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Açúcar atinge menor preço em cinco anos e mantém trajetória de queda nas bolsas internacionais

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Açúcar mantém movimento de baixa e amplia perdas no mercado global

O mercado internacional do açúcar segue pressionado e registrou novas quedas nesta quarta-feira (11), tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro. Após uma leve recuperação no início da semana, os preços voltaram a cair, acompanhando o movimento de ajuste técnico e a percepção de ampla oferta mundial para a safra 2025/26.

Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto recuou 0,28 centavo, fechando a 13,84 centavos de dólar por libra-peso, o menor nível em cinco anos. O contrato maio/26 encerrou a 13,52 cents/lbp, queda de 0,24 centavo, enquanto julho/26 e outubro/26 também perderam força, encerrando a 13,52 e 13,87 cents/lbp, respectivamente.

Segundo operadores, a queda se intensificou após o rompimento do suporte técnico de 14,07 centavos, com o mercado reagindo à expectativa de excedente global de açúcar e à rolagem de posições compradas por fundos de índice, o que aumentou a pressão de venda sobre os contratos mais curtos.

Londres acompanha tendência negativa com perdas expressivas

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o açúcar branco também acumulou perdas significativas. O contrato março/26 despencou US$ 10,90, fechando em US$ 387,20 por tonelada, enquanto o maio/26 caiu US$ 4,50, cotado a US$ 405,00/t.

Os contratos agosto/26 e outubro/26 registraram baixas de US$ 4,20 e US$ 3,40, encerrando a US$ 398,30 e US$ 396,60 por tonelada, respectivamente. O comportamento das cotações em Londres reflete o mesmo cenário de Nova York, com mercado físico abastecido, perspectivas de produção elevada no Brasil e estoques confortáveis em importantes países exportadores.

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Açúcar no Brasil acompanha queda externa e recua quase 5% em fevereiro

No mercado interno, o açúcar cristal branco também apresentou desvalorização. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 kg foi negociada a R$ 99,67 na quarta-feira (11), queda diária de 1,95%. No acumulado de fevereiro, o preço já recuou 4,98%, refletindo a influência do cenário externo e o avanço da safra no Centro-Sul.

A Hedgepoint Global Markets destaca que a tendência de baixa no açúcar deve continuar no curto prazo, influenciada pela proximidade do vencimento do contrato março/26 e pelo avanço da nova safra brasileira, que tende a aumentar a oferta e limitar possíveis recuperações nas cotações.

Expectativas para a safra 2025/26 reforçam cenário de baixa

Durante a Conferência do Açúcar de Dubai, analistas e traders reforçaram a percepção de um mercado mais equilibrado para o ciclo 2025/26, com expectativa de superávit global e recuperação de estoques.

A Hedgepoint, porém, alerta que há incertezas que podem limitar as quedas — como o mix de produção entre açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil e as exportações da Índia, que ainda podem sofrer alterações dependendo de políticas internas do país.

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Etanol mostra leve recuperação após quedas recentes

Enquanto o açúcar segue pressionado, o etanol hidratado apresentou leve reação no mercado doméstico. Segundo o Indicador Diário de Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 3.131,50 por metro cúbico, uma alta marginal de 0,03% frente ao pregão anterior.

Apesar do pequeno avanço, o produto ainda acumula queda de 0,82% em fevereiro, mantendo tendência de acomodação nos preços, influenciada pela demanda ainda contida e pela expectativa de aumento de oferta com o início da moagem da nova safra.

Perspectivas: pressão deve continuar no curto prazo

O mercado açucareiro global atravessa um período de correção após meses de volatilidade. A oferta mais ampla prevista para 2025/26 e os ajustes técnicos de fundos e investidores mantêm o tom de cautela.

Analistas avaliam que, embora haja fatores de sustentação — como o comportamento do petróleo e o mix das usinas —, o viés segue baixista no curto prazo, especialmente com a retomada gradual da produção no Brasil e a redução de restrições climáticas em importantes regiões produtoras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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