico de pessoas e contrabando de migrantes. Durante a permanência no município, a equipe também realizou atendimentos diretos, incluindo o acompanhamento de casos de migração e o suporte imediato a uma vítima de violência doméstica.

Durante a permanência no município, a equipe também realizou atendimentos diretos. Foto: Cedida

A coordenadora do programa Acre pela Vida, Francisca de Fátima, ressaltou o caráter preventivo e transformador das ações. “Trabalhar com a comunidade, especialmente em territórios indígenas, é essencial para construir uma cultura de paz. Quando levamos informação, esporte e apoio social, contribuímos diretamente para a prevenção da violência”, afirmou.

Coordenadora do Acre pela Vida, Francisca de Fátima, destaca o caráter preventivo das ações. Fpto: Ascom Sejusp

O cronograma também contemplou visitas técnicas e escuta ativa junto às comunidades locais e instituições públicas, com o objetivo de mapear demandas e orientar futuras políticas públicas. Nas aldeias, a equipe conheceu projetos esportivos indígenas, incluindo times femininos e masculinos, realizou palestras e entregou materiais esportivos.

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Assessora da DIRPSJ, Hany Cruz de Armas, ressaltou a importância da atuação integrada. Foto: Cedida

A assessora da DIRPSJ, Hany Cruz de Armas, destacou a importância da aproximação com os povos tradicionais. “Estar presente nas aldeias, ouvir as lideranças e contribuir com ações concretas demonstra respeito e compromisso. A segurança pública precisa dialogar com a realidade de cada comunidade, especialmente no contexto indígena”, enfatizou.

Fonte: Governo AC

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