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18ª Agrovino promete movimentar o setor ovino com leilões, exposições e presença internacional em Bagé (RS)

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A tradicional Agrovino, feira referência da ovinocultura no Sul do Brasil, chega à sua 18ª edição com a expectativa de ampliar o público e os negócios em relação ao ano anterior. O evento será realizado de 13 a 17 de janeiro de 2026, no Parque Visconde Ribeiro de Magalhães, em Bagé (RS), reunindo criadores, técnicos, expositores e compradores de várias regiões do país e do Mercosul.

Organizada pela Associação Bageense de Criadores de Ovinos (Abaco) e pela Associação e Sindicato Rural de Bagé, a feira contará com cinco leilões, duas exposições nacionais de raças e uma programação que combina atividades técnicas, julgamentos, ações culturais e eventos gastronômicos.

Expectativa de crescimento impulsionada pelo bom momento da ovinocultura

De acordo com o presidente da Abaco, Gustavo Velloso, o cenário atual do mercado ovino favorece uma edição ainda mais expressiva da Agrovino.

“Estamos nos aproximando da 18ª Agrovino com uma expectativa muito positiva. Teremos cinco leilões de diferentes raças e projetamos um faturamento igual ou superior ao do ano passado, impulsionado pelo aquecimento do mercado”, destaca o dirigente.

A feira deve reunir animais de diversos estados brasileiros e de países vizinhos, consolidando Bagé como um dos principais polos da ovinocultura nacional.

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Exposições nacionais das raças Ideal e Texel estão entre os destaques

Entre os principais atrativos da edição estão as exposições nacionais das raças Ideal e Texel, que devem atrair criadores de várias regiões do Rio Grande do Sul e de outros estados.

Segundo Velloso, a estimativa é de mais de 600 animais em julgamento e cerca de 1,5 mil circulando pelo parque durante os cinco dias de feira.

A presença internacional também está confirmada, com produtores e visitantes vindos do Uruguai e da Argentina, além de expositores de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

“Isso mostra que a feira vem se superando a cada edição. A tendência é que esta seja maior do que a do ano passado, refletindo o momento positivo da ovinocultura”, comenta o presidente da Abaco.

Programação reúne julgamentos, concursos e grandes remates

A programação da 18ª Agrovino será intensa e diversificada:

  • Terça-feira (13/01) – Chegada dos animais ao parque.
  • Quarta-feira (14/01) – Início dos julgamentos visuais, admissões de raças, concurso de carcaça e o primeiro remate da feira.
  • Quinta-feira (15/01) – Continuidade dos julgamentos e avaliações de carcaça, além do remate da raça Hampshire Down da Campanha.
  • Sexta-feira (16/01) – Julgamentos de classificação de diversas raças em múltiplas pistas e realização do Remate Pampa Texel à noite.
  • Sábado (17/01) – Encerramento com julgamentos finais, concurso gastronômico, abertura oficial da 18ª edição, 7ª Nacional da raça Ideal, rematão de reprodutores e rebanho geral e o segundo remate da Cabanha Espinilho, da raça Corriedale.
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Feira amplia espaço para gastronomia, artesanato e integração com o público

Além das atividades técnicas e comerciais, a Agrovino também aposta em atrações voltadas ao público visitante. Haverá eventos de culinária, concurso de assado, exposição de artesanato e participação de entidades como a Emater/RS-Ascar.

“É uma Agrovino bastante completa, com ações que fortalecem a feira e aproximam o público da atividade”, destaca Velloso.

Apoio institucional e patrocínios fortalecem a realização do evento

A 18ª Agrovino conta com patrocínio do Fundovinos, Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Sicredi, Senar e Paramount Têxteis.

O evento também tem o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Emater/RS-Ascar, Embrapa, Prefeitura de Bagé, New Life e do 3º Batalhão de Operações de Combate Mecanizado do Exército Brasileiro, sediado no município.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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