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Gonzaga e Ricardo Brandão se reúnem com ministros e governadores no Ministério das Relações Exteriores do Peru e destacam avanços na integração comercial

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Assessoria

O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Luiz Gonzaga, participou nesta quarta-feira (28) de uma agenda no Ministério das Relações Exteriores do Peru, em Lima, visando estreitar as relações comerciais entre o Acre e o país vizinho com o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico do estado.

Gonzaga participou da agenda ao lado do secretário de Planejamento e Gestão do Estado do Acre, Ricardo Brandão, que representou o governador Gladson Cameli no evento com ministros e governadores peruanos.

Além de debater o comércio bilateral, Gonzaga e Brandão também trataram com o vice-ministro de Relações Exteriores do Peru, embaixador John Peter Camino, embaixadora do Brasil, Maria Laura, governador de Ucayali, Manuel Gambini Rupay, a internacionalização de voos comerciais e de cargas saindo do Acre para aeroportos peruanos. Assim também como voos do Peru para Cruzeiro do Sul e Rio Branco. Outro ponto debatido foi a rota comercial passando pelo Acre com produtos com destino ao Porto de Chancay.

Gonzaga destacou a importância da agenda em Lima e afirma que saiu da reunião confiante que a integração entre os dois países vai gerar desenvolvimento as duas regiões.

“Saímos muito felizes da reunião, pois tivemos avanços importantes. Estamos cada vez mais próximos de realizarmos um sonho muito antigo não somente da população do Juruá, mas de toda a população do Acre, que é a integração que vai gerar desenvolvimento do nosso estado, mas também do Peru. Precisamos dessa integração. Já tivemos voos de Cruzeiro do Sul a Pucallpa e entre Rio Branco até Lima e hoje estamos praticamente isolados do Peru. Precisamos retomar esse assunto com firmeza para conseguirmos ter essa integração. Além disso destaco a possibilidade de construção de uma ferrovia de Pucallpa até Cruzeiro do Sul o que vai gerar ainda mais emprego e renda ao nosso povo”, disse o deputado.

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O governador de Ucayali agradeceu ao presidente da Aleac e secretário acreano por participarem da reunião e destacou a importância da conectividade entre as duas regiões para o desenvolvimento econômico tanto do Acre como do Peru. Manuel afirmou que os acordos entre os dois países serão implementamos com urgência e começará pelos voos do Peru para o Acre.

“Quero agradecer ao presidente Luiz Gonzaga e ao secretário Ricardo por essa agenda tão proveitosa. A reunião foi muito importante, pois queremos conectar a região central do Peru ao estado do Acre para impulsionarmos o comércio tanto de Ucayali como o acreano. Vamos apresentar propostas de conectividade do Acre com o Peru ao ministro das Relações Exteriores e acredito que teremos grandes avanços. Vamos levar aos ministros a necessidade de darmos início aos acordos começando pelos voos entre o Acre e Peru, além do acesso ao Porto de Chancay”, disse o governador peruano.

O secretário Ricardo Brandão afirmou que o encontro com as autoridades peruanas foi proveitosa para estreitar ainda mais as relações entre os dois países.

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“A nossa expectativa é que sairemos daqui com a garantia que iremos fortalecer ainda mais as relações comerciais entre o Acre e o Peru com foco no desenvolvimento dos estados de fronteira, especialmente o Acre. Com a cooperação dos Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e Peru tenho certeza que daremos um passo importante para a tão sonhos integração”, disse Brandão.

Estiveram presentes na agenda o deputado Luiz Gonzaga, Ricardo Brandão, representando o governador Gladson Cameli, vice-ministros do Peru, governadores peruanos e embaixadores do Brasil no Peru e do Peru no Brasil.

Fonte: ASCOM ALEAC.

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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