RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Açúcar: clima na Ásia e avanço do etanol no Brasil elevam preocupação com a oferta global

Publicados

AGRONEGÓCIO

As perspectivas para o mercado mundial de açúcar seguem cercadas por incertezas. Apesar das oscilações recentes nas bolsas internacionais, analistas avaliam que os fundamentos permanecem favoráveis à sustentação dos preços, impulsionados pelos riscos climáticos em importantes regiões produtoras e pela maior destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil.

O mercado acompanha de perto o comportamento das monções na Índia e na Tailândia, países que figuram entre os maiores produtores globais de açúcar. A irregularidade das chuvas no início da temporada preocupa investidores e especialistas, já que pode comprometer a produtividade da cana e reduzir a oferta da commodity na próxima safra.

Clima na Ásia mantém mercado em estado de alerta

Segundo o diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, João Baggio, as próximas semanas serão decisivas para definir a trajetória dos preços internacionais.

De acordo com o especialista, o mercado continuará reagindo conforme novos dados climáticos forem divulgados. Caso as previsões de chuvas abaixo da média se confirmem na Índia e na Tailândia, a tendência é de valorização adicional das cotações do açúcar.

Além do fator climático, Baggio destaca uma mudança estrutural na política energética indiana. O país vem ampliando os investimentos na produção de etanol como forma de reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, movimento que pode diminuir significativamente a disponibilidade de açúcar para exportação.

Na avaliação do consultor, se essa estratégia continuar avançando, a Índia poderá reduzir sua participação como exportadora e, futuramente, até se tornar importadora da commodity, abrindo espaço para uma maior presença brasileira no mercado internacional.

Brasil amplia produção de etanol e reduz oferta de açúcar

Enquanto o mercado observa a Ásia, o comportamento das usinas brasileiras também influencia as expectativas globais.

Leia Também:  Exportações de carne bovina começam março em alta e indicam força do Brasil no mercado internacional

Nesta safra, uma parcela maior da cana vem sendo destinada à fabricação de etanol, diferentemente do ciclo anterior, quando o açúcar recebeu prioridade no processamento industrial.

Segundo João Baggio, essa mudança no mix produtivo representa uma redução estimada entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas de açúcar disponíveis para exportação.

O cenário é favorecido pela forte demanda doméstica por etanol, impulsionada pela competitividade frente à gasolina e pelas políticas de incentivo aos biocombustíveis. Com isso, muitas usinas tendem a manter a estratégia de privilegiar a produção de combustível renovável, mesmo diante de uma recuperação dos preços internacionais do açúcar.

Europa também amplia preocupações com a produção

As incertezas sobre a oferta mundial não se restringem à Ásia.

Para Marcelo Bonifácio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, os problemas climáticos já afetam simultaneamente diferentes regiões produtoras.

Segundo ele, a Índia registrou um dos inícios de temporada de monções mais secos da série histórica, com precipitações cerca de 40% abaixo da média até o fim de junho. Esse cenário pode comprometer tanto a produtividade da safra atual quanto o desenvolvimento da próxima temporada.

Na Tailândia, além das chuvas insuficientes, a redução da área cultivada também limita o potencial produtivo.

Ao mesmo tempo, a União Europeia enfrenta uma intensa onda de calor em um momento estratégico para o desenvolvimento da beterraba, principal matéria-prima utilizada na produção de açúcar no bloco.

Para o analista, a combinação dos problemas climáticos na Índia, Tailândia e Europa fortalece a expectativa de uma oferta global mais restrita ao longo dos próximos meses.

Leia Também:  Exportações de carne suína iniciam fevereiro com alta no preço por tonelada, mas ritmo de vendas segue menor que em 2025
Produção brasileira segue como fator de equilíbrio

Apesar do cenário de preocupação internacional, o Brasil continua exercendo papel fundamental no abastecimento mundial.

Marcelo Bonifácio Filho observa que a produção no Centro-Sul permanece elevada e que eventuais mudanças no mix industrial poderão ampliar a fabricação de açúcar caso as condições de mercado se tornem mais favoráveis.

Nesse contexto, os próximos levantamentos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) serão acompanhados com atenção para avaliar a evolução da destinação da cana entre açúcar e etanol.

Produção de açúcar recua enquanto etanol avança

Dados da S&P Global Energy reforçam essa tendência.

Na primeira quinzena de junho, a produção de açúcar no Centro-Sul foi estimada em 2,21 milhões de toneladas, volume 9,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Em contrapartida, a produção de etanol deve apresentar crescimento próximo de 18%, refletindo justamente o maior direcionamento da matéria-prima para o biocombustível.

Mercado seguirá atento ao comportamento do clima

Especialistas concordam que o comportamento climático nas próximas semanas será determinante para o mercado internacional.

Se o déficit de chuvas persistir na Índia e na Tailândia e os impactos da onda de calor sobre a produção europeia se confirmarem, a expectativa é de um mercado global mais apertado, sustentando os preços do açúcar mesmo diante das oscilações registradas nas bolsas internacionais.

Nesse cenário, o Brasil seguirá desempenhando papel estratégico tanto no fornecimento de açúcar quanto na expansão da produção de etanol, influenciando diretamente o equilíbrio da oferta mundial da commodity.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

Publicados

em

Por

O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

Leia Também:  Exportações de arroz do Brasil mantêm estabilidade no 3º trimestre, apesar da queda nas receitas

O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

Leia Também:  Governo publica decreto que moderniza fiscalização de produtos vegetais e amplia rastreabilidade

Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA